24 janeiro 2006

Dois dias depois

(…) Manuel Alegre (…) conseguiu provar que ainda há espaço político em Portugal para a social-democracia de esquerda, e que a emergência desta pode travar a ascensão do BE, como se notou nos resultados de Louçã (as picardias entre os dois mostram que queriam ambos crescer para o mesmo espaço). Alegre teve ainda o mérito de mostrar que existe quem, na esquerda democrática, não morra de amores pela UE, e foi consequentemente republicano em questões como a lei da nacionalidade ou os direitos dos imigrantes (onde foi mais longe do que o actual Governo quer ir). (…)
Ricardo Alves, Esquerda Republicana (esquerdarepublicana.blogspot.com)

No programa “prós e contras” da RTP1, ontem à noite, e no “forum” da TSF, hoje de manhã, ouvi opiniões acaloradas sobre o significado político do resultado da votação em Manuel Alegre, e o que vai ele fazer com isso.

Parece-me que o PS, nomeadamente o seu secretário-geral, José Sócrates, deveria pensar no facto de Manuel Alegre ter provado estar certo, e ele errado. Deveria pensar que há muita gente que não se reviu na escolha feita pelo PS para candidato à presidência, ou seja, que o PS, poucos meses após uma maioria absoluta, não soube interpretar os anseios do seu eleitorado. Talvez não fosse má ideia repensar o método de decisão ou mesmo a formação dos órgãos de decisão do partido.

Mas não é o que vai acontecer. Na maior parte dos casos continua a subvalorizar-se o fenómeno da candidatura de Manuel Alegre, e a enterrar-se a cabeça na areia, não vendo o óbvio.

A verdade é que também não se percebe muito bem o que Helena Roseta quer dizer com “não deixar morrer este movimento de cidadania”, ou coisa parecida. Este movimento de cidadãos formou-se com o objectivo de eleger um presidente, mesmo sem o apoio de máquinas partidárias, pelo que foi pioneiro na demonstração de que isso era possível. Mas agora Manuel Alegre deve usar esse capital de experiência e de peso político na reforma do seu próprio partido.

E, se for necessário, por uma qualquer outra causa, liderar outros movimentos de cidadãos para atingir outros objectivos.
(pintura de Awiakta)

2 comentários:

  1. anafonso22:19

    Estou com curiosidade de ver o que se vai passar no próximo congresso do PS.
    Receio bem que não aconteça mais nada e continue tudo como está. Não me parece que Sócrates goste de assumir erros.

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  2. Sofia Loureiro dos Santos21:35

    Infelizmente, também me parece.

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