Está eleito o novo presidente: Cavaco Silva.Por pouco, por muito pouco (50,6%) poderia ter havido segunda volta. Mas por um voto se ganha, por um voto se perde. Neste caso ganhou Cavaco Silva, perdeu Manuel Alegre.
Todos se esforçam por descortinar acontecimentos futuros ao facto de Manuel Alegre ter ficado em segundo lugar, bem distanciado de Mário Soares. Pela primeira vez, muitos comentadores olharam para a sua candidatura independente como algo de importante no panorama político português.
E é de facto importante. Como disse Inês Pedrosa, foi a demonstração de que há vida para além dos partidos políticos, que um conjunto de cidadãos, por puro civismo, movimentaram esforços e vontades para apoiar um outro cidadão que, por mérito dele próprio, soube galvanizar esses esforços e essas vontades.
Não me parece possível, nem desejável, que se tirem conclusões partidárias da votação em Manuel Alegre, que se candidatou a Presidente da República, não a secretário-geral do PS ou a fundador de outro partido.
Também me parece que José Sócrates deve tirar as suas conclusões. Foi José Sócrates, antes da reunião da comissão política do PS, que decidiu apoiar Mário Soares. Gostava que José Sócrates reconhecesse ter errado na escolha do melhor candidato. De facto, como está demonstrado, Manuel Alegre seria o melhor candidato da esquerda.
Não posso deixar de referir a extrema “deselegância”, como lhe chamou Mário Bettencourt Resendes, ou o gesto anti-democrático, como lhe chamo eu, de Sócrates, ao fazer a sua declaração como secretário-geral do PS em cima da declaração de Manuel Alegre. Não lhe ficou mesmo nada bem!
Outra dúvida que também me assalta: será que Manuel Alegre tinha razão relativamente aos resultados da Eurosondagem? Desde há várias semanas que as sondagens indicavam o segundo lugar para Manuel Alegre, com excepção daquela. Neste momento e no mínimo, é uma empresa bastante desacreditada. Onde estava a DESCOLAGEM de Soares, também vaticinada por Jorge Coelho?
Apesar da homérica derrota. Mário Soares merece o meu respeito. Pelo que foi e pelo que fez por Portugal, mas também pela coragem de levar até ao fim as suas ideias.
Obrigada a Manuel Alegre, pela sua voz inconformada e inconformista, pela sua atitude não alinhada. Continuarei a contar com ele em todos os combates pelos valores da liberdade e da democracia.
À minha maneira, todos os dias continuarei a defender o meu Quadrado, o nosso quadrado.
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