Este, dizem, é um país de gente dócil e de brandos costumes. Este, dizem, é um governo que pegou na insustentável situação legada por Sócrates e, em submissão aos ditames da Troika, não tem alternativa senão escolher repetidamente políticas recessivas, que agravam a situação económica e que perpetuam o problema.
Assisti aos primeiros minutos da declaração da Ministra das Finanças ao monocórdico país que, em monocórdico tom, reiterou o pensamento e a ideologia que este governo professa, ao abrigo da fachada encarnada pelas ordens da Troika.
Entre as várias medidas que ainda ouvi, e dos rodapés que fui lendo ao longo da noite informativa, o Orçamento de Estado esquece a reforma do dito e a história da melhoria da produtividade na função pública visto que, ao mesmo tempo que aumenta o horários de trabalho para 40h/semana, propõe aos trabalhadores uma redução em 8h/semana. Poderia ser para reduzir o desemprego, mas é apenas para reduzir o montante que gasta com os salários. Portanto, a 12% de redução salarial (por aumento de horário de trabalho) somam-se os cortes, que passarão a visar os salários a partir de 600,00€, e atingirão os 12%.
A luta entre o CDS e o PSD está cada vez mais aparente, não se coibindo José Luís Arnaut de ser mais assertivo nas críticas à decisão e à gestão política dos cortes nas pensões de sobrevivência, do que Eurico Brilhante Dias, em frente ao inefável Mário Crespo. O PSD diverte-se a armadilhar Paulo Portas que, com os seus ministros pós remodelação, aceitam o contrário do que apregoaram antes de ascenderem ao governo.
Entretanto já não é só a Troika que se acha dona de Portugal. Angola compra as nossas empresas, os nossos jornais e assume a sobranceria de quem tem poder e manda, após a tristíssima e indigna figura de Rui Machete. Mas nem o gozo angolano serviu de mote à demissão do Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Estrangeira sinto-me eu, no meu país. Este país que dizem brando e submisso, está cada vez mais alheado e descrente destas instituições, nacionais e europeias, que nós ainda acreditamos ser democráticas. Este é um país em que a gente boa, cumpridora, pobre, sem perspectivas, atraiçoadas pelos seus representantes eleitos, a quem tiram a dignidade e a esperança, tem todas as condições para vitoriar o primeiro vendedor de sonhos que lhe prometa um pouco de segurança e de placidez futura.
Este é um país de gente triste. E a infelicidade é a melhor arma para o mal, o mal corriqueiro, quotidiano e mediano, que se instala nas conversas, nas invejas, nos vizinhos, aquele mal que nos enforma a indiferença com que olhamos a diferença, a cor da pele, os bairros sujos e degradados, aquele mal de antes eles que eu. A infelicidade é perigosa.
Boa tarde,
ResponderEliminarO seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.
Atenciosamente,
Catarina Osório
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais
Obrigada.
EliminarCOMENTÁRIO AO POST "DESTE PAÍS (DIZEM)”
ResponderEliminara)- O Post assinala uma extravagante medida deste Governo Neoliberal: a de promover o part time, na Função Pública.
O que é proposto será mais uma etapa para enfraquecer e desqualificar o Serviço Público, numa achega para ser desfeito o Estado Providência.
b)- Na proposta do Governo para o Orçamento de 2014, é fácil detetar umas tantas linhas de força.
01- Penalizar os elos fracos: desempregados, doentes e idosos;
02- Agravar substancialmente a Distribuição de Rendimentos, acentuando assimetrias;
03- Favorecer a acumulação, no Patronato;
04- Não promover a “formação bruta do capital fixo”- investimento;
05- Não incrementar a Produtividade e Competividade, logo não fazer crescer os Excedentes Gerados na Atividade Económica;
06- Afasta-se assim das medidas que cresciam o nível de incorporação técnica e tecnológica, que é a única via para grimpar os Excedentes, logo alimentar as Participações Sociais;
07- Insiste na não promoção da Qualificação, descurando todas as Políticas Avançadas na Educação;
08- Sendo Recessivo, reduz o Consumo e acarretará a diminuição da riqueza- PIB;
09- Aparentemente, incorre, tal como os Orçamentos para 2012 e 2013, em posturas não Constitucionais;
10- Tudo indica que parte de uma avaliação otimista da evolução das variáveis macro económica; o risco de ser terem Orçamentos Retificativos é grande;
11- Esta proposta para o Orçamento de 20124 não colmata os problemas do Deficit Orçamental, nem frena o crescimento da Dívida Pública;
12- Este Orçamento nasce na subserviência ao Patronato Internacional, via FMI, BCE e U.E. e ao Patronato Nacional;
13- Este Orçamento gera perda de Qualidade de Vida, afetando as questões de Saúde;
14- Hipoteca o futuro das Gerações futuras.
c)- Mau grado nosso persiste o vazio de não estar urdida e explicitada uma Estratégia nova rompendo com a “Austeridade”, que atenda às profundas mutações registadas na derradeira década, no Mundo, na Europa e no País.
Bom Dia.
Bom Fim de Semana.
Cordiais, Amistosas e Afáveis Saudações para Autora do post, que na Sua generosidade as partilhará com os Leitores.
ACÁCIO LIMA
Chorei.
ResponderEliminarÉ terrível ler "Estrangeira sinto-me eu, no meu país."
Mas inevitavelmente, também me sinto assim, às vezes.
Faço um esforço permanente, diariamente, em cada minuto, para acreditar no meu país.
Beijinhos,