15 julho 2016

Nice, 14 de Julho de 2016

Edward Munch promenade des anglais 1891.jpg


Nice, Promenade des Anglais (1891)


Edward Munch


 


A tudo nos habituamos e ao que de pior temos também. A multiplicação da morte e da violência, sem se perceber exactamente em nome de quê, de quem, para quê ou para quem, por muitas explicações mais ou menos informadas, mais ou menos realistas, mais ou menos apaixonadas que ouçamos, transforma a barbárie na norma e nós em seres sem palavras, sem lágrimas, sem paixão para a revolta.


 


Talvez por isso e paradoxalmente a nossa melhor arma seja o silêncio e a indiferença, tratando todo este horror e ignomínia como mais uma distracção de verão.


 


Talvez os mentores de toda esta carnificina em todo o mundo, privados do melhor instrumento terrorista que é a divulgação e a manutenção do medo, percebam que continuaremos a viver e a trabalhar, a passear e a aplaudir, a dançar e a sofrer diariamente com aquilo que nos é mais precioso – a nossa liberdade.

3 comentários:

  1. MRocha17:21

    Por razões profissionais assisti à final do Euro em Limoges, junto à Gare des Benedictins. Por entre as muitas centenas de pessoas que ali acompanharam o jogo, portugueses havia alguns, mas poucos. O certo é que qd o Éder marcou, os festejos rivalizaram com os do Terreiro do Paço. Ora penso eu que magrebinos, outros africanos e até imensos espanhóis, não devem ter sido tomados por uma amor súbito pela selecção das quinas. Aquilo que ali vi foi outra coisa: foi a derrota da França que eles comemoraram pela noite dentro. Parece-me que enquanto se insistir em tentar explicar estes fenómenos com o "estado islâmico" e estados de emergência, não chegaremos a soluções.

    Cumprimentos,

    MR

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  2. MRocha , não sei explicar o que se está a passar. Os factores serão provavelmente múltiplos e complicados. Mas nada, em qualquer circunstância, pode justificar estas actuações criminosas. Podemos chamar-lhes o que quisermos mas são actos criminosos perpetrados por criminosos. E se continuarmos a bater com a mão no peito como se fossemos responsáveis por sermos uma sociedade laica, aberta, plural e democrática, aí é que me parece que não iremos a lado nenhum.

    A nossa sociedade tem muitíssimos e arrastados problemas, injustiças, agrupamentos de pessoas marginalizadas e crescente pobreza. Mas não é responsável por atentados criminosos - essa é a teoria dos fundamentalistas, de todos os lados.

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  3. Anónimo10:38

    Dois comentários inteligentes,não obrigatoriamente contraditórios.Apenas acrescento ( já o escrevi noutro lado...) que apenas acho obscena a obsessão em mostrar as imagens dos "cruzados" em pânico e desespero para gáudio dos mentores destas chacinas...O argumento do "direito à informação" faz-me lembrar a orquestra do TITANIC a tocar durante a agonia do barco...
    Cumprimentos,
    "kyaskyas"

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