Turning the World Upside Down
Começar a vida pela pintura
Terceira segunda demão
Primeira o branco do luto
As janelas são dispensáveis
Pois o sol procurou outras almas
Ao olhar o abismo
Algo de redentor aparece
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Turning the World Upside Down
Começar a vida pela pintura
Terceira segunda demão
Primeira o branco do luto
As janelas são dispensáveis
Pois o sol procurou outras almas
Ao olhar o abismo
Algo de redentor aparece
Durante muito tempo achei que não se deveria dar palco a
André Ventura e aos seus apaniguados. O que dizem é de tal forma idiota,
mentiroso, manipulador, desonesto, etc, que qualquer pessoa com o mínimo de
decência conspurcar-se-ia se se misturasse com essa gente.
O problema é que não resulta. Não é o desprezo e a
consciência de que não é possível falar em níveis minimamente aceitáveis com
esses fascistas que os faz desaparecer. Muito pelo contrário, essa minha
crença, comungada por tantos outros, não se deu conta de que os deixámos a
falar sozinhos, pois retirámo-nos da equação.
Ao assistir ontem ao frente a frente absolutamente
inacreditável entre Pacheco Pereira e André Ventura, com vómitos, felizmente
metafóricos, permanentes, que percebi que não poderíamos manter este
distanciamento higiénico.
Ao contrário de tantos comentadores, que apelidaram Pacheco
Pereira de ingénuo, espantando-se com o que o terá levado a fazer o repto que
fez a André Ventura, só posso agradecer-lhe pela coragem de rolar na
lama, na pocilga em que André Ventura transforma qualquer hipótese de conversa.
Temos de ir à luta, sim, custe o que custar, e não nos
calarmos de nojo perante aqueles que avançam sem medo, que mentem sem vergonha,
que distorcem, que caluniam, que insultam, que misturam e comparam o que não é
miscível nem comparável.
Temos de estar sempre presentes, provocar-lhes a ira,
provocar-lhes a fácil e rápida falta de educação, a ignorância contente, a
empáfia dos alarves que se comprazem com o ódio e a crueldade.
Não é possível mantermos esta atitude de democratas
tolerantes e condescendentes. Democratas e tolerantes perante opiniões sim, mas
sempre irredutíveis no que diz respeito à negação daqueles que utilizam mentiras para desculpabilizar uma ditadura férrea, irascíveis na não aceitação de insultos a quem
lutou toda a vida pela democracia e pela liberdade. Não é mais possível ignorar o
desrespeito, a grosseria, o bulling deste grupo.
Hão de falar tanto, gritar tanto, espalhar lama por tanto
lado e por tanta gente, que ela acabará por lhes cair em cima. Nunca devemos
desistir de o mostrar, de os apelidar de mentirosos, ignorantes, racistas,
xenófobos, mal educados, grosseiros, misóginos, corruptos, tudo o que, de
facto, são.
Estes aprendizes de Trump não nos podem calar por falarem mais alto. A coragem é mesmo enfrentá-los. Não é mais possível suster a
respiração e tentar olhar para o lado.
Pacheco Pereira fez o que todos devemos fazer – mostrar que
não admite os epítetos que aquele beato mentiroso usou.
Não nos enganemos. A democracia precisa de ser defendida.
Não estou tanto nem tão pouco
Do aqui do que fugi
Culpados os sonhos
Que não vivi
Não estou tanto de mim mas de ti
Se me quiseres em paralelo
Neste modelo
De mim
Não estou para qualquer morte
Nem para qualquer vida
Tão real e definida
Como a dor
Ouço a gravação em arquivo da RTP, da Aprovação da Constituição da República Portuguesa e da Sessão Solene de Encerramento da Assembleia Constituinte, a 2 de abril de 1976.
É inevitável a comparação cm a cerimónia dos 50 anos deste dia, no Parlamento.
A degradação da palavra, da retórica, dos comportamentos, da tolerância, da democracia, são evidentes.
Bem sei que tudo muda e tudo mudou, mas nem sempre para melhor.
A democracia está sob ataque, como diz Pacheco Pereira, por dentro. Cabe-nos a nós não o permitirmos. Cabe-nos a nós defendê-la. Cabe-nos a nós não querer voltar atrás.
A liberdade tem de continuar a passar por aqui.
Os espaços
rearrumam-se misteriosamente
como se as
peças de um puzzle mudo e desconexo
se
movimentassem em aves noturnas e enternecidas.
Um casulo de
janelas entreabertas
móveis onde o
corpo se aconchega e encosta.
Se os espaços
se moldam ao nosso mundo
faremos dos
espaços o nosso mundo.
Talvez se aclare e esclareça.
Asa esquerda de um rolieiro azul
Há um enorme afã da nossa comunicação social em encontrar fissuras e desencontros no seio do PS. Não quer dizer que não os haja, mas, após as eleições presidenciais, em que todos louvaram a estabilidade prometida, muitos se apressam a tentar atiçar razões para que a instabilidade se instale.
Por outro lado, a sociedade deslocou-se tanto para a direita e para a extrema direita, que qualquer discurso que envolva a defesa de minorias, de direitos, liberdades e garantias, da dignidade no trabalho, da igualdade de géneros e, o que é ainda mais assustador, da ciência e da evidência sustentada em investigação científica comprovada e certificada, passou a ser apanágio dos radicais de esquerda.
É extraordinária a qualidade das propostas que são discutidas e aprovadas no Parlamento - desde a reversão da Lei n.º 38/2018 de 7 de agosto - "Direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e à proteção das características sexuais de cada pessoa" -, à alteração das leis da nacionalidade - Lei do retorno - que agrava de 60 dias (2 meses) para 360 (1 ano) e mais 180 dias (6 meses), a possibilidade de detenção até ao efetivo retorno.
Multiplicam-se nas redes sociais os Reels de programas de entretenimento, em que os animadores/ entrevistadores perguntam a crianças muito pequenas e fofinhas o papel dos progenitores em casa - quem manda, quem faz a comida, quem ganha o dinheiro e quem o gasta, etc. Sub-repticiamente, e desde muito cedo, os papéis do pai e da mãe são impressos na cabeça das crianças - as mães dão de comer, gastam o dinheiro e mandam em casa, enquanto os pais trabalham para ganhar dinheiro, fazem em casa o que a mães lhes manda e queixam-se da comida.
Ou seja, ser radical de esquerda é defender as mais básicas noções de decência, de partilha, de respeito e igualdade de direitos, nomeadamente das mulheres, migrantes e comunidades em que as suas natureza nada influenciam os demais, mas que a fúria retrógrada e anticientífica dos reacionários de direita e extrema direita que nos governam assumem que são perigosos.
Se é a este posicionamento ideológico que a nossa comunicação social se refere, ao prever grandes fraturas no congresso do PS, pois espero que as haja, a bem da nossa higiene mental e saúde pública.
por Maria Barroso
I
Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro
do que tu - não deixes fechar-me os olhos
meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos
e ver-te-ás de corpo inteiro
como quando sorrias no meu colo.
E, ao veres que tenho toda a tua imagem
dentro de mim, se, então, tiveres coragem,
fecha-me os olhos com um beijo.
Eu, Marco Pólo,
farei a nebulosa travessia
e o rastro da minha barca
segui-lo-ás em pensamento. Abarca
nele o mar inteiro, o porto, a ria...
E, se me vires chegar ao cais dos céus,
ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus.
II
Não um adeus distante
ou um adeus de quem não torna cá,
nem espera tornar. Um adeus de até já,
como a alguém que se espera a cada instante.
Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar
de novo para ti, no mesmo barco
sem remos e sem velas, pelo charco
azul do céu, cansado de lá estar.
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...