03 julho 2016

Das surpresas pouco surpreendentes

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Helder Oliveira


 


É claro que Maria Luís Albuquerque tem toda a razão.


 


Se ela fosse (ainda) Ministra das Finanças, significaria que o governo do País era (ainda) de direita e que o Primeiro-ministro seria (ainda) Passos Coelho, e que o Vice Primeiro-ministro seria (ainda) Paulo Portas.


 


Ou seja, que a Comissão Europeia e o Eurogrupo certamente nunca avançariam com sanções a Portugal, mesmo que o défice tivesse dobrado os 3%.


 


Ou seja, que Wolfgang Schäuble e Klaus Regling não estariam minimamente preocupados com Portugal, porque Portugal (ainda) era um membro de pleno direito do status quo europeu.


 


Ou seja, a vontade de sancionar Portugal não tem nada a ver com o défice de 2015, mas apenas com a ousadia e o despautério deste País por ter arranjado uma Geringonça, ao contrário da Caranguejola que o status quo europeu queria que (ainda) governasse.

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