escultura de Claudia Souto
entranhados
Despojados de censura decência vergonha
desarmados do sentimento do outro
desamparados perante as câmaras dos olhos
sem quaisquer gestos encobertos
sem quaisquer sombras de distância
choramos por nós pelas dores do mundo em nós
assumidamente egocêntricos autistas no espanto
descartados da pele de civilização
afundamos na derrota no desespero na desesperança
sem cuidarmos do horror ou da indiferença
reféns da nossa individual ausência.
Descarnados descentrados choramos sem véus
pela sóbria necessidade
de sobrevivência.
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