24 outubro 2009

A coligação do inadiável

 


Acho muito interessante a discussão que tem havido sobre a índole reformista do governo, que vários comentadores e politólogos já decidiram que não terá.


 


Antes da tomada de posse do governo anterior havia um clamor de todas as elites académicas, económicas, artísticas, todas, em como eram essenciais e inadiáveis as reformas estruturais na saúde, na economia, na educação, na administração pública, na justiça, enfim, era preciso reformar o país.


 


O governo anterior fez precisamente isso. Mas quando as reformas começaram a incomodar as inúmeras corporações, romperam as movimentações para parar as ditas reformas. Contra as manifestações, as notícias do desagrado das populações, do fechamento das estradas, o governo manteve as suas intenções reformistas.


 


Pois a oposição toda, da esquerda à direita, criticaram-nas na forma e no conteúdo, de tal forma que a campanha eleitoral foi feita com base na coligação negativa que queria mudar o que o governo tinha feito em quatro anos.


 


Ou seja, os ímpetos reformistas do anterior governo foram arrasados precisamente por quem sempre exigiu as tais reformas inadiáveis. Agora que o governo é minoritário os partidos, os comentadores e os politólogos estão preocupadíssimos com as tais reformas mais uma vez e cada vez mais inadiáveis que já decidiram que o governo não será capaz de fazer.


 


Talvez se enganem, apesar dos esforços que farão para terem razão.


 


Nota: também aqui.

2 comentários:

  1. PDuarte01:59

    ás vezes tenho pena de ser tão pessimista e incrédulo, mas julgo não estar enganado quando afirmo que este país é ingovernável
    será eternamente um país em gestão, até ao seu colapso .

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    1. Temos dias... Mas eu sou optimista, de uma maneira pessimista.

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