Estou num sítio sem televisão por cabo pelo que só tenho acesso aos 4 canais clássicos: RTP1, RTP2, SIC e TVI. Já não me lembrava do colosso (palavra bastante em voga, nos dias que corre) que é estar totalmente afastada do mundo, ou totalmente mergulhada num país, para mim, desconhecido.
Sabendo pelos jornais e pela internet - essa invenção do demo, que nos entrega o mundo, em qualquer lugar onde haja banda estreita ou larga - que o Ministro das Finanças iria explicar a estratégia do governo para cumprir o acordado com a Troika, incluindo o novo imposto, pespeguei-me em frente à RTP1. Não me desiludiu e começámos a ouvir a voz do Ministro, pausada, monocórdica, séria, avisada, num discurso que se iniciou em 1950 do século passado.
Mas as escolhas editoriais da RTP são céleres. Como o Ministro nunca mais falava do imposto, subentendendo-se que o seu discurso não interessava a ninguém, interrompeu-se o directo para se falar de um acidente no IP2. Regressou-se depois exactamente para ouvir as explicações sobre o dito imposto... e interrompeu-se de novo sem ouvir a conferência de imprensa.
É este o serviço público a que temos direito.
... é isto que existe e tanto pior para as pretensões mais ideológicas do que práticas de pessoas como Arons de Carvalho.
ResponderEliminarPoucas pessoas conseguiriam acompanhar a narrativa,sem bocejar ,estrebuchar...apesar das boas intenções do ministro de contextualizar, perspetivar historicamente,etc.
ResponderEliminarNão sabia que a RTP procedera no interesse do espectador e fico satisfeita por assim ter acontecido.Quando o assunto for futebol, casamentos reais,espero o mesmo zelo!
Sou a favor de uma televisão pública,que faça um bom serviço público.