21 fevereiro 2015

Das negociações políticas

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Jornal de Notícias


 


O governo grego mostrou que é possível ter uma voz diferente na Europa, defender os interesses do seu povo sem ter medo de enfrentar dificuldades e problemas, de ser um parceiro de corpo inteiro numa União que se pretende de solidariedade e é apenas de subserviência a alguns países, de assumir e respeitar o mandato eleitoral e democrático que lhe foi conferido.


 


É muito interessante ver as notícias sobre o princípio de acordo alcançado através do Observador, que aproveita para demonstrar que a Grécia recuou em toda a linha e que Varoufakis e Tsipras acabaram por ceder em tudo.


 


Mas lendo o texto do acordo não é essa a minha conclusão. Embora sem conseguir fazer vingar as suas propostas, o governo grego fez o que há muito se esperava que algum governo fizesse - negociação e confronto políticos, sem complexos nem atitudes invertebradas. Ao contrário da opinião de Francisco Seixas da Costa (ou não?), penso que a ofensiva grega no plano internacional foi bem feita e criou condições para que houvesse cedências de parte a parte.


 


A verdade é que estamos a assistir a declarações de volte-face dos mais improváveis protagonistas, como por exemplo de Jean-Claude Juncker, que age como se tivesse acabado de chegar à União Europeia. O governo português foi igual a si próprio, perdido no seu labirinto e mais fundamentalista que os extremistas, com posições contrárias às que seriam de esperar na defesa dos interesses de Portugal. Paulo Portas esqueceu-se que pertencia a um governo que se esforçou ao máximo pelo pedido de resgate e aplaudiu o querer ir além da Troika, colando-se às declarações de Junker.


 


Continuemos a aguardar os acontecimentos. Parabéns aos gregos e ao governo grego pela pedrada no charco. Nem que seja só por isso, todos saímos a ganhar.

2 comentários:

  1. ACÁCIO LIMA18:27

    COMENTÁRIO AO POST "Das negociações políticas"

    Resumindo:

    Estamos perante um complot da reação e dos conservadores.

    E estamos perante uma débil postura dos Partidos Socialistas, como muito bem o Dr. Mário Soares assinalou.

    Bom Fim de Semana.

    Saudações Cordiais e Afáveis
    Democratas e Socialistas

    ACÁCIO LIMA

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  2. Tenho mesmo muita simpatia pela "pedrada no charco" que a Grécia provocou nas mornas águas europeias. Disse-o em vários locais e ocasiões. Acho, contudo, que uma atitude publicamente menos agressiva teria conduzido exatamente ao mesmo (pífio) resultado, com um acordo num prazo de tempo mais curto, o que teria evitado que a Grécia tivesse perdido entretanto imenso dinheiro. Não sou adepto do estilo Varufakis, confesso.

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