10 janeiro 2015

Da luta diária que nos resta

O ataque aos jornalistas e ao Charlie Hebdo é mais um dos muitos que se têm realizado por esse mundo fora. Infelizmente, tal como Fernanda Câncio lembra, esquecemo-nos depressa e desapaixonadamente de todos os horrores que vão sendo noticiados, uns mais que outros, para nos indignarmos violentamente com os mais recentes.


 


O atentado à liberdade de expressão deve ser, e tem sido, motivo de solidariedade internacional, com o aproveitamento político rápido da extrema-direita francesa, ao recuperar a proposta de referendo ao regresso da pena de morte e ao encerramento das fronteiras, e da estupidez da esquerda francesa, ao deixar de fora a Frente Nacional na manifestação contra o terrorismo.


 


Na verdade todos os dias vamos cedendo um pouco da nossa liberdade e dos nossos direitos – deixamos de dizer o que pensamos porque não queremos ofender, porque temos medo de perder o emprego, oportunidades de contactos que nos interessam, negócios, etc. Não nos apercebemos que é a luta diária, constante e permanente que pode manter os valores da sociedade em que vivemos. A possibilidade de cultivar as nossas crenças e a nossas diferenças é um direito inalienável consagrado pelas Nações democráticas e pelas Organizações Internacionais que a separação entre o Estado e a religião, seja ela qual for, é o melhor garante da vivência tolerante entre as várias comunidades. 


 


Não sei qual é ou quais são as soluções, o que podemos contra o extremismo e os terroristas. É demasiado fácil e simples considerá-los a todos loucos. As mais temíveis armas são, como sempre foram, a criatividade, a informação, a inteligência, a expressão artística, a provocação, o confronto de ideias. E disso não podemos nunca abdicar.

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