08 julho 2011

Debate europeu - precisa-se

A descida do rating da República pela Moody’s foi o gatilho para uma enorme quantidade de declarações, das mais desavergonhadas, de pessoas com responsabilidades públicas e políticas, desdizendo tudo o que tinham dito até hoje, com grande vantagem para Cavaco Silva.


 


A campanha mediática que foi movida durante a anterior legislatura, em que o Chefe de Estado tomou a dianteira, é uma evidência. E os jornalistas, tão rápidos na crítica e na amplificação de tudo o que na direita se aproveitava para achincalhar Sócrates e o governo, mantém uma atitude seráfica, de quem não se apercebe de nada, calando as discrepâncias entre as declarações anteriores e posteriores às eleições.


 


O mais grave é se o próprio PS começa também a desmarcar-se das políticas que apoiou, numa tentativa de negar o seu passado recente e o seu património. A desistência das políticas da renovação tecnológica, a aposta nas energias alternativas, na ciência, no TGV, as reformas na educação e no SNS (em banho-maria desde a saída de Correia de Campos) são bandeiras de que o PS não pode, e na minha opinião não deve, abdicar.


 


Não falo do PS por ser o PS, mas apenas porque foi e é o único representante da esquerda democrática em Portugal. Penso que é mais do que óbvio que o BE e o PCP não são alternativa, solução ou sequer ajuda para a necessária refundação da esquerda. Como penso que o PS não deve negar a avaliação do que correu mal, para que mude, refaça, renove.


 


Antes de 5 de Junho era, como agora é, urgente um debate aprofundado sobre esta União Europeia, sobre o papel de Portugal e dos pequenos países nesta Europa, debate tabu em Portugal e, mais grave ainda, nas instâncias europeias. O problema é político, de política europeia. E é de todos os países da Europa, não só dos periféricos, com a nós próprios nos classificamos.

1 comentário:

  1. Ernestina Sentieiro12:35

    Completamente de acordo.
    Assistimos a uma total desfaçatez daqueles que justificavam completamente as agências de notação e ignoravam o papel da Europa na crise, durante o anterior Governo, e agora gritam aqui del ' rei. É preciso ter lata!
    Por outro lado, começamos a viver novos tempos no debate político. Gostei de ouvir Maria Manuela Silva (até que enfim se lembraram de ouvir esta grande economista e figura pública!)e Luís Nazareh no debate do Expresso da Meia Noite. E o que se diz no New Deal ", subscrito por Jorge Sampaio entre outros, é também um bom ponto de partida para o debate.
    Quanto ao PS, feito o balanço, não pode deixar cair as bandeiras das suas melhores políticas.

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