31 julho 2011

Iliteracia informática

 


A obrigatoriedade da prescrição electrónica de receituário e de meios complementares de diagnóstico, assim como do processo clínico electrónico, já deveria há muito ter sido implementada. Infelizmente os equipamentos informáticos e a acessibilidade a computadores nos estabelecimentos pertencentes ao SNS nem sempre são os adequados, atrasando o arranque desta medida essencial para a segurança dos doentes e do pessoal de saúde, uma maior rapidez de informação fidedigna e uma enorme poupança de recursos.


 


Por isso aplaudo o facto do Ministro Paulo Macedo não aceitar uma nova prorrogação do prazo para que as receitas electrónicas sejam, finalmente, uma realidade. As Instituições de Saúde e os Médicos estavam avisadas, desde há vários meses, do limite do prazo, pelo que não me parece sério continuar a alegar falta de preparação e de conhecimento de softwares disponíveis. Penso que seria muito importante que a Ordem dos Médicos facilitasse a aquisição/utilização de aplicações informáticas, eventualmente com formação para que, o mais rapidamente possível e com menores custos, todos os médicos pudessem aceder à prescrição electrónica.


 


Por isso não deixo de me surpreender com a notícia do Público, de 26/07, de que centenas de médicos alegam não ter capacidade para se adaptarem a sistemas informáticos. Acredito que haja casos excepcionais que justifiquem tal incapacidade, mas serão muito raros e muito específicos. Não concebo como é que, em pleno século XXI, um médico pode fazer consultas bibliográficas, estar a par das últimas novidades editoriais, corresponder-se com colegas, inscrever-se em congressos, trabalhar em consultórios, hospitais ou centros de saúde que estão, melhor ou pior, todos informatizados, ou mesmo entregar declarações de IRS, sem ter capacidade para se adaptar a sistemas informáticos.


 


Mantenho também o aplauso a Paulo Macedo pelo facto de não ter aproveitado o facto de se terem que destruir vacinas compradas para a pandemia de Gripe A, em 2009, levando a um desperdício no valor de 9,7 milhões de euros, para atacar a Ministra Ana Jorge. Por muito que se critique a sua actuação, e eu sou uma das que critico, neste caso particular a Ministra e o governo fizeram o que deviam, seguindo as orientações da OMS. Se o não tivessem feito e a gravidade da pandemia fosse outra, essa sim seria razão para acusações.


 


Já não percebo muito bem o que significa a reestruturação das urgências de que fala o Ministro da Saúde. Não percebo como se avaliam as ofertas dos serviços de urgência públicos e privados, para se decidirem encerramentos – quais encerram? Os públicos ou os privados? Se forem os públicos, serão os privados a assegurarem as urgências? Quem paga? O Estado ou os cidadãos?


 


Temo que a interpretação das suas palavras – ser Ministro do Sistema de Saúde – tenha um alcance mais privatizador do que prestador.

El último trago

 


E esta Ana?


 



José Alfredo Jiménez

Chucho Valdés & Concha Buika



 


Tomate esta botella conmigo 
y en el ultimo trago nos vamos 
quiero ver a que sabe tu olvido 
sin poner en mis ojos tus manos 
esta noche no voy a rogarte 
esta noche te vas de deveras 
que dificil tener que dejarte 
sin que sienta que ya no me quieras 

Nada me han enseñado los años 
siempre caigo en los mismo errores 
otra vez a brindar con extraños 
y a llorar por los mismos dolores 

(Salusita mi amor......) 

Tomate esta botella conmigo 
y en el ultimo trago.... 
me besas 
esperamos que no haya testigos 
por si acaso... 
te diera verguenza 
si algun dia sin querer tropezamos 
no te agaches ni me hables de frente 
simplemente... 
la mano nos damos 
y despues que murmure la gente 

Nada me han enseñado los años 
siempre caigo en los mismos errores 
otra vez a brindar con extraños 
y a llorar por los mismos dolores 

Tomate esta botella conmigo 
Y EN EL ULTIMO TRAGO NOS VAMOOOSSSS!!!!!!


Vendas

 



Mitzi Linn


 


Sabemos vender sorrisos e mãos


corpos vazios ou completos às sedes redondas e ferozes


sabemos vender a língua que nos adeja pela pele


sabemos vender tudo que por dentro se move e até


o que se gastou entre segundos de um tempo infinito


mas nunca descobrimos o que fazer com o amor


que a brasa do anos de embalo não consome.

30 julho 2011

Desigualdades

 


A vida corre-nos sem sobressaltos de maior, nascer, crescer, escola, trabalho, marido, filhos, casa, carro, férias, mesmo que pequena, velho ou dentro de portas, lá vamos despachando um dia atrás do outro sem sequer olharmos para fora da redoma opaca com que nos rodeamos.


 


Lá fora batalham pessoas como nós, com necessidades e anseios iguais aos nossos, mas sem as almofadas de segurança, materiais e de afectos que consideramos de tal forma adquiridos que nos choca o confronto com outras realidades.


 


E elas são tão vastas e duras, pesadas e duradouras que, em vez do hábito entranhado de dizer mal da sorte, deveríamos perceber que pertencemos a uma escassa minoria que vive, ao lado de multidões que tentam sobreviver.

Maria Lúcia Lepecki

 



 


Maria Lúcia Lepecki foi uma das professoras que gravavam as aulas do Ano Propedêutico transmitidas pela RTP1, nos idos de 1978/1979, para a disciplina de Português. Não me recordo de mais nada do programa ou das aulas, nem de mais nenhum professor ou convidado. Apenas me lembro dela, da sua voz, do seu sotaque, do seu entusiasmo e do seu saber. Era uma aula sobre O Delfim, de José Cardoso Pires. Nunca até aquele momento tinha assistido ao estudo de uma obra literária, com aquele enquadramento histórico, cultural, social e literário, tudo dito num tom encantatório e melodioso, como era a sua forma de falar.


 


Ouvi-a ao longo dos anos nalguns programas de televisão e, pela última vez, na apresentação do 3º volume da biografia de Álvaro Cunhal, escrita por Pacheco Pereira, em que nos aguçou a curiosidade e o interesse pelo livro. Com a sua morte perdeu-se uma verdadeira especialista e apreciadora em literatura portuguesa, que era capaz de marcar profundamente quem a ouvia.



27 julho 2011

Lamaçal

 


Não assisti ao debate entre Alfredo Barroso e Teresa Caeiro. Mas, via Câmara Corporativa, tive oportunidade de ver o referido debate, se é que se lhe pode chamar isso, moderado pelo sempre inqualificável Mário Crespo.


 


Alfredo Barroso começou por ler um artigo de Filipe Santos Costa, que citava frases de Paulo Portas, em que este referia os montantes exactos das várias específicas despesas a cortar pelo governo, essa direita que não aceitava o aperto fiscal e a recessão. Teresa Caeiro, incapaz de justificar o injustificável, arrastou a conversa para uma troca de insultos, falando de lamaçal repetidamente, sendo ela própria a primeira a atirar lama.


 


É muito difícil para a direita - nomeadamente o Presidente da República e os líderes do PSD e do CDS - que durante anos insultou os governantes do PS, chamando-lhes mentirosos, fazendo campanhas de descredibilização e de ataques de carácter, que justificava toda a situação económica do país pela incúria, incompetência e mentiras de Sócrates, ser agora confrontada com o facto do país se aperceber das campanhas, das calúnias, das manipulações e das mentiras dessa mesma direita.


 

23 julho 2011

Cajueiro velho

 





João Carlos Dias Nazareth & Alcione

 


 


Cajueiro velho
Vergado e sem folhas
Sem frutos, sem flores
Sem vida, afinal
Eu que te vi
Florido e viçoso
Com frutos tão doces
Que não tinha igual
Não posso deixar
De sentir uma tristeza
Pois vejo que o tempo
Tornou-te assim
Infelizmente também é certeza
Que ele fará o mesmo de mim

Já trago no rosto
Sinais de velhice
Pois da meninice
Não tenho mais traços
Começo a vergar como tu, cajueiro
Que foi meu companheiro
Dos primeiros passos
Portanto
Não tens diferença de mim
Seguimos marchando
Em uma só direção
Agora me resta da vida o fim
E da mocidade a recordação

Das assessorias

 


Não deixa de ser interessante que, alguns dos que sempre atacaram e desprezaram blogues que apoiavam o PS e Sócrates, denunciando bloguers como criminosos e espiões a soldo do governo, para manipular e desinformar, se insurgem agora quando são aplicadas as mesmas regras, antidemocráticas, censórias e atentatórias à liberdade de expressão.


 


O recrutamento para a política de pessoas que escrevem nos blogues e nos jornais não me incomoda nada. O que de facto me incomoda muito é o facto de não haver a coragem e a transparência para se assumirem as respectivas orientações partidárias. Mais me incomoda a forma como determinados seres, para além de não terem coluna vertebral, são capazes de mudar de pele, de estilo literário e de ódios de estimação, que rapidamente reciclam em amor incondicional. Tudo bastante previsível, universal e perene.



A simetria do fundamentalismo

 



 


O terrorismo é igual à direita e à esquerda, o fundamentalismo une as mais diversas ideologias numa só. A intolerância, o desprezo pela vida humana, a ausência de qualquer sentido democrático, a noção de que vale tudo, mesmo tudo, para se impor aquilo que se pensa ser a verdade.


 


Na Noruega o pesadelo vai crescendo a par da estupefacção. Ainda não se sabe grande coisa, para além do horror na contagem dos mortos e dos feridos. Louros ou morenos, a Deus ou a Alá, os loucos são loucos e matam.

22 julho 2011

Outra vez

 



 


INTERNATIONAL BUSINESS TIMES


 


De vez em quando a dolorosa realidade do terrorismo bate à porta da Europa. Hoje foi a vez da Noruega. O repúdio, o medo, o nojo, a solidariedade para com as vítimas, para com todas as vítimas do terrorismo.


 


Adenda: Também em Utoeya houve um tiroteio que matou, pelo menos, 4 pessoas, num encontro de verão do partido trabalhista.

Governança caritativa

 


Passos Coelho, ao fim de vários dias de silêncio, desmentiu a existência de um desvio colossal. A justificação para o imposto extraordinário não é verdadeira e, para além de não ser universal nem equitativo, este imposto preventivo afirma o inverso do que o PSD criticou no governo anterior e do que divulgou em campanha eleitoral. É um imposto injusto e, muito provavelmente, desnecessário.


 


O aumento médio dos preços dos transportes públicos em 15% são, ao contrário do que seria lógico e prudente, um desincentivo à sua utilização. O anúncio do encerramento de algumas carreiras, mais deficitárias e/ou com menos passageiros são também outro sinal da redução dos serviços assegurados pelo Estado.


 


Fica a promessa de passes sociais para os menos favorecidos. Não sei muito bem como se vão catalogar os menos favorecidos, nem qual o tecto dos rendimentos para se ser considerado menos favorecido. O ordenado mínimo? Arranja-se um cartão de menos favorecimento, um atestado, um carimbo, um medalhão?


 


Estes desfavorecidos portugueses terão o carinho do governo, beneficiando até da reutilização de medicamentos, segundo uma notícia saída há pouco tempo. Convém esclarecer bem essa ideia, pois a segurança das pessoas, mesmo sendo menos favorecidas, é uma preocupação partilhada até pela OMS. Mas nada parece desanimar os nossos caritativos governantes.

21 julho 2011

Boas notícias

 



 


Finalmente parece ter havido decisões importantes para a Europa. Finalmente a Europa começa a pensar em si própria, como um todo e não como os bons e os maus.

Um dia como os outros (92)

 



Começamos mal. Com "desvios colossais", que o são na versão do primeiro-ministro, mas podem não ser nas narrativas do ministro das Finanças e do Presidente da República e que depois não se detectam nas contas do Estado divulgadas para o primeiro semestre. (…)


 


(…) Eis que saíram as contas do Estado do primeiro semestre deste ano e o "desvio colossal" transforma-se em desvios explicados por padrões intra-anuais e regras contabilísticas. E os objectivos definidos pela troika são cumpridos com bastante folga . E isto mesmo sem o Governo ter adoptado as medidas do lado da despesa consagradas no Orçamento do Estado para 2011. (…)


 


(…) Este seguro contra surpresas, além de dificultar a vida orçamental em 2012, vai alimentar as resistências habituais aos cortes de despesa.



O que se tem passado nestes ainda poucos dias do novo Governo gera mais preocupação do que confiança. Há demasiadas acções marcadas por tácticas políticas que prejudicam os interesses do País. Há já demasiados casos de falta de coragem de tomar medidas com efeitos significativos em grupos específicos. Lançar impostos é fácil. (…)


 


Helena Garrido


 

Janelas

 



Stephan Hüsch: windows


 


Voltas dentro do obscuro tempo


das ondas sem espuma


reabrir janelas sem vidros


ao som do vento


que revolve o medo


em volta do passos que aguardam


as chamas de volta.

Mas apetece

 



 


Mas apetece ouvir, falar e escrever dos e sobre os nossos artistas, os que melhor são e fazem. Como exemplo escolho o Teatro Meridional.


 


Não há peça deles a que tenha assistido que me tenha deixado desiludida. A imaginação com que tratam temas actuais, compondo textos imprevisíveis, rigorosos, absurdos, corrosivos, cómicos, a simplicidade dos cenários, depurados, minimalistas, o jogo de luzes e de sombras, a música e o excelente trabalho de excelentes actores, transformam os espectáculos em experiências memoráveis e difíceis de traduzir.


 


Em Especialistas, agora em cena (e até 7 de Agosto), o Teatro Meridional usa a sustentabilidade ambiental, centrada no problema da energia, para ilustrar aquilo que a nossa sociedade ocidental transformou na ditadura das linguagens dos divulgadores especializados em parcelas do conhecimento. A manipulação da informação é um facto, misturando nos discursos apelos aos instintos do consumismo, do misticismo, da especulação, da mesquinhez, do altruísmo e da ingenuidade, sob a capa da imparcialidade científica, económica, psicológica e moralizadora.


 


Um retrato contemporâneo, em que a preponderância dos Especialistas e a hegemonia da especialização, ao olhar apenas segmentos desligados de um corpo social, é incapaz de manter um cimento entre os vários sectores, de avaliar as necessidades, os valores, os anseios desse corpo, privilegiando uns em detrimento de outros para manter equilíbrios, tal como se vai afastando daquilo que é a escolha de todos para impor a opinião de alguns – a dos Especialistas que ninguém pode, sabe ou quer escolher.


 


Acresce ao excelente espectáculo o espaço e o ambiente de conforto e acolhimento, onde nunca falta café, chá, e até bolo, associado à preocupação de bilhetes com preços em consonância com estes tempos de crise.


 


Parabéns a todo o grupo do Teatro Meridional por mais este magnífico espectáculo.


 


Não apetece

 



 


Não apetece escrever sobre a realidade diária, sobre a frustração de certezas que se concretizam, das notícias que vamos ouvindo, murmuradas ou gritadas, de conhecidos ou familiares, envolvendo a falta de ética, de profissionalismo, de informação e de competência de alguns companheiros de profissão, que se aproveitam da fragilidade alheia, sem qualquer contemplação para os indivíduos e para o sistema.


 


Não apetece falar das privatizações a qualquer preço, dos aumentos dos preços dos transportes públicos, do cinismo dos responsáveis políticos, demonstrando à saciedade o calculismo e a desvergonha que foi a campanha e a manipulação anterior às eleições legislativas.


 


Não apetece ouvir o que se vai passando nas esferas de decisão política europeia, onde continuam a pontificar personagens como Durão Barroso, sem qualquer rasgo, visão ou simples ideia, arrastados por uma total incapacidade de olhar para além do seu próprio perímetro geográfico. A reboque dos acontecimentos, as cimeiras sucedem-se e vamo-nos agarrando à esperança de ainda ser possível acontecer alguma coisa que ilumine os responsáveis europeus.

17 julho 2011

Descolar

 



Natallia Yaskevich


 


De olhos inundados de mar horizontes largos


luz poente luas cheias e gaivotas em terra


vou criando asas penas bicos experimentando


bússolas aéreas alargando o peito em quilha


para que quando a vida me cansar


possa descolar.


 


 

16 julho 2011

Ser oposição / ser governo

 


Aplaudo vigorosamente as medidas do Ministério da Educação, aumentando a carga horária de Matemática e Português, à custa da Área Projecto e do Estudo Acompanhado que, embora boas ideias na teoria, pouco resultaram na prática. O mais interessante é que estas medidas já tinham sido aprovadas pelo anterior executivo e revogadas no Parlamento, pela coligação que englobava o PSD e o CDS. Não é interessante e esclarecedor?


 

Veraneantes leitores

 



Picasso: Joven mujer leyendo un libro en la playa


 


Há umas semanas, numa conferência durante a Feira do Livro do Porto, uma das senhoras da assistência justificava a diminuta compra de livros de poesia em Portugal com a falta de qualidade e o défice de leitores e de leitura. Discorreu sobre a quantidade de estrangeiros que, em férias e nas praias e piscinas, não dispensavam um livro, enquanto os portugueses nem o jornal liam.


 


Talvez por isso tenha estado mais atenta ao mundo da leitura banhista este ano. Aquilo que constatei, idêntico ao que já tinha constatado em férias anteriores, é que há raríssimas pessoas a ler, apenas jornais desportivos ou os tablóides, nas várias línguas em que eles são produzidos e distribuídos. Para além disso recordo-me que, há alguns anos, os locais de venda de jornais e revistas costumavam ter livros de bolso, também em várias línguas embora menos em Português, tendo chegado a comprar alguns policiais para me distrair. Neste momento, no sítio onde costumo veranear, não há um único posto de venda em que se reconheça qualquer coisa parecida com um livro, seja de que tipo for.


 


Concluo que eu e a referida senhora fazemos férias de verão em locais com características muito diferentes, e que a população que gosta de ler ocupa um nicho  paradisíaco e ... desconhecido, pelo menos para mim.


 

A praia em silêncio

 



Escultura de barco na praia de Stonehaven


 


Alguma coisa diferente na praia deste ano, alguma coisa de abandono, de melancólico, de apreensivo. Não as pequenas ondas de mar frio e brando, não a areia fina e limpa, não o vento que se levantava pelo meio-dia, não as cores vivas das bolas, dos fatos de banho, dos guarda-sóis.


 


Era o silêncio. A falta de gritos da criançada, a ausência das risadas da juventude, a inexistência dos pregões a oferecerem bolos, água, gelados, a música calada, os tagarelas mudos.


 


A praia cumpria-se, como em todos os Verões, mas neste mais triste, mais parada, mais apática, mais introspectiva.


 

15 julho 2011

A morte

 



 


A morte, principalmente a nossa própria morte, é um assunto que nos causa fascínio e temor.


 


Como queremos morrer? Ou antes, como queremos viver, ou continuar vivos, ou mantermo-nos vivos? Para nós, o que é a vida, o que significa ser humano e viver? O que significa morrer?


 


O livro de Maria Filomena Mónica (A Morte), soberbamente escrito, como se de uma conversa se tratasse, com História, com histórias, pessoais e de outros, com humor e uma clareza que demonstra a capacidade de olhar para o mundo, para si própria e para a sociedade com um distanciamento e com uma crueza inegáveis, faz-nos pensar num problema de que só nos apercebemos quando, em clima de tensão e urgência, temos que decidir sobre a vida e/ou a morte de alguém que nos é muito próximo.


 


Seremos nós capazes de pensar na definição da morte e da vida que aceitamos para os outros mas, principalmente para nós, sem preconceitos ideológicos e religiosos? O aumento da idade média da população é uma realidade e o envelhecimento, a solidão, as doenças degenerativas, as dependências, as tecnologias de suporte de vida desenvolvem-se quase autonomamente. Eutanásia, suicídio assistido, testamento vital, conceitos que temos que conhecer, debater, decidir e respeitar.


 


Para além da nossa vida, a dos nossos familiares dependerá, em grande parte da nossa morte.


 

As férias aí estão

 


A comunicação do Ministro das Finanças em que explicitou a forma como irá ser cobrado o novo imposto extraordinário (se a promessa de ser apenas para este ano for cumprida da mesma forma que a promessa do não aumento de impostos…), demonstra, mais uma vez, a aposta deste governo numa política fiscal pouco consentânea com a distribuição equitativa dos esforços, ao assumir a excepção do pagamento para as mais-valias dos depósitos a prazo, bolsitas e outras aplicações financeiras.


 


Algumas sondagens dizem que os portugueses estão de acordo com este imposto. Tanto como com os aumentos da era de Sócrates, os portugueses resignam-se, pensando que não há muitas alternativas. Mas não se enganam. E a mistificação do aumento do imposto por causa dos desvios encontrados nas contas públicas, que foram validades pela Troika, são a tal verdade que o PSD apregoou durante a campanha. As mentiras, na boca dos dirigentes do PSD sofrem uma metamorfose e transformam-se em verdades absolutas, em transparência e em seriedade.


 


Entretanto começam a aparecer algumas notícias sobre a área da saúde, que dão conta dos buracos existentes. Vamo-nos preparando para mais impostos que financiem o SNS, ou que este só possa assegurar alguns serviços, considerados mínimos (para além do vestuário, da comida e do tecto…).


 


Da parte do PS as nuvens vão obscurecendo o horizonte. António José Seguro enche as páginas dos jornais com considerandos a propósito de tudo e de nada, com pérolas como o Ministério da Educação estar a criar instabilidade no sistema, clamando por orientações ministeriais para o começo do ano lectivo. Não percebo que orientações tão indispensáveis são essas, visto que os anos lectivos todos começam mais ou menos dentro dos mesmos prazos e, caso não tenha havido mudanças nos currículos e já estarem constituídas as turmas e os horários, assim como professores colocados, surpreende-me esta desorientação das Escolas. António José Seguro está a portar-se como outro Mário Nogueira, antecipando-se aos disparates do costume. Também é muito interessante o carpir a propósito das más notas nos exames de Português e de Matemática (esquecendo-se os de Física, Geografia e Biologia). Se passam muitos é porque o facilitismo é horroroso, se passam poucos, horrorosos são os resultados. Em que ficamos? Não é isto o que preconizam os defensores da exigência – muitos chumbos para mostrar a dificuldade certeira nos exames?


 


Mas enfim, as férias aí estão. Vamos falar de incêndios, de praias, de filas de trânsito e de curiosidades triviais (como a lua de mel dos Príncipes do Mónaco). Isso é que é importante. E os saldos, claro.


 


Adenda: A verdade, e apesar do arrepio que sinto à medida que se vão desenrolando as opções e medidas governamentais, é que apreciei a variante do Ministro, no conteúdo, que não na forma. Ao contrário de Ferreira Fernandes gostei da fina ironia quando se mostrou espantado pela ausência de virar de páginas do documento por ele disponibilizado. Pelos vistos ninguém, penso eu que da plateia de jornalistas, se dignou tomar qualquer atenção à substância e às razões do que dizia. Mas, tal como com a RTP1, o que ali interessaria ouvir seriam chavões sobre o novo imposto para utilizar em títulos exuberantes, independentemente da realidade.


 

Linguagens

 


A leitura do ípsilon de hoje, talvez porque mais atenta e pormenorizada, deixou-me boquiaberta com a enorme especificidade da linguagem utilizada no universo musical. De tal forma é hermética que a quantidade de tipos de música existentes desde 1994, muitos deles já desaparecidos, com nomes derivados de rock e palavras cheias de apóstrofes, tornou o meu esforço inglório.


 


A verdade é que me senti totalmente fora de tempo, não reconhecendo nada do que ouço, mesmo com alguns nomes de grupos que já ouvi. O desenvolvimento desta especialidade artística, na sua vertente mais contemporânea, pós modernista ou sei lá que movimento se lhe pode chamar, é muito para além do que uma não iniciada pode absorver.


 

Clandestinidade

 



Charles Martin: The Dive 


 


Mergulho devagar na clandestinidade,


não estou para ninguém.
Saio em silêncio e furto-me do sol do meio-dia.


Perfumes que vêm do mar, gritos de gaivotas,


um areal vazio, madrugadas frias e esperançosas,


modorra em frente a um livro que se devora


durante a insónia.


 


Mergulho devagar no esquecimento


do quotidiano, num pequeno intervalo


de harmonia.


 

14 julho 2011

RTP1

 


Estou num sítio sem televisão por cabo pelo que só tenho acesso aos 4 canais clássicos: RTP1, RTP2, SIC e TVI. Já não me lembrava do colosso (palavra bastante em voga, nos dias que corre) que é estar totalmente afastada do mundo, ou totalmente mergulhada num país, para mim, desconhecido.


 


Sabendo pelos jornais e pela internet - essa invenção do demo, que nos entrega o mundo, em qualquer lugar onde haja banda estreita ou larga - que o Ministro das Finanças iria explicar a estratégia do governo para cumprir o acordado com a Troika, incluindo o novo imposto, pespeguei-me em frente à RTP1. Não me desiludiu e começámos a ouvir a voz do Ministro, pausada, monocórdica, séria, avisada, num discurso que se iniciou em 1950 do século passado.


 


Mas as escolhas editoriais da RTP são céleres. Como o Ministro nunca mais falava do imposto, subentendendo-se que o seu discurso não interessava a ninguém, interrompeu-se o directo para se falar de um acidente no IP2. Regressou-se depois exactamente para ouvir as explicações sobre o dito imposto... e interrompeu-se de novo sem ouvir a conferência de imprensa.


 


É este o serviço público a que temos direito.


 

12 julho 2011

Para combater a crise (2)

 



 



 



Classificação etária M/12


 


Informações e reservas:


Tel: 21 868 92 45


Abertura da bilheteira 1h antes do espectáculo


 


Reservas antecipadas através do Tlf 218689245 / 918046631 ou
e-mail geral@teatromeridional.net


 


Rua do Açucar, 64 
Beco da Mitra - Poço do Bispo  
1950-009 Lisboa-Portugal


Autocarros: 28, 210, 718


 


 


Nas sociedades contemporâneas proliferam os Especialistas. Eles trabalham arduamente no sentido de clarificarem as causas dos acontecimentos nas suas áreas de competência, fechando-as em linguagens, técnicas, números, estatísticas e experiências por eles dominadas e referidas, fazendo-nos crer que só têm acesso a esse conhecimento os seus pares, que vivem e dominam essa mesma área de intervenção.


 


A preparação de Comunicações Especializadas sobre Sustentabilidade Ambiental, será o pretexto para se falar deste mecanismo das sociedades actuais e da importância conferida ao estatuto do Especialista, estatuto esse que tantas vezes possibilita a defesa de pontos de vista nem sempre claros e éticos, o que torna o exercício da democracia num fenómeno muito parecido com a ordem das ditaduras.


 


Brincar seriamente com as certezas e com a relatividade do conhecimento foi a proposta de partida deste espectáculo que quer divertir, mas sobretudo reflectir e a provocar-nos enquanto cidadãos, a não nos demitirmos de construir pontos de vista, implicando-nos a pensar o mundo nas suas certezas e paradigmas.


 


Ficha Artística 


Criação Teatro Meridional Encenação Miguel Seabra Dramaturgia Natália Luíza Assistência de encenação Susana Madeira Interpretação Emanuel Arada, Filipe Costa, Rui M. Silva Espaço Cénico e Figurinos Marta Carreiras Música Original e Sonoplastia Rui Rebelo Desenho de Luz Miguel Seabra Fotografia Susana Paiva


Assistência de Cenografia e Construção de Adereços Marco Fonseca Montagem Marco Fonseca e Nuno Figueira Operação Técnica Nuno Figueira Design Gráfico e Registo Vídeo Patrícia Poção Assessoria Jurídica Diogo Salema da Costa Produção Executiva Natália Alves Direcção de Produção Maria Folque
Direcção Artística do Teatro Meridional Miguel Seabra e Natália Luíza


11 julho 2011

Para combater a crise (1)

Já aqui referi o blogue Garfadas on line mais do que uma vez. Volto a fazê-lo pela excelência dos posts, de que este é apenas um exemplo, e para que estejam atentos a este convite:


 



 


 


 


A autora, Ana Marques Pereira, para além de um saber enciclopédico, documenta-se muito bem para tudo o que diz e escreve. Não percam.


 

09 julho 2011

J'ai deux amours


Madeleine Peyroux 

 


On dit qu'au delà des mers
Là-bas sous le ciel clair
Il existe une  cité
Au séjour enchanté
Et sous les grands arbres noirs
Chaque soir
Vers elle s'en va tout mon espoir

J'ai deux amours
Mon pays et Paris
Par eux toujours
Mon coeur est ravi
Ma savane est belle
Mais à quoi bon le nier
Ce qui m'ensorcelle
C'est Paris, c'est Paris tout entier

Le voir un jour
C'est mon rêve joli
J'ai deux amours
Mon pays et Paris

Ma savane est belle
Mais à quoi bon le nier
Ce qui m'ensorcelle
C'est Paris, c'est
Paris tout entier

Le voir un jour
C'est mon rêve joli
J'ai deux amours
Mon pays et Paris


 

O negócio da saúde

Fiquei a saber, através do Expresso (Economia, pág. 19), que o grupo HPP está a tentar acabar com a sua participação no Hospital de Cascais, o que pode acontecer vendendo o Hospital a um grupo privado ou integrando-o no SNS, para gestão pública.


 


Isto porque, segundo a mesma notícia, para além de não haver lucros com esta parceria, para o HPP, há mesmo prejuízos e, pelo que se deixa entender, avultados. A reboque fala-se também do Hospital de Braga, cuja parceria é com a José de Mello Saúde, que também estaria a ter dificuldades na gestão do projecto.


 


As razões apontadas pelo HPP são o contrato efectuado com o Estado que não estará a ser cumprido, e as altas remunerações dos quadros médicos que, para além do mais, teriam transitado todos do hospital antigo. A hipótese de má gestão não foi aflorada. Porque será? Não é possível que a gestão privada não resulte nalguns casos por haver maus gestores? Ou estes só são maus quando estão nos serviços públicos?


 


Pelos vistos o negócio da saúde, ao contrário do que afirma Isabel Vaz, pode não ser o melhor negócio do mundo, principalmente quando se é obrigado a prestar serviço público. Quando corre mal… o Estado fica com ele.

News of the World

 



 


encerramento do jornal tablóide britânico News of the World, em resposta ao escândalo sobre as escutas ilegais que jornalistas mantiveram a um alargado leque de pessoas, desde os pertencentes à Casa Real aos familiares de vítimas da guerra do Iraque, deverá fazer-nos a todos estremecer de espanto e horror, e pensar na ultrapassagem de limites de ética e de decência, para não dizer legais, a que as democracias estão a ser expostas.


´


Agências de rating a ditarem o futuro dos países, do euro, da União Europeia, acordos com organismos internacionais que impõem medidas de governação, sem que estes organismos tenham sido sujeitos a qualquer sufrágio pelos cidadãos, um jornalismo que se torna hegemónico e sem qualquer regulação, interna ou externa, pela falência dos organismos reguladores e pela falência da exigência dos leitores, começam a ser vistos como desvios da normalidade.


 


O poder económico, em todas as suas facetas, está a sobrepor-se ao poder político, de forma directa ou indirecta, pela manipulação da informação e daquilo que é importante divulgar para o espaço público. Este é, talvez, um dos maiores desafios à nossa sociedade moderna ocidentalizada – a manutenção da democracia e da liberdade de expressão, de escolha informada, da capacidade de regular os poderes não democráticos, de que este género de jornalismo é um exemplo, e que não deverá ser só em Inglaterra, nem apenas com o News of the World.


 


Parece-me muito significativo (e preocupante) que, com excepção dos jornais (Expresso, Público e outros), tanto quanto consegui aperceber-me, este assunto não tenha suscitado reflexões em blogues que têm a participação de vários jornalistas. Apenas o Jugular aflorou o assunto, em dois artigos, um de Fernanda Câncio e outro de Shyznogud.


 


Ler também António Granado (através de Shyznogud).


 

08 julho 2011

Presidente da República e Primeiro-ministro

 


Mais uma vez o Presidente Cavaco Silva é quem assume a política governamental, falando sobre o pagamento dos cuidados de saúde conforme os seus rendimentos. Considero estas intervenções absolutamente lamentáveis pelo que elas significam e por ser uma ingerência do presidente na esfera do executivo.


 

Debate europeu - precisa-se

A descida do rating da República pela Moody’s foi o gatilho para uma enorme quantidade de declarações, das mais desavergonhadas, de pessoas com responsabilidades públicas e políticas, desdizendo tudo o que tinham dito até hoje, com grande vantagem para Cavaco Silva.


 


A campanha mediática que foi movida durante a anterior legislatura, em que o Chefe de Estado tomou a dianteira, é uma evidência. E os jornalistas, tão rápidos na crítica e na amplificação de tudo o que na direita se aproveitava para achincalhar Sócrates e o governo, mantém uma atitude seráfica, de quem não se apercebe de nada, calando as discrepâncias entre as declarações anteriores e posteriores às eleições.


 


O mais grave é se o próprio PS começa também a desmarcar-se das políticas que apoiou, numa tentativa de negar o seu passado recente e o seu património. A desistência das políticas da renovação tecnológica, a aposta nas energias alternativas, na ciência, no TGV, as reformas na educação e no SNS (em banho-maria desde a saída de Correia de Campos) são bandeiras de que o PS não pode, e na minha opinião não deve, abdicar.


 


Não falo do PS por ser o PS, mas apenas porque foi e é o único representante da esquerda democrática em Portugal. Penso que é mais do que óbvio que o BE e o PCP não são alternativa, solução ou sequer ajuda para a necessária refundação da esquerda. Como penso que o PS não deve negar a avaliação do que correu mal, para que mude, refaça, renove.


 


Antes de 5 de Junho era, como agora é, urgente um debate aprofundado sobre esta União Europeia, sobre o papel de Portugal e dos pequenos países nesta Europa, debate tabu em Portugal e, mais grave ainda, nas instâncias europeias. O problema é político, de política europeia. E é de todos os países da Europa, não só dos periféricos, com a nós próprios nos classificamos.

Envelhecer

 



Gustav Vigiland


 


Envelhecer. Olhar de fora e ver o corpo mole, caído, sem viço. Olhar de dentro e ver a mesma alma de antes, de há um, dez, vinte anos, o mesmo sentir, querer, vibrar, a mesma curiosidade pelo mundo, a mesma capacidade de amar.


 


O corpo não acompanha a ambição do ser. Uma inevitabilidade conhecida e apreendida pela observação, mas uma experiência nova e sempre diferente, por muito que o desfecho seja único. A morte será o encontro do ser com o corpo, quando ambos forem nada, quando ambos tiverem encolhido até à forma original da vida, um conjunto de aminoácidos que não forma proteínas.


 

07 julho 2011

São várias...

 


... as cambalhotas. Entre comentadores e comentaristas, economistas, jornalistas e políticos ex-oposicionistas, destaca-se, como sempre, o nosso Presidente.


 


(colaboração de Miguel Abrantes)


 

Um dia como os outros (91)

 



(...) Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.


Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.


 


Maria José Nogueira Pinto


 

Vigília

 



Mike Roig: westwind sentinel


 


O vento volta as páginas do olhar


ondas de sal por dentro do vazio


que colhemos entre dias de areia.


Lá fora o ruído do mundo que o vento afasta


espera horas de vigília.


 

06 julho 2011

Maria José Nogueira Pinto

 



 


Maria José Nogueira Pinto era uma mulher de fibra, com uma intervenção importante na vida política portuguesa. Independentemente das opções políticas de cada um, Portugal perde precocemente alguém de cuja presença precisava.


 

A crise é só para alguns

 



 


1. A razão de tantos hipermercados e de tantas grandes superfícies é singela: as lojas tradicionais não querem continuar a vender, estão fartas de existir. Os seus donos fazem um enorme favor ao receber os clientes em mostrar-lhes as mercadorias, em ver se têm para entrega. De tal forma querem que os clientes se vão embora e desistam que, a meio de uma eventual venda de um electrodoméstico, acham muito mais importante atenderem telemóveis e falarem calmamente com o interlocutor, sobre assuntos tão importantes e urgentes como o problema de não cuidar bem dos cães, com este calor.


 


2. Recorri hoje aos serviços, publicitados na internet, de uma firma que prometia arranjos em casa e rapidamente, por profissionais qualificados. Eu precisava de um canalizador, não urgentemente mas com alguma pressa e telefonei.


 


Devo dizer que estou no Algarve e a primeira coisa que perguntei era se também asseguravam serviços em P..., ao que me responderam que sim. Expus as minhas necessidades que se resumiam a arranjar um autoclismo (que não segurava a água) e a compor 4 torneiras, que pingavam.


 


Daí a pouco telefonou-me um senhor para combinar a hora do encontro. Ia primeiro almoçar e depois passava lá por casa. Muito bem, a morada e as referências, para não se enganar, e espero pela hora marcada. O senhor, que se apelidava a si mesmo de Mestre, apareceu 50 minutos depois do combinado. Demorou 1:30h a compor o que tinha a compor, incluindo um intervalo de 10 minutos em que, alegadamente, foi comprar umas anilhas. Depois de completado o trabalho telefonou ao patrão para que ele fizesse a conta.


 


Após umas trocas de palavras, em que as 2:00h fictícias horas de trabalho tinha terminado em 1:30h avantajadas, o Mestre disse-me que o trabalho ficava na módica quantia de 90 euros e que correspondia ao serviço mínimo. Quando eu perguntei, furiosa e perplexa, quanto levavam à hora, respondeu-me naturalmente que o preço/hora era de 35 euros e que a deslocação era de 40 euros. Afirmei revoltada, mais comigo mesma por não ter perguntado os preços ao telefone, que o que me pediam era uma enormidade e que queria uma factura. Aí o preço subiu para 90 euros mais IVA. Recusei-me apagar mais de 90 euros, que era a conta que me tinha sido feita e o Mestre confabulou outra vez com o patrão. Passou-me então uma factura de 86,10 euros. A firma é de Gondomar – percebi, portanto, a razão do montante de tão custosa deslocação.


 


Não há dúvida que a crise é só para alguns.


 

Responsabilidade na oposição

 


Ao contrário do que os líderes do PSD e do CDS fizeram, quando na oposição aos governos do PS, Maria de Belém classifica a atitude da Moody's de imoralidade, ao serviço de eventuais compradores de empresas a privatizar.


 


Como todos percebem, os cortes de rating são especulação pura, agora como antes das eleições. Felizmente o PS está a fazer oposição responsável e faz coro com os partidos que governam. Talvez seja interessante comparar as palavras de quem hoje invectiva as agências de rating, com as de que, há bem pouco tempo, chamava a Sócrates mentiroso, com uma enorme compreensão para a sapiência de os mercados.


 

05 julho 2011

Partir e repartir

 


Pois, lá está, juntos é que não, que os gregos são desordeiros e trapaceiros. Ou saíam eles, ou saímos nós. Onde está a dúvida?


 

Lixo

Então as agências de rating ainda não perceberam que Portugal tem agora um governo credível, que faz cortes e que privatiza, que só diz a verdade e acaba com os subsídios, que não quer Estado mas sociedade civil? Então as agências de rating têm este comportamento indecente para tão decente governo português, que até adianta mais austeridade para agradar aos mercados?


 


Mas será que as agências de rating não sabem que Sócrates já não é Primeiro-ministro? O quê? Tanto lhes faz?

04 julho 2011

Gaivotas

 



Dot Gould: Seagulls and Still Water


 


As gaivotas ainda não pousam na areia. Só as ondas e os chapéus-de-sol arrumados, a brisa marítima que arrepia os poucos veraneantes. Este ano a praia está mais nua e mais apetecível.


 

Eu também

 



Sou bom nos sistemas mas tenho dificuldades nos polos.


[9 anos, 3º ano, 1º ciclo]


 

03 julho 2011

Suspende-se

 


As notícias espalham que se vai suspender para reavaliar o fecho de escolas com menos de 21 alunos. Mas são contraditórias porque não se percebe bem se só não fecham aquelas escolas que seriam agrupadas em novas instalações ainda não concluídas, ou se o governo resolveu andar para trás.


 


Espero bem que esta notícia não se confirme. A reorganização e a renovação do parque escolar são essenciais e as crianças das aldeias têm o direito de aprender em escolas com estabilidade de quadros de profissionais, instalações condignas, equipamentos modernos, etc. Há que racionalizar os recursos e colocá-los ao serviço de todos os cidadãos, em pé de igualdade. Há que assegurar que as crianças possam ser transportadas em segurança para as escolas, caso elas fiquem mais longínquas.


 


Espero sinceramente que, mesmo concordando com algumas das medidas anunciadas por Nuno Crato (revisão dos currículos, exames nacionais, aumento da exigência e rigor, manutenção da avaliação dos professores, exame de admissão na carreira, não utilização de máquinas de calcular nos 5º e 6º anos), aliás idênticas às preconizadas por Maria de Lurdes Rodrigues (com excepção das máquinas de calcular), este governo não ensaie um regresso ao passado. O passado pode regressar, mas não se repete. Por outro lado, os contratos com escolas privadas que o governo socialista queria terminar (e bem) mantém-se, em nome do falacioso argumento da liberdade de escolha.


 


Nas duas últimas legislaturas deram-se passos de gigante na reforma da escola pública, que ficaram aquém do que se pretendia, também por responsabilidade dos partidos agora no poder. Se Nuno Crato for favorável ao rigor e à qualidade, não quererá, seguramente, implodir o muito que se conseguiu, e que assim é avaliado por organizações internacionais.


 

02 julho 2011

Axiomas

 


Tudo o que Sócrates dizia era mentira. Tudo o que Sócrates fazia era incompetente, corrupto, soez, arrogante e estúpido. Tudo o que Passos Coelho diz é verdade. Tudo o que Passos Coelho faz é competente, radical, arrojado e imprescindível.


 


A crise internacional era uma desculpa de Sócrates. A crise internacional é uma nuvem que paira sobre o governo de Passos Coelho. O aumento dos impostos e a redução dos ordenados foram um roubo inaceitável perpetrado por Sócrates. O aumento dos impostos e a redução dos ordenados é uma medida patriótica de Passos Coelho.


 


A mentira tem uma face - é a de Sócrates.


 


A verdade tem uma face - é a de Passos Coelho.


 


Ler João Pinto e Castro


 

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...