Ouvi as declarações de José Saramago e achei-as tristes. Não pelo assomo de blasfémia ou provocação. Mas pela infantilidade da prosa, pelos argumentos sem nexo, pelo disparate de tudo o que disse.
Saramago, um excelentíssimo escritor, não reconhece que a Bíblia, para além de um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana é também um manual de bons costumes, um catálogo de bondade e do melhor da natureza humana.
Está lá exactamente a essência do que é o homem, da sua relação consigo, com os outros, com a natureza e com a divindade. Estão o terror e a obediência cega, o amor e o altruísmo, o egoísmo e a generosidade, a intolerância e a aceitação, o heroísmo e o erotismo, as perversões, o belo, o místico e o sonho.
Estão a luta de um povo, a luta de homens e mulheres diferentes, pactos e diplomacia, guerra e regras, códigos laborais, está a raiz da forma como encaramos o mundo.
Não tem rigorosamente nada a ver com religião, nem com a fé. Isso pertence ao foro privado de cada um. Tem tudo a ver com a forma de nos pensarmos, no que há de razoável e extraordinário, até ao que de mais horrível podemos ser.
Nota 1: ler também Luís Naves.
Nota 2: o disparate é verdadeiramente livre e parece crescer exponencialmente.
Concordo com o seu post quando diz que na bíblia está o Homem, no seu todo, para o bem e para o mal.
ResponderEliminarSó que a crueldade praticada em nome de Deus e permitida ou exigida por Ele, são significativas.
Devo à leitura do resumo da Bíblia que circulava nos meus tempos iniciais de Liceu (1956-57, no tempo da gripe asiática) o progressivo e definitivo afastamento de Deus e da religião.
Passei a ser muito mais feliz e a viver em maior harmonia com todos os outros seres humanos.
De forma mais saudável, mais tolerante, mais gratificante!
Bem hajas bíblia!