Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
11 janeiro 2015
10 janeiro 2015
Dos esclarecimentos explícitos
É importante não confundir a livre condenação de cartoons, editoriais, artigos de opinião ou outras formas de liberdade de expressão com o impedimento que elas existam, com o assassinato de pessoas. Embora haja muitas tentativas sub-reptícias e bem sucedidas de censura, nomeadamente o politicamente correcto, há uma diferença abissal entre isso - que se denuncia com a mesma liberdade - e a execução dos considerados blasfemos.
Além disso também há a liberdade de discordar e de se ofender, mas para isso serve a lei, os tribunais, a possibilidade do recurso ao contraditório, como agora está na moda dizer-se. Nada, mesmo nada, pode justificar qualquer tipo de atentado terrorista.
Da luta diária que nos resta
O ataque aos jornalistas e ao Charlie Hebdo é mais um dos muitos que se têm realizado por esse mundo fora. Infelizmente, tal como Fernanda Câncio lembra, esquecemo-nos depressa e desapaixonadamente de todos os horrores que vão sendo noticiados, uns mais que outros, para nos indignarmos violentamente com os mais recentes.
O atentado à liberdade de expressão deve ser, e tem sido, motivo de solidariedade internacional, com o aproveitamento político rápido da extrema-direita francesa, ao recuperar a proposta de referendo ao regresso da pena de morte e ao encerramento das fronteiras, e da estupidez da esquerda francesa, ao deixar de fora a Frente Nacional na manifestação contra o terrorismo.
Na verdade todos os dias vamos cedendo um pouco da nossa liberdade e dos nossos direitos – deixamos de dizer o que pensamos porque não queremos ofender, porque temos medo de perder o emprego, oportunidades de contactos que nos interessam, negócios, etc. Não nos apercebemos que é a luta diária, constante e permanente que pode manter os valores da sociedade em que vivemos. A possibilidade de cultivar as nossas crenças e a nossas diferenças é um direito inalienável consagrado pelas Nações democráticas e pelas Organizações Internacionais que a separação entre o Estado e a religião, seja ela qual for, é o melhor garante da vivência tolerante entre as várias comunidades.
Não sei qual é ou quais são as soluções, o que podemos contra o extremismo e os terroristas. É demasiado fácil e simples considerá-los a todos loucos. As mais temíveis armas são, como sempre foram, a criatividade, a informação, a inteligência, a expressão artística, a provocação, o confronto de ideias. E disso não podemos nunca abdicar.
08 janeiro 2015
07 janeiro 2015
Das armas contra o terror
Hoje não é possível deixar a indignação silenciosa, dentro de cada um de nós. Um dos valores da nossa sociedade tolerante e democrática - a liberdade - foi usada precisamente para acabar com ela.
Ninguém pode deixar de mostrar a sua revolta, sob pena de perdermos um dos bens mais preciosos ao ser humano - a liberdade de expressão de pensamento.
Mais perigosa que as espingardas e as metralhadoras, que os tanques e as bombas, são a literatura, a pintura, o humor, a ironia, o sarcasmo. O atentado de hoje, em que foram assassinadas 12 pessoas que usavam o humor para explicar e viver a sociedade é uma infâmia, um crime sem qualquer tipo de justificação.
04 janeiro 2015
Da volta à realidade
A crise e o caos nas urgências hospitalares enchem diariamente as páginas dos jornais, como se fossem uma novidade. Pois não são. Todos os anos essa mesma crise repete-se.
Qual é então a novidade e/ ou objectivo destas notícias? Em primeiro lugar não se percebe a insistência no Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), obviamente e já há muitos anos subdimensionado para a população que serve. Em segundo lugar, se em cada ano as dificuldades são maiores, isso resulta apenas da cada vez maior redução de recursos que existe no SNS, humanos e técnicos, o que era espectável perante a política e desinvestimento acelerado nos serviços públicos, neste caso de saúde, e pela desagregação e desmantelamento dos equipamentos hospitalares que tem sido o apanágio deste governo.
Ainda há pouco Judite Sousa e Marcelo Rebelo de Sousa teceram considerações sobre o elevadíssimo montante que a ACSS ou a ARSLVT ou o governo estariam dispostos a pagar para que os agiotas dos médicos se dispusessem a acudir às populações. Repentinamente já se podem contratar 10 médicos, quando durante anos não houve autorização para substituir os que foram saindo dos quadros dos serviços.
A verdade é que a hemorragia de quadros de Portugal para o resto do mundo está a ter as repercussões que se previram. E mais terão. Além dos baixos salários que o estado pratica, cada vez há menos condições para que se mantenham os serviços com um mínimo de qualidade. Como há uns dias uma reportagem do Público demonstrava, há médicos de 54 anos a desistirem de lutar em Portugal.
Este é o retrato do país que nos deixa esta especial governação – envelhecido, triste e desesperançado, com o número de beneficiários do subsídio de desemprego a diminuir, não porque haja mais emprego, mas porque o desemprego de longa duração retira até o direito aos apoios cada vez mais escassos.
Acabaram-se as festas – a realidade voltou. E ela é a mesma de 2014.
03 janeiro 2015
Do prazer de viajar
Viajar é das coisas que mais gosto de fazer. O absoluto prazer de ver outras paragens, outras pessoas, outras realidades, misturar-me com as culturas locais, ver as ruas, os rios, os barcos, os automóveis, os trajes, as casas, as comidas e bebidas, os hábitos, a língua, enfim, experimentar bocadinhos do resto do mundo.
Confesso, no entanto que, à medida que os anos passam, me vou transformando numa viajante mais exigente e mais burguesa, pois a aventura de dormir ao deus dará, sem certezas nem conforto, são-me cada vez menos apelativas.
Sabendo desse meu gosto inesgotável, fui presenteada com duas séries de viagem efectuadas e narradas por Michael Palin, interessantíssimas, leves e bem dispostas, com o picante do inesperado, de coisas que foram correndo menos bem e outras dentro ou acima do esperado. A volta ao mundo em 80 dias, em que se procurou reproduzir a viagem de Phileas Fogg, herói de Júlio Verne, inaugurou um determinado tipo de documentários sobre viagens e viajantes, penso eu. Em relação a Himalaias, estou a rever a série porque esta já passou num dos canais da televisão, não me lembro qual, e é deslumbrante.
Não podendo eu mesma fazer este tipo de viagens, sabe-me imensamente bem partilhar as aventuras de quem as arriscou e aproveitou. Só tenho pena que a minha fluência em Inglês não me permita comprar mesmo as séries não legendadas que, mesmo em inglês, ajudam bastante.
A mudez perante o indizível
Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...
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