30 janeiro 2006

Untitled


As letras arrumadas
descodificam
a solidão
na ausência de sentidos.
Movo os olhos
e recebo a luz.
Esqueço as mãos
descomprometidas
do mundo.

(pintura de Mary Ann Guliov)

29 janeiro 2006

Untitled


O céu ficou silencioso e de olhos baixos,
Os pássaros calaram todos os seus cantos;
O vento emudeceu; a música das águas acabou
De repente; o murmúrio da floresta
Morreu lentamente no coração da floresta.
Na margem deserta do rio tranquilo,
Nas sombras do anoitecer desceu silenciosamente
O horizonte sobre a terra muda.
Nesse momento no silencioso e solitário alpendre
Beijámo-nos pela primeira vez.
Nesse momento exacto, ao longe e perto
Repicaram os sinos e soaram os búzios
Nos templos dos deuses apelando ao culto.
Um estremecimento percorreu o infinito mundo das estrelas
E os nossos olhos encheram-se de lágrimas.

(poema de Rabindranath Tagore, tradução de José Agostinho Baptista; pintura de Sujata Bajaj)

Neva



Há cerca de 30 anos que aqui vivo. Hoje, pela primeira vez, está a nevar. Não consigo tirar os olhos da janela, a ver os flocos brancos a precipitarem-se para o chão, desfazendo-se em água.

Lá fora, as pessoas puxam dos telemóveis para avisar amigos e familiares. Subitamente, estamos contentes.

(foto de Andy Grider)

Manuel Alegre - ser ou não ser deputado

Um movimento de cidadãos que se propõe abordar e discutir temas da nossa sociedade, com vontade e capacidade de intervir publicamente, sem ambições de poder partidário, parece sempre uma boa ideia.

A sociedade portuguesa tem um défice (mais um!) de debate. Quem gosta de dar a sua opinião é imediatamente catalogado dentro do espectro partidário, e nunca pensa o que diz por ter cabeça para pensar, mas porque pertence, ou quer pertencer, a um clube ou família política.

É de mau gosto falar de política. É de bom tom dizer que “eles são todos iguais”, “são todos uns corruptos”, “o que eles querem é poleiro”, “só se querem encher”.

No rescaldo das presidenciais, os apoiantes (e será que os votantes?) de Manuel Alegre querem aproveitar o embalo e ir mais além. Tudo o que for no sentido de abrir a sociedade à participação cívica dos cidadãos tem o meu apoio e, eventualmente, a minha participação.

Outro assunto é o abandono, por Manuel Alegre, do seu lugar de deputado. Manuel Alegre é um dos fundadores do PS. São necessárias personalidades que, do interior do PS, lutem pela alteração de práticas e remodelem a lógica “aparelhística”. Os movimentos de cidadãos são autónomos e estão fora do combate político partidário, não são concorrentes nem competem com os partidos, têm outros objectivos e outros planos.

Os partidos são indispensáveis à democracia. É preciso lutar pelo poder e exercê-lo. Manuel Alegre deve continuar a ser deputado do PS, independentemente dos movimentos de cidadãos que liderar. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Reorganizar

Nós mudamos todos os dias; o mundo muda todos os dias e até Portugal se vai modificando. Se compararmos o país de hoje com o que existia há 25 ou 30 anos, a diferença é enorme. Temos melhor qualidade de vida, mais acesso aos bens de consumo, mais informação, enfim, no geral vivemos melhor.

No entanto o país modificou-se demograficamente. Passámos a ser um país de imigração, a população envelheceu e distribuiu-se maioritariamente pelos grandes centros urbanos do litoral.

Não tem sido feito nenhum esforço de reorganização do território, não só no que diz respeito à implementação de medidas que promovam a descentralização e o desenvolvimento do interior, como também no redimensionamento dos serviços relativamente às necessidades reais das populações.

Muito se tem falado sobre o fecho de maternidades e de serviços de urgências nos centros de saúde. A realidade é que não será nunca possível reestruturar o atendimento nos serviços de urgência enquanto não se resolver o problema dos cuidados primários. O recurso à urgência deve ser apenas para as situações, de facto, urgentes. É claro que para quem está doente, a situação é sempre urgente. Mas se houver a possibilidade de recorrer a um médico com rapidez, esse médico será quem melhor pode avaliar a gravidade do caso, e enviá-lo, se for caso disso, a um centro de atendimento suficientemente equipado e com pessoal de saúde mais diferenciado.

A acessibilidade de que falo não tem apenas, nem principalmente, a ver com a distância. Tem a ver com o tempo de espera entre estar doente e ser atendido pelo seu médico. Por outro lado a experiência acumulada é muito importante para a excelência do atendimento. Se um cirurgião não tiver um número mínimo de determinadas cirurgias por ano, nunca adquirirá suficiente experiência para ser um bom cirurgião. O mesmo é verdade no caso das maternidades.

O que é indispensável é assegurar que haja médicos de família que, em tempo útil, atendam os seus doentes, e meios de transporte adequados para que estes possam ser transferidos, também em tempo útil, para centros hospitalares equipados com os recursos humanos e técnicos necessários e suficientes. Um médico ou um enfermeiro que passam uma noite num centro de saúde que não tem um aparelho de RX para radiografar uma fractura, nem um mini laboratório para excluir uma infecção grave, gasta dinheiro e não resolve os problemas aos doentes.

Quando se trata da saúde é na prevenção da doença e no tratamento dos que estão doentes que o estado deve pensar, não nas famílias políticas que ocupam os cargos de Presidentes de Juntas de Freguesias ou de Câmaras Municipais.

28 janeiro 2006

Virar a página

Iniciei este “blogue” sob o signo das presidenciais. Virei a página.

Novos assuntos, novo “template”. Confesso que para quem, como eu, não percebe nada de computadores, tem de socorrer-se dos “templates” já existentes.

Depois de muito experimentar, fiquei-me por este.

(confesso que também não queria ter o mesmo “template” do “Bicho Carpinteiro”. A única coisa de que gosto é mesmo dos bichos a passearem no título…)

Sábado


A pouco e pouco, sem o atropelo dos sonhos, vai apercebendo-se dos contornos ao seu lado, da quentura dos cobertores, da macieza do corpo dele. Nem se mexe. A manhã espreita pelas persianas. Acende o rádio e goza a preguiça, misturada com os sons da falta de notícias do fim-de-semana.

É sábado!

(pintura de Raquel Martins)

27 janeiro 2006

Flamenco

Música e dança originárias de Andaluzia, mistura das culturas árabe, cigana, indiana, judaica e outras, é rude e melancólica, cheia de sensualidade, drama e cor.

Vale a pena ver o Ballet Nacional de España (Director artístico José António) o espectáculo no Centro Cultural de Belém: La Leyenda e Aires de Villa Y Corte.

Só até amanhã!

www.flamenco-world.com

(pintura de Jo Slater-Thomas)

25 janeiro 2006

Untitled


Cansei-me do silêncio
que as palavras me instalam.

Calo os dedos.
Espero-te.

(pintura de Gage Opdenbrouw)

24 janeiro 2006

Dois dias depois

(…) Manuel Alegre (…) conseguiu provar que ainda há espaço político em Portugal para a social-democracia de esquerda, e que a emergência desta pode travar a ascensão do BE, como se notou nos resultados de Louçã (as picardias entre os dois mostram que queriam ambos crescer para o mesmo espaço). Alegre teve ainda o mérito de mostrar que existe quem, na esquerda democrática, não morra de amores pela UE, e foi consequentemente republicano em questões como a lei da nacionalidade ou os direitos dos imigrantes (onde foi mais longe do que o actual Governo quer ir). (…)
Ricardo Alves, Esquerda Republicana (esquerdarepublicana.blogspot.com)

No programa “prós e contras” da RTP1, ontem à noite, e no “forum” da TSF, hoje de manhã, ouvi opiniões acaloradas sobre o significado político do resultado da votação em Manuel Alegre, e o que vai ele fazer com isso.

Parece-me que o PS, nomeadamente o seu secretário-geral, José Sócrates, deveria pensar no facto de Manuel Alegre ter provado estar certo, e ele errado. Deveria pensar que há muita gente que não se reviu na escolha feita pelo PS para candidato à presidência, ou seja, que o PS, poucos meses após uma maioria absoluta, não soube interpretar os anseios do seu eleitorado. Talvez não fosse má ideia repensar o método de decisão ou mesmo a formação dos órgãos de decisão do partido.

Mas não é o que vai acontecer. Na maior parte dos casos continua a subvalorizar-se o fenómeno da candidatura de Manuel Alegre, e a enterrar-se a cabeça na areia, não vendo o óbvio.

A verdade é que também não se percebe muito bem o que Helena Roseta quer dizer com “não deixar morrer este movimento de cidadania”, ou coisa parecida. Este movimento de cidadãos formou-se com o objectivo de eleger um presidente, mesmo sem o apoio de máquinas partidárias, pelo que foi pioneiro na demonstração de que isso era possível. Mas agora Manuel Alegre deve usar esse capital de experiência e de peso político na reforma do seu próprio partido.

E, se for necessário, por uma qualquer outra causa, liderar outros movimentos de cidadãos para atingir outros objectivos.
(pintura de Awiakta)

23 janeiro 2006

Untitled


Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida…
Sou isso, enfim…
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulho de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

(poema de Álvaro de Campos; pintura de Amadeo de Souza-Cardoso)

O dia seguinte

Muito já se disse e ainda se dirá sobre as presidenciais. Momentos de glória para alguns (Cavaco Silva, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa), de desânimo para outros (Mário Soares, Francisco Louçã e José Sócrates).

Não deixa de ser triste ler alguns artigos de opinião, nomeadamente aqui, na “blogosfera”, de apoiantes de Mário Soares, cuja ideia de democracia varia consoante ganham ou perdem os seus candidatos. As diferentes e imaginativas cambalhotas contabilísticas para reduzir a vitória de Cavaco são hilariantes.

No PS já começou o apontar de dedos. Ana Gomes concluiu que Manuel Alegre é um dos grandes responsáveis pela derrota da esquerda. Será só cegueira?

Vai ser muito divertido ouvir e ler as diversas análises e teorias da conspiração a propósito do resultado eleitoral de Manuel Alegre, das suas intenções (ocultas) ou das dos seus apoiantes.

Espero que haja colaboração (e não competição) institucional.

22 janeiro 2006

Portugal



O teu destino é nunca haver chegada
O teu destino é outra Índia e outro mar
E a nova nau lusíada apontada
A um país que só há no verbo achar

(poema de Manuel Alegre;
pintura de Julie Cobden)

Cavaco Silva: Presidente 2006 - 2011

Está eleito o novo presidente: Cavaco Silva.

Por pouco, por muito pouco (50,6%) poderia ter havido segunda volta. Mas por um voto se ganha, por um voto se perde. Neste caso ganhou Cavaco Silva, perdeu Manuel Alegre.

Todos se esforçam por descortinar acontecimentos futuros ao facto de Manuel Alegre ter ficado em segundo lugar, bem distanciado de Mário Soares. Pela primeira vez, muitos comentadores olharam para a sua candidatura independente como algo de importante no panorama político português.

E é de facto importante. Como disse Inês Pedrosa, foi a demonstração de que há vida para além dos partidos políticos, que um conjunto de cidadãos, por puro civismo, movimentaram esforços e vontades para apoiar um outro cidadão que, por mérito dele próprio, soube galvanizar esses esforços e essas vontades.

Não me parece possível, nem desejável, que se tirem conclusões partidárias da votação em Manuel Alegre, que se candidatou a Presidente da República, não a secretário-geral do PS ou a fundador de outro partido.

Também me parece que José Sócrates deve tirar as suas conclusões. Foi José Sócrates, antes da reunião da comissão política do PS, que decidiu apoiar Mário Soares. Gostava que José Sócrates reconhecesse ter errado na escolha do melhor candidato. De facto, como está demonstrado, Manuel Alegre seria o melhor candidato da esquerda.

Não posso deixar de referir a extrema “deselegância”, como lhe chamou Mário Bettencourt Resendes, ou o gesto anti-democrático, como lhe chamo eu, de Sócrates, ao fazer a sua declaração como secretário-geral do PS em cima da declaração de Manuel Alegre. Não lhe ficou mesmo nada bem!

Outra dúvida que também me assalta: será que Manuel Alegre tinha razão relativamente aos resultados da Eurosondagem? Desde há várias semanas que as sondagens indicavam o segundo lugar para Manuel Alegre, com excepção daquela. Neste momento e no mínimo, é uma empresa bastante desacreditada. Onde estava a DESCOLAGEM de Soares, também vaticinada por Jorge Coelho?

Apesar da homérica derrota. Mário Soares merece o meu respeito. Pelo que foi e pelo que fez por Portugal, mas também pela coragem de levar até ao fim as suas ideias.

Obrigada a Manuel Alegre, pela sua voz inconformada e inconformista, pela sua atitude não alinhada. Continuarei a contar com ele em todos os combates pelos valores da liberdade e da democracia.

À minha maneira, todos os dias continuarei a defender o meu Quadrado, o nosso quadrado.

Todos às urnas!

Vote-se nos velhos, nos novos, nos bonitos, nos feios, nos gordos, nos magros, com ou sem dentes... É preciso é votar!

Todos às urnas!

José Tavares e MIT

Ainda não percebi muito bem o que se passa com o “dossier” MIT.

Repentinamente, para os comuns ouvidores de notícias, o ex-coordenador do plano tecnológico, José Tavares, questiona o primeiro-ministro sobre a eventualidade da vinda do MIT para Portugal estar em causa, devido a divergências, dentro do próprio governo, relativamente às Universidades envolvidas no projecto. Afirmou ainda que havia um ministro (mas não disse qual, não percebo porquê) que se opunha à vinda do MIT para Portugal.

Após a agastada resposta de José Sócrates, muitas dúvidas ficaram no meu espírito.

Qual o objectivo do ex-coordenador do plano tecnológico ao trazer à baila este assunto? Será que, ao falar no projecto em perigo minimizou a possibilidade do mesmo ficar na gaveta, como deve ter acontecido a tantos, apenas por divergências, por vezes pouco abonatórias, entre os protagonistas políticos?

Todos temos a noção de que há alguns assuntos que são melhor tratados na discrição dos gabinetes do que sob os holofotes dos telejornais. Também todos sabemos que antes de se formalizarem acordos, projectos e tratados, há um sem número de contactos informais, cartas, faxes e telefonemas, dos próprios ou de colaboradores, preparando o terreno para a sua concretização posterior.

Será que assim foi o caso? Então qual a motivação de José Tavares? Despeito?

A falta de confiança nos nossos governantes é tanta que nos vêm à cabeça múltiplas possibilidades, nenhuma delas brilhante.

Gostava de ser esclarecida.

Votar sem boicotes


Os boicotes eleitorais são uma prática que se generalizou no nosso país. Todos os motivos são bons para os fazer, desde a ausência de estradas, centros de saúde ou, como parece ter sido o caso desta vez, o suposto esquecimento a que é votada uma Junta de Freguesia (Passos) que não tem a mesma cor política da respectiva Câmara.

Independentemente das razões que assistem a quem boicota (embora não pense que seja este o melhor meio de protestar, negando a própria essência da participação popular), uma coisa é boicotar o acto eleitoral, ou seja, não votar, não fazer parte da mesa, por falta de comparência, outra muito diferente é impedir activamente a abertura das assembleias de voto, destruir boletins, etc.

Estes últimos actos são ilegais. Portanto cabe ao Estado repor a legalidade, através dos corpos que existem para isso: PSP, GNR, etc. Num estado de direito e numa democracia ninguém deve ser impedido de votar. O boicote acontece por vontade própria dos cidadãos e não porque um grupo deles o impõe, recorrendo a meios ilícitos.

O que a mim me espanta é a complacência (ou mesmo conivência) de alguns dos nossos concidadãos e a cobertura mediática que é feita a este tipo de situações. Hoje, logo de manhã, acordei com a TSF a contabilizar os boicotes (sem boicotes nem há eleições que se prezem!) e a perguntar ao Presidente da Junta de Passos se já havia feridos nos confrontos entre os boicotantes e a polícia, mostrando-se este muito penalizado pelo facto de a polícia estar a tentar abrir, à força, a assembleia de voto.

Da mesma forma que a existência de piquetes de greve são atentatórias dos direitos civis dos cidadãos, penso que isto é um atentado aos seus direitos políticos e um atentado à autoridade do estado.

É claro que a autoridade do estado só é legítima se for exercida dentro dos limites da lei, ditados por uma sociedade civilizada. Não pode ser admissível o abuso da força e do poder pelas forças militarizadas, cuja função é primar pela nossa segurança.

Todos temos o direito de querer ou não querer votar, em segurança.

21 janeiro 2006

“À Manhã”

“a gente tem-se uns aos outros e mais nada…”

Um texto de ternura, solidão e carinho, os dois extremos da vida num espaço minimalista, quente e etéreo. Actores verdadeiros, luz e som na medida certa. Pequenos fragmentos estes, que nos reconciliam com a vida.

(Teatro Municipal S. Luiz - Lisboa)

Declaração de voto

Defendo o quadrado. Podia ser o rectângulo ou o círculo, uma qualquer figura geométrica que pudesse desenhar a alma, a nossa alma, lusitana, ibérica ou global, a alma de quem vive na procura da felicidade.

Uma felicidade feita de momentos, de fragmentos de luz, dos sons de algumas frases épicas, ou das palavras murmuradas de quem nos ama. Uma felicidade conquistada todos os dias, um a um, mas com a certeza de que haverá sempre um amanhã, mesmo que já não seja nosso.

Defenderei sempre estes quadrados, em grandes ou pequenos formatos, infinito conjunto como infinitas são as almas.

(pintura de Brittany Branch)

18 janeiro 2006

Untitled


Faltam 4 dias. É preciso votar. Como diz Manuel Alegre, não há vencedores antecipados. Todos devemos participar. As sondagens não são eleições, são apenas isso mesmo, sondagens. Não há nada nem ninguém que substitua o acto de votar. Depois logo se vê!

Amanhã estreia “À Manhã”, o novo trabalho do Teatro Meridional, escrito por José Luís Peixoto, encenado por Miguel Seabra e Natália Luíza, interpretado por Carla Galvão, Carla Maciel, Paula Diogo, Pedro Diogo e Romeu Costa.
O Teatro Meridional habituou-nos a um trabalho original e de grande beleza: “A noite de Molly Bloom”, “Macbeth. Uma Tragédia Ibérica”, “Qfwfq. Uma história do Universo”, “A Varanda do Frangipani”, “Geração W”, para citar apenas os que vi.

Corram todos ao Teatro Municipal de S. Luiz, (sala principal), às 21 horas.

16 janeiro 2006

Untitled


Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além…
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.


(poema de Fernando Pessoa; pintura de Chichorro)

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De vez em quando, vale a pena regressar às origens:

Constituição da República Portuguesa
Princípios fundamentais
Artigo 1.º (República Portuguesa)
Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Artigo 2.º(Estado de direito democrático)
A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

Artigo 63.º(Segurança social e solidariedade)
1. Todos têm direito à segurança social.
2. Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.
3. O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.
4. Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em que tiver sido prestado.
5. O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem carácter lucrativo, com vista à prossecução de objectivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e nos artigos 71.º e 72.º.

Artigo 64.º(Saúde)
1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.
3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.
4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.

(…) “A questão da sustentabilidade da segurança social é uma questão de regime.”(…) “Se houvesse uma ruptura, isso significaria a falência do próprio 25 de Abril e da democracia. Esta é uma questão de regime. E como tal compete ao Presidente da República colocá-la aos partidos políticos, à Assembleia da República, aos sindicatos e às entidades patronais de todas as forças sociais e políticas do país.” (…) – Manuel Alegre, candidato a Presidente da República.

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Por vezes a imobilidade forçada mostra-nos mundos desconhecidos revelados pela permanência em frente a um televisor. Mundos repetitivos, grotescos, bacocos.

As televisões nacionais e internacionais são, na sua maioria, de uma confrangedora mediocridade. Não só há poucos programas interessantes como são repetidos até à exaustão.

A comunicação social já decidiu (desde o início da pré campanha) quem vai ser o próximo presidente. Ontem tivemos direito a um directo de cerca de 20 minutos, do discurso de Cavaco Silva, numa acção de campanha. Os outros candidatos, ontem, não devem ter feito discursos.

Por outro lado, se fosse um qualquer dos outros candidatos a ter aquela expressão facial que me recuso a classificar, por falta de adjectivos de espanto e/ou horror, a imagem teria sido repetida, comentada e gozada por todas as televisões, teria sido comentada por todos os nossos comentadores imparciais, teria sido uma monumental gargalhada nacional.

Será este o representante por quem o país anseia?

15 janeiro 2006

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Faltam 7 dias para as eleições presidenciais.

Melhores ou piores, foram estas as pessoas que se expuseram à avaliação pública, sempre incompleta, muitas vezes injusta. Se não gostávamos destes candidatos, tínhamos sempre a hipótese de propormos outros ou, inclusivamente, de nos propormos nós próprios.

É sempre mais fácil criticar quem tem responsabilidades de decidir, porque decidiu mal, do que assumir essas mesmas responsabilidades.

Concordemos ou não com cada um, tenham ou não o nosso voto, todos os candidatos merecem, pelo menos, o nosso respeito.

O que está em causa é a eleição do mais alto representante do país, aquele a quem, por poucos poderes que tenha, em alturas críticas, pode ter que exercê-los. Cada um de nós vai ser responsável por essa escolha: por acção ou omissão.
(pintura de Evelien Kalenda)

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Como Manuel Alegre, já não consigo decifrar as motivações ou as razões de Souto Moura. Então vai à Assembleia justamente na véspera das eleições presidenciais?
Falta uma semana. É preciso que todos votemos. Devemos participar, e mesmo que nenhum dos candidatos seja o ideal, pelo menos eles dão o seu contributo; o nosso é escolher.

14 janeiro 2006

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No “Fugas” de hoje perguntam aos candidatos à presidência quais os vinhos que preferem. Cavaco Silva, obviamente, não bebe vinho.

Só bebe leite magro e não fuma, come fruta e fibras, saladas verdes e couves, mas não come doces, nada que tenha ovos e açúcar, por causa do colesterol. Nada 3 km por dia, (no rio, claro!) corre 5, também por dia, em passo seguro e ligeiramente marcial, sobe sempre as escadas e não precisa de cobertores.

Não perde tempo a ler ou a ver televisão, emprega-o a analisar contas e a avaliar os conhecimentos económicos dos seus adversários. Não boceja, não se aborrece e, à noite, põe o manto de super-homem e sobrevoa o país para o poder salvar, no dia seguinte.

Só se lhe conhece um ligeiro defeito, ou dois: algures na sua infância, bebeu leite azedo e rilha os dentes sempre que vê Santana Lopes.

Ah, esqueci-me: ele não dorme, pensa, sempre no nosso bem.

Ainda as escutas

Outra hipótese: o/a funcionário/a da PT deu o arquivo em Excel com todos os telefones pagos pelo estado porque não esteve para se maçar a enviar apenas o que foi pedido – dava muito trabalho; quem pediu expressamente a ficha em formato electrónico fê-lo apenas porque é moderno e tecnologicamente muito avançado; o arquivo com o que não interessava ao processo não foi destruído porque, quando chegou, já não tinha préstimo para a acusação; só agora foi revelado aos jornais porque há uma hipótese, ventilada não sei por quem, de que há o perigo de Cavaco Silva, caso seja mesmo o nosso próximo presidente, também não querer demitir Souto Moura.

Tudo isto me foi dito por uma colega de trabalho. Se calhar… Não sei o que será mais triste, se estarmos em défice democrático, se estarmos em défice de excesso de burrice, negligência e incompetência!

13 janeiro 2006

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Pelo que entendi, e foi pouco porque nada se entende desta confusão, todos os detentores de altos cargos políticos, Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Procurador-Geral da República, etc., etc, tinham os seus telefones sob escuta.

Porque motivo? Quem autorizou? De que crimes eram suspeitos, todos eles? Quem tem autoridade para autorizar as escutas? Com que objectivo as fez?

Mais uma vez, foi levantado um rigoroso inquérito que terá que ter resultados num brevíssimo intervalo de tempo senão, ouvimos nós em directo, o Presidente tirará as devidas ilações.

Quer dizer que não as tirou já? E Souto Moura, também não terá ilações a tirar?

Então e Cavaco Silva, Mário Soares, Francisco Louçã? Não é desta que acham que o procurador deve, tem que ser demitido?

Ao menos o poeta disse que o demitiria, mesmo antes desta última notícia.

Então isto é um estado de direito, um dos pilares da democracia?

Estamos em verdadeiro défice democrático.

12 janeiro 2006

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Noite fria, negra e brilhante,
nos meus ombros o peso
deste manto invisível.

Abro a janela e mergulho devagar
no próximo dia.



(pintura de Katharine White)

08 janeiro 2006

A Pedra


A pedra é bela, opaca,
peso-a gostosamente como um pão.
É escura, baça, terrosa, avermelhada,
polvilhada de cinza.
Contemplo-a: é evidente, impenetrável,
preciosa.

(poema de António Ramos Rosa; pintura de Fiona Mc’Lean)

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Teimosamente, insisto em ver alguns programas que, por puro preconceito, tenho como interessantes, porque as pessoas que os integram são, à partida, pessoas interessantes.

Isto a propósito de “O Eixo do Mal”, na SIC notícias. Vejo-o todos os sábados e irrito-me sempre, de tal maneira a frustração é grande.

Com um ar “blasé” e sofisticado, de intelectuais modernos e espirituosos, aqueles personagens permitem-se dizer barbaridades com as certezas de um ego bem nutrido, comentários supostamente “giros” e irreverentes, gesticulando muito e dizendo piadas que só têm graça entre eles.

São estes os nossos pretensos intelectuais, de um pedantismo bacoco, que olham as pobres velhas desdentadas, despenteadas, gaiteiras, como se de peças de artesanato se tratassem, com paternalismo e distância, dando-se ao luxo de debitarem tolices que nós, estupidamente, estamos predispostos a ouvir.

Desisti. Vou superar o preconceito pseudo-intelectual.

07 janeiro 2006

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Tu e Eu

Tu enches os meus pensamentos
Dia após dia;
Saúdo-te na solidão
Fora do mundo;
Tu tomaste posse
Da minha vida e da minha morte.

Como o sol ao nascer
A minha alma contempla-te
Com um único olhar.
És como o alto céu,
Eu sou como o mar infinito
Com a lua cheia no meio;
Estás sempre em paz,
Eu estou sempre inquieto,
Embora no horizonte distante
Nos encontremos sempre.


(poema de Rabindranath Tagore; pintura de S.K.Sirajuddin)

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A constituição na gaveta?
Se há palavra rara no discurso cavaquista é a Constituição. E no entanto, o papel do Presidente da República, que começa justamente por jurar a Constituição, é o de a cumprir e fazer cumprir e de promover e dinamizar os valores constitucionais (entre os quais o desenvolvimento é apenas um entre muitos). Sabendo-se que o candidato não morre de amores pela Lei fundamental e que entre os seus apoiantes estão os defensores de "outra constituição", será excessivo temer que uma eventual presidência cavaquista possa significar meter a Constituição "na gaveta"? – Vital Moreira no Super Mário


Não percebo porque é que os candidatos a presidente e seus apoiantes afirmam veementemente que não precisam de mais poderes, e que cumprirão escrupulosamente a Constituição. Nem poderia ser de outra forma, pois essa é uma das suas principais funções (cumprir e fazer cumprir a Constituição).

No entanto, a Constituição e a sua revisão não são, penso eu, temas tabus. Se, de facto, existe na sociedade o sentimento de que é necessário discutir os poderes presidenciais, essa discussão deveria ser levantada agora, e os candidatos deveriam explicitar quais os poderes a mais (ou a menos) que reivindicam. Não para que o presidente eleito se sinta legitimado a exercê-los, mas para que motive os partidos com assento parlamentar a esclarecerem os eleitores sobre as suas posições e, eventualmente, numa próxima revisão, modificarem a constituição.

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É muito fácil denegrir a imagem seja de quem for. Os portugueses são exímios em denegrirem a sua própria imagem. Lamentamo-nos e queixamo-nos sempre de tudo e de todos, especialmente do Estado, aquela entidade ou aquele ente, a quem culpamos de tudo. No entanto, somos os primeiros a exigir do estado o que ele não pode nem deve dar, e os primeiros a ludibriar o estado, sempre que pudermos.

Penso que nos esquecemos que o estado deveria assegurar alguns serviços aos cidadãos (e aí há divergência de opiniões relativamente a que serviços). Mas a filosofia do serviço público deveria ser servir os cidadãos, não os funcionários do estado.

A organização dos serviços públicos, nomeadamente na saúde, na educação, na justiça e na segurança, deve ser pensada e implementada, reorganizando-os geograficamente, em termos de recursos humanos, na rentabilização dos espaços físicos, etc, na medida em que sejam melhores e mais eficazes. O estado gastaria menos e melhor se premiasse quem trabalha bem, a tempo inteiro e em dedicação exclusiva, se definisse objectivos a cumprir, se responsabilizasse os responsáveis, se remunerasse condignamente, sem subsídios, horas extraordinárias e outros subterfúgios.

Para o serviço público deveriam ser recrutados os melhores. E nas várias carreiras envolvidas, deveria ser considerado um privilégio e uma promoção ser contratado pelo Estado.

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Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento…

(poesia de Alberto Caeiro; pintura de Chaim Tamir)



Os alinhamentos editoriais são muito semelhantes, nas rádios, televisões e jornais. Todos chamam os mesmos assuntos às primeiras páginas, às notícias de abertura, com tons alarmistas e espectaculares, em letras gordas e espectrais, em vozes estridentes e tonitruantes.

Hoje acordei ao som do estudo divulgado pelo Expresso sobre a falta de equipas de detecção e acompanhamento de crianças abusadas e maltratadas, do boletim clínico de Ariel Sharon, das perguntas a Alberto João Jardim sobre o Sr. Silva e da desgraça profetizada por Mário Soares, no caso de Cavaco Silva ser eleito presidente.

Por outro lado, repentinamente descobrem-se ou redescobrem-se personagens que passam a comentar tudo, a dizer qualquer coisa sobre qualquer assunto, a aparecer em fotografias etc. Exemplos do que digo são o Prof. Sobrinho Simões e Maria Filomena Mónica.

Começo por afirmar que respeito e considero ambos. São pessoas que nos habituaram a uma postura de trabalho, rigor, inteligência e qualidade. Mas agora e sob qualquer pretexto, a sua opinião escrita e falada é pedida a propósito de tudo e de nada. Nesta sociedade de mediatização enorme e feérica, segue-se a destruição implacável dos ídolos de um dia, nem que seja pelo esquecimento, tão súbito quanto o prévio reconhecimento. Tanto se banalizam os assuntos e as pessoas, que se usam e deitam fora com o maior à-vontade.

As últimas sondagens presidenciais demonstram apenas uma coisa: que Cavaco Silva tem IMENSAS probabilidades de vencer à primeira volta. Apesar da “Grândola vila morena”, da bajulação a Alberto João Jardim, personagem inqualificável e bem demonstrativa do nível de caciquismo da nossa classe política. Ou do abraço de Mário Soares a Valentim Loureiro (outro personagem inqualificável e etc.).

Enfim, gostaria que restasse, à esquerda, a dignidade de conseguir uma segunda volta, com Manuel Alegre.

Quem dera que chovesse!


05 janeiro 2006

Les enquêtes du Comissaire Maigret

(Jean Richard; Comissaire Maigret)

Este é o Comissaire Maigret de Simenon, grande, pesado, sempre a fumar o seu cachimbo, na Brasserie Dauphine, a beber uma demi, ou no seu escritório, au Quais des Orfèvres, com Janvier, Lucas, Torrence ou le petit Lapointe, nos passeios au bord du Seine, na sua casa du boulevard Richard Lenoir, com Madame Maigret, que abre a porta enquanto ele ainda sobe as escadas, excepto no dia em que ficou presa num jardim, a tomar conta de um menino (L'amie de Madame Maigret).
A preto e branco, com acordeão e passo de dança, sem acompanhamento musical de fundo, personagens verdadeiramente humanas, vulgares, em que se ouvem os ruídos das canalizações quando se abrem torneiras, em que as velhas fofoqueiras são espantosas, é esse Maigret, interpretado por Jean Richard, que eu vou saborear: L'ombre chinoise.

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Começou a campanha presidencial. Antes era só pré-campanha (???).
Mário Soares qeixa-se da descriminação A QUE ELE ESTÁ SUJEITO (!!!) na comunicação social, mais precisamente, na SIC. É extraordinário, não que não haja descriminação, porque a há e bastante desavergonhada, mas Mário Soares é dos que mais beneficia da dita descriminação.
Os media decidiram, desde o início desta pré-eleição, que o interessante era um combate Soares-Cavaco e tudo têm feito, escolhendo as notícias, dando ênfase a alguns factos, escolhendo cirurgicamente algumas frases, que depois gritam de meia em meia hora, para que seja esse o desfecho da primeira volta.
O que não sei é se os eleitores vão estar de acordo. Suspeito que Mário Soares suspeita que não. Por isso este choro de menino mimado, já não gostam mais de mimmmm.............

03 janeiro 2006

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(pintura de Bobak Etminani)

Ligeiramente atrasada neste começo de ano, devido a (até agora) insolúveis problemas informáticos.
Como de costume, multiplicam-se as retrospectivas (de 2005) e as resoluções (para 2006).
Temos grandes problemas para resolver, mas o que gostaríamos mesmo é que alguém os resolvesse por nós! E trabalhar? Que grande maçada, que enorme desperdício de energia! Enquanto nos queixamos vamos deixando passar tempo, oportunidades, planos tecnológicos, grandes eventos.
Resolução (porque não?) par este (e o próximo) ano - trabalhar mais e melhor, exigir mais e melhor, viver mais e melhor.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...