14 outubro 2009

Enchentes

 



pintura de Erik Hanson


Emanations variations on black and white I


 


Nem enchentes e marés de sonhos, nem desertos sedentos de sol. Procura-se o meio-termo, o compromisso, a cedência. Sempre mais razoabilidade, mais equilíbrio, mais do mesmo, mais na mesma. Sempre é cedo ou tarde de mais, sempre talvez ou mais um pouco, sempre não há, não pode, sempre mais devagar, sempre degrau a degrau.


 


 


Não tenho mais punhos para cerrar, não sei de mais mastros para navegar, só restam os ponteiros dos segundos, urgentes, impositivos, certeiros, ruidosos, gritos surdos e olhos por todo o lado.


 


 


Mudar, é preciso virar as roupas do avesso, as almas, o mundo.


 


 


Já não tenho braços para tanto mar.

 

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