18 outubro 2009

Despojos

 



escultura de Claudia Souto

entranhados


 


Despojados de censura decência vergonha

desarmados do sentimento do outro

desamparados perante as câmaras dos olhos

sem quaisquer gestos encobertos

sem quaisquer sombras de distância

choramos por nós pelas dores do mundo em nós

assumidamente egocêntricos autistas no espanto

descartados da pele de civilização

afundamos na derrota no desespero na desesperança

sem cuidarmos do horror ou da indiferença

reféns da nossa individual ausência.


 


Descarnados descentrados choramos sem véus

pela sóbria necessidade

de sobrevivência.

 

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