09 julho 2011

News of the World

 



 


encerramento do jornal tablóide britânico News of the World, em resposta ao escândalo sobre as escutas ilegais que jornalistas mantiveram a um alargado leque de pessoas, desde os pertencentes à Casa Real aos familiares de vítimas da guerra do Iraque, deverá fazer-nos a todos estremecer de espanto e horror, e pensar na ultrapassagem de limites de ética e de decência, para não dizer legais, a que as democracias estão a ser expostas.


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Agências de rating a ditarem o futuro dos países, do euro, da União Europeia, acordos com organismos internacionais que impõem medidas de governação, sem que estes organismos tenham sido sujeitos a qualquer sufrágio pelos cidadãos, um jornalismo que se torna hegemónico e sem qualquer regulação, interna ou externa, pela falência dos organismos reguladores e pela falência da exigência dos leitores, começam a ser vistos como desvios da normalidade.


 


O poder económico, em todas as suas facetas, está a sobrepor-se ao poder político, de forma directa ou indirecta, pela manipulação da informação e daquilo que é importante divulgar para o espaço público. Este é, talvez, um dos maiores desafios à nossa sociedade moderna ocidentalizada – a manutenção da democracia e da liberdade de expressão, de escolha informada, da capacidade de regular os poderes não democráticos, de que este género de jornalismo é um exemplo, e que não deverá ser só em Inglaterra, nem apenas com o News of the World.


 


Parece-me muito significativo (e preocupante) que, com excepção dos jornais (Expresso, Público e outros), tanto quanto consegui aperceber-me, este assunto não tenha suscitado reflexões em blogues que têm a participação de vários jornalistas. Apenas o Jugular aflorou o assunto, em dois artigos, um de Fernanda Câncio e outro de Shyznogud.


 


Ler também António Granado (através de Shyznogud).


 

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