A comunicação do Ministro das Finanças em que explicitou a forma como irá ser cobrado o novo imposto extraordinário (se a promessa de ser apenas para este ano for cumprida da mesma forma que a promessa do não aumento de impostos…), demonstra, mais uma vez, a aposta deste governo numa política fiscal pouco consentânea com a distribuição equitativa dos esforços, ao assumir a excepção do pagamento para as mais-valias dos depósitos a prazo, bolsitas e outras aplicações financeiras.
Algumas sondagens dizem que os portugueses estão de acordo com este imposto. Tanto como com os aumentos da era de Sócrates, os portugueses resignam-se, pensando que não há muitas alternativas. Mas não se enganam. E a mistificação do aumento do imposto por causa dos desvios encontrados nas contas públicas, que foram validades pela Troika, são a tal verdade que o PSD apregoou durante a campanha. As mentiras, na boca dos dirigentes do PSD sofrem uma metamorfose e transformam-se em verdades absolutas, em transparência e em seriedade.
Entretanto começam a aparecer algumas notícias sobre a área da saúde, que dão conta dos buracos existentes. Vamo-nos preparando para mais impostos que financiem o SNS, ou que este só possa assegurar alguns serviços, considerados mínimos (para além do vestuário, da comida e do tecto…).
Da parte do PS as nuvens vão obscurecendo o horizonte. António José Seguro enche as páginas dos jornais com considerandos a propósito de tudo e de nada, com pérolas como o Ministério da Educação estar a criar instabilidade no sistema, clamando por orientações ministeriais para o começo do ano lectivo. Não percebo que orientações tão indispensáveis são essas, visto que os anos lectivos todos começam mais ou menos dentro dos mesmos prazos e, caso não tenha havido mudanças nos currículos e já estarem constituídas as turmas e os horários, assim como professores colocados, surpreende-me esta desorientação das Escolas. António José Seguro está a portar-se como outro Mário Nogueira, antecipando-se aos disparates do costume. Também é muito interessante o carpir a propósito das más notas nos exames de Português e de Matemática (esquecendo-se os de Física, Geografia e Biologia). Se passam muitos é porque o facilitismo é horroroso, se passam poucos, horrorosos são os resultados. Em que ficamos? Não é isto o que preconizam os defensores da exigência – muitos chumbos para mostrar a dificuldade certeira nos exames?
Mas enfim, as férias aí estão. Vamos falar de incêndios, de praias, de filas de trânsito e de curiosidades triviais (como a lua de mel dos Príncipes do Mónaco). Isso é que é importante. E os saldos, claro.
Adenda: A verdade, e apesar do arrepio que sinto à medida que se vão desenrolando as opções e medidas governamentais, é que apreciei a variante do Ministro, no conteúdo, que não na forma. Ao contrário de Ferreira Fernandes gostei da fina ironia quando se mostrou espantado pela ausência de virar de páginas do documento por ele disponibilizado. Pelos vistos ninguém, penso eu que da plateia de jornalistas, se dignou tomar qualquer atenção à substância e às razões do que dizia. Mas, tal como com a RTP1, o que ali interessaria ouvir seriam chavões sobre o novo imposto para utilizar em títulos exuberantes, independentemente da realidade.
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