13 outubro 2013

Tricot

 



The Hospital at 4 am


Douglas Manry


 


Tentou enrolar-se de lado, no cadeirão de plástico que rangia ao mais leve movimento. Ficou a olhar para ela, cabeça a descair, olhos fechados e mãos que desenhavam alguns gestos incompreensíveis. Angustiou-se. O que se passaria na sua cabeça? Seguiu atentamente aquelas mãos, uma ligada ao soro, a outra que se levantava do braço do sofá. Esforçou-se para a ouvir, pensando que necessitava de alguma coisa.


 


E percebeu que, no seu atabalhoado sono artificial, ela explicava a alguém o número de voltas, as malhas, as agulhas e as cores que iria tricotar, com a gentileza de quem ajeita a lã ao corpo, medindo com olhar da mente os centímetros do decote, a inclinação da cava. Levantou-se a devagarinho sossegou-a, como quem acalma uma criança, sem conseguir conter as lágrimas.


 

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