Neste momento já não há quaisquer dúvidas.
O PSD é o ganhador da noite, principalmente de Manuela Ferreira Leite e de Paulo Rangel. Escolheram uma estratégia ganhadora, tem 3 a 4% a mais de votantes e mais deputados eleitos (1 ou 2). Rui Rio, António Borges e Pedro Passos Coelho podem ver as suas hipóteses de liderarem o PSD reduzidas após esta vitória do PSD.
Por outro lado, tendo sido estas uma primárias das legislativas, o PSD tem sérias hipóteses de ganhar as legislativas, facto que há 2 meses era impensável.
O BE é outro dos ganhadores da noite. Poderá ultrapassar o PCP e terá 2 ou 3 deputados eleitos. Beneficiou do grande desgaste do PS e da oposição a Sócrates dentro do PS.
O PCP perde politicamente e o CDS aguenta-se.
O grande perdedor é o PS. Perdeu as eleições europeias e fica com sérias dificuldades para os próximos 2 actos eleitorais.
Em democracia as propostas vão a votos e a governação vai a votos. O povo é soberano. O PS não tem que pedir desculpa pela sua governação nem pelas suas propostas, tem que defender aquilo em que acredita. Desde o início da legislatura o PS tentou reformar em várias frentes e prosseguiu o seu programa que foi sufragado pelos eleitores.
Ao contrário do que Paulo Rangel está a dizer, o PS tem um mandato para cumprir até ao fim e haverá eleições legislativas, em Outubro. Até lá o governo tem legitimidade para governar e não para congelar a governação, à espera das legislativas.
Paulo Rangel teve uma grande vitória e é natural que capitalize com isso. mas Sócrates tem mais alguns meses para governar. Se estivesse em causa a sua legitimidade, Paulo Rangel deveria ter pedido a sua demissão.
Se em Outubro ganhar o PSD, Portugal será governado à direita, apesar de ter mais votos à esquerda.
Continuemos, pois.
Mais uma vez, estou de acordo consigo, Sofia.
ResponderEliminarPorém, penso que , em rigor, só pode haver um vencedor, o PSD, porque teve mais votos. Ninguém se lembrou, desta vez, de dizer que "o maior partido foi o da abstenção", como nas eleições em que o PS ganhou.
O BE cantou vitória, mas ficou em terceiro; o CDS estava eufórico, mas é o último dos partidos que elegeram deputados.
Paulo Rangel foi muito acarinhado pelos opinion makers, ao longo da campanha. A meu ver, mal. Ele conseguiu, é certo, impor a estratégia errada de não discussão de temas europeus, que, aliás, estavam em jogo (só Miguel Sousa Tavares teve a lucidez de o lembrar, na noite eleitoral). Teve um estilo agressivo, mais próprio de uma extrema-Direita e muitas vezes foi rasteiro. Por exemplo, na questão do imposto. Por exemplo, quando acusou José Sócrates de não efectuar debates durante a campanha, o que tinha sido uma resolução unânime dos partidos na A.R. Até no tique de apelidar "candidato Vital", só para evitar o "prof." . É uma parolice o uso dos títulos, mas dão prestígio aos olhos do eleitorado mais inculto.
Assim, não me surpreendeu o seu muito lamentável discurso de tentativa de bloqueio do governo e de revanche, o que, também só Sousa Tavares assinalou.
Quanto a Outubro, um cenário destes será um desastre. Mesmo com a ajuda de Belém, que governo minoritário terá capacidade para aplicar as medidas inevitáveis de combate à crise?
Da Europa também não se pode esperar muito, pois o reforço da Direita não augura nada de bom sobre as necessárias grandes mudanças no sistema financeiro.
Sim, continuemos.
Ops! Estou totalmente de acordo consigo, coisa que na Net, raramente me acontece.
EliminarTambém ouvi parte do MST e corroborei até naquele "os portugueses não gostam da Democracia".....
O Rangel o da "claustrofobia democrática", simplesmente sinistro. Tem algo de Tribunal do Santo Ofício. Uma demagogia e um populismo frios e matreiros. Um outro tipo de populismo diferente do de Santana, que joga no sentimental tablóide.
Os governos que executam reformas, que estavam há décadas por fazer, são sempre penalizados.
Mesmo assim, para as legislativas confio no machismo dos portugueses (deles e DELAS) para fazer figas à "Azeda o Leite", como crismou a "Contra-Informação".
Saudações.