Muito já se falou sobre a invasão da plantação de milho transgénico. É interessante assistir a alguns comentários à prestação de Mário Crespo na entrevista que fez a Gualter Baptista (28 anos, engenheiro do ambiente).
Não sou particularmente apreciadora do estilo redondo e palavroso de Mário Crespo, da excelência de conteúdos ou das suas opiniões, que não deveriam ser manifestas nas entrevistas que faz.
Mas exceptuando o estilo, Mário Crespo apenas fez o que muitos jornalistas não fazem: confrontar o entrevistado com as suas posições, com as suas palavras, com os seus actos, descascando a retórica e as frases feitas de modo a assistirmos à coerência (ou falta dela) do entrevistado.
Na verdade o grande delito de Mário Crespo foi ter exposto, sem compaixão (e com gozo, convenhamos, que não lhe ficou bem), a total ausência de pensamento estruturado, de conhecimento científico e de carácter de um indivíduo que se reclama estar a restabelecer a ordem ecológica, moral e democrática que tem sido constantemente deteriorada pelas políticas da União Europeia e pelo Governo português. Ainda por cima tentando demarcar-se da própria acção, querendo dar a entender que estava lá sem lá estar.
É pena que noutras entrevistas esta moda não pegue. Porque seria, de facto, uma excelência de conteúdo e um verdadeiro serviço público.
Não sou particularmente apreciadora do estilo redondo e palavroso de Mário Crespo, da excelência de conteúdos ou das suas opiniões, que não deveriam ser manifestas nas entrevistas que faz.
Mas exceptuando o estilo, Mário Crespo apenas fez o que muitos jornalistas não fazem: confrontar o entrevistado com as suas posições, com as suas palavras, com os seus actos, descascando a retórica e as frases feitas de modo a assistirmos à coerência (ou falta dela) do entrevistado.
Na verdade o grande delito de Mário Crespo foi ter exposto, sem compaixão (e com gozo, convenhamos, que não lhe ficou bem), a total ausência de pensamento estruturado, de conhecimento científico e de carácter de um indivíduo que se reclama estar a restabelecer a ordem ecológica, moral e democrática que tem sido constantemente deteriorada pelas políticas da União Europeia e pelo Governo português. Ainda por cima tentando demarcar-se da própria acção, querendo dar a entender que estava lá sem lá estar.
É pena que noutras entrevistas esta moda não pegue. Porque seria, de facto, uma excelência de conteúdo e um verdadeiro serviço público.
Sofia, não estou totalmente de acordo com o que dizes. Depois de ouvir os trinta e cinco minutos da entrevista - e sem ajuizar do trabalho e da idionsincrassia do jornalista - não creio que o Mário Crespo tenha sido tão feliz na sua atitude. E que a infelicidade da sua atitude - que, de forma objectiva só consigo traduzir pela forma como ele, assumindo a sua incapacidade de dotar de valor político a atitude do movimento, acabou a entrevista sem conseguir que o entrevistado não saisse reforçado politicamente - se consubstanciou na pouca elasticidade dele de perceber que os pressupostos com que tinha organizado a entrevista estavam a não produzir efeito. Ou seja, Crespo apostou tudo por tudo na colocação da ilegalidade da acção como factor da ilegitimidade da acção política. Ora Valter Batista nunca o contestou. Assumiu que o movimento actuava na margem da legalidade e portanto não se colocou no ponto de vista do coitadinho que destroi a propriedade de alguém e ainda diz que não compreende que as pessoas não os compreendam. O que ele diz é que a questão da legitimidade não será perceptível agora. Depois Crespo tentou o argumento do ecoterrorrismo tentando fazer-nos crer que se não condenarmos imediatamente esta acção estamos a justificar o pleno assalto à propriedade privada. Ora Valter Baptista ressalta o valor simbólico deste gesto e a diminuiçãõ do impacto da mesma com a oferta de milho para a plantação. Podemos pensar o que quisermos disto mas o que fica é a não intenção de proliferar a destruição das plantações. Portanto Crespo também não consegue aó fazer vingar os seus argumentos. Depois ouve mal, confundindo DDT com CCFs. Não é geral mas, simbolicamente, introduz uma péssima sensação em relação a uma qualidade essencial para quem conduz uma entrevista. Depois baralha as coisas: diz que o direito à propriedade não é um direito individual e que é um direito colectivo. O que é ridiculo e que demonstra que, face á tranquilidade do entrevistado, Mário Crespo está a mil, não ouve bem, atrapalha-se com as orientações da regie e ainda por cima opoe argumentos ridiculos. Claro que os direitos individuais são para serem usufruidos por todos. E quando Valter Baptista refere a ASAE dizendo que é assumido socialmente que muitas vezes o interesse indivivual tem de ceder ao bem colectivo e Mario Crespo tenta fazer com que ele se diga que ele está a conparar à ASAE ele mostra que só está a tentar demoinstrar este argumento porque de certo a ASAE tem uma legitimidade que lhe provem da legalidade, coisa que o movimento não tem. Mário Crespo não percebe isso e continua a tentar fazer passar a ideia de que ele se está a comparar à ASAE quando é nitido que o argumento de Valter é que mesmo na nossa sociedade está estabelecido legalmente que por vezes o interesse colectivo se sobrepoe ao individual. Nada mais. Depois tentou desacreditá-lo de uma forma pessoal sem ter o cuidado de fazer algumas questões prévias que teriam prevenido algumas perguntas disparatadas, como o de o associar a uma empresa. Para além do riso, do gozo. Mas isso também é contrabalançado com a proverbial delicadeza de Mário Crespo e com a forma amável como trata todos os entrevistados sem perda da acutilância das suas perguntas. Ou seja, a entrevista acaba, por maior infelicidade que Crespo tenha tido, a ser um excelente momento, principalmente pela surpreendente performance de Valter Baptista que nunca se irritou com a forma como estava a ser tratado, o que acabou para remeter para a valorização politica da sua atitude e a desvalorização emocional da mesma. Não estou a defender nada que pouco sei sobre o assunto. Estou a falar de uma entrevista que ouvi duas vezes. :)
ResponderEliminarJPN, para já agradeço o teu gentil comentário. É muito agradável trocar ideias com pessoas civilizadas. Eu e tu temos interpretações muito diferentes da mesma entrevista, o que não deixa de ser curioso. Os factos são os mesmos, a realidade é a de quem narra os factos. Mas, para ser concreta aponto alguns exemplos: penso que Gualter Baptista não conseguiu demonstrar qualquer objectivo político naquela acção, tendo ficado apenas a ideia de um agrupamento de desocupados a divertirem-se. Também me parece que ele estava bastante atrapalhado no que diz respeito à sua própria participação no evento, visto que tentou, ao máximo, "lavar as mãos" do assunto, afirmando a sua posição de porta-voz de um movimento gerado naquele momento e para aquele fim, mas sem ter mais nada a ver com ele. Depois a comparação com a ASAE foi totalmente descabida pois a ASAE não é um movimento político. Ou seja, apesar dos vários erros de atitude que apontaste ao Mário Crespo, e com que concordo, acho que Gualter Baptista deixou uma ideia bastante triste da sua pessoa, lançando o descrédito aos movimentos ecologistas e à oposição aos OGM.
ResponderEliminarolha, Sofia, quando voltar ao respirar acho que vou começar por aí. é um tema em que só ganhamos com o tempo em que a discussão fica a marinar. e quanto à ASAE ele foi infeliz não porque fosse descabido, já que é até bastante pertinente no sentido de percebermos que o interesse individual tem por vezes de ceder ao interesse colectivo, quando grande parte da colocação do problema parece ser feita através da sua quase natureza sagrada, mas porque a invocação da ASAE poderia facilmente surgir como uma comparação. É interessante voltar a escutar a parte em que Gualter (e não Valter, como eu erradamente disse) fala da ASAE para se perceber que ele assume a diferença, dizendo que uma tem uma legitimidade que lhe advem da legalidade. Só que também é visivel que Mário Crespo secundariza isso e foca-se na questão da comparação. Há uma certa diferença entre ser descabido e ser infeliz na comunicação, lol. Mas quando voltar a isto, chamo-te, ok? :)
ResponderEliminarCombinado, JPN.
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