15 julho 2011

A morte

 



 


A morte, principalmente a nossa própria morte, é um assunto que nos causa fascínio e temor.


 


Como queremos morrer? Ou antes, como queremos viver, ou continuar vivos, ou mantermo-nos vivos? Para nós, o que é a vida, o que significa ser humano e viver? O que significa morrer?


 


O livro de Maria Filomena Mónica (A Morte), soberbamente escrito, como se de uma conversa se tratasse, com História, com histórias, pessoais e de outros, com humor e uma clareza que demonstra a capacidade de olhar para o mundo, para si própria e para a sociedade com um distanciamento e com uma crueza inegáveis, faz-nos pensar num problema de que só nos apercebemos quando, em clima de tensão e urgência, temos que decidir sobre a vida e/ou a morte de alguém que nos é muito próximo.


 


Seremos nós capazes de pensar na definição da morte e da vida que aceitamos para os outros mas, principalmente para nós, sem preconceitos ideológicos e religiosos? O aumento da idade média da população é uma realidade e o envelhecimento, a solidão, as doenças degenerativas, as dependências, as tecnologias de suporte de vida desenvolvem-se quase autonomamente. Eutanásia, suicídio assistido, testamento vital, conceitos que temos que conhecer, debater, decidir e respeitar.


 


Para além da nossa vida, a dos nossos familiares dependerá, em grande parte da nossa morte.


 

As férias aí estão

 


A comunicação do Ministro das Finanças em que explicitou a forma como irá ser cobrado o novo imposto extraordinário (se a promessa de ser apenas para este ano for cumprida da mesma forma que a promessa do não aumento de impostos…), demonstra, mais uma vez, a aposta deste governo numa política fiscal pouco consentânea com a distribuição equitativa dos esforços, ao assumir a excepção do pagamento para as mais-valias dos depósitos a prazo, bolsitas e outras aplicações financeiras.


 


Algumas sondagens dizem que os portugueses estão de acordo com este imposto. Tanto como com os aumentos da era de Sócrates, os portugueses resignam-se, pensando que não há muitas alternativas. Mas não se enganam. E a mistificação do aumento do imposto por causa dos desvios encontrados nas contas públicas, que foram validades pela Troika, são a tal verdade que o PSD apregoou durante a campanha. As mentiras, na boca dos dirigentes do PSD sofrem uma metamorfose e transformam-se em verdades absolutas, em transparência e em seriedade.


 


Entretanto começam a aparecer algumas notícias sobre a área da saúde, que dão conta dos buracos existentes. Vamo-nos preparando para mais impostos que financiem o SNS, ou que este só possa assegurar alguns serviços, considerados mínimos (para além do vestuário, da comida e do tecto…).


 


Da parte do PS as nuvens vão obscurecendo o horizonte. António José Seguro enche as páginas dos jornais com considerandos a propósito de tudo e de nada, com pérolas como o Ministério da Educação estar a criar instabilidade no sistema, clamando por orientações ministeriais para o começo do ano lectivo. Não percebo que orientações tão indispensáveis são essas, visto que os anos lectivos todos começam mais ou menos dentro dos mesmos prazos e, caso não tenha havido mudanças nos currículos e já estarem constituídas as turmas e os horários, assim como professores colocados, surpreende-me esta desorientação das Escolas. António José Seguro está a portar-se como outro Mário Nogueira, antecipando-se aos disparates do costume. Também é muito interessante o carpir a propósito das más notas nos exames de Português e de Matemática (esquecendo-se os de Física, Geografia e Biologia). Se passam muitos é porque o facilitismo é horroroso, se passam poucos, horrorosos são os resultados. Em que ficamos? Não é isto o que preconizam os defensores da exigência – muitos chumbos para mostrar a dificuldade certeira nos exames?


 


Mas enfim, as férias aí estão. Vamos falar de incêndios, de praias, de filas de trânsito e de curiosidades triviais (como a lua de mel dos Príncipes do Mónaco). Isso é que é importante. E os saldos, claro.


 


Adenda: A verdade, e apesar do arrepio que sinto à medida que se vão desenrolando as opções e medidas governamentais, é que apreciei a variante do Ministro, no conteúdo, que não na forma. Ao contrário de Ferreira Fernandes gostei da fina ironia quando se mostrou espantado pela ausência de virar de páginas do documento por ele disponibilizado. Pelos vistos ninguém, penso eu que da plateia de jornalistas, se dignou tomar qualquer atenção à substância e às razões do que dizia. Mas, tal como com a RTP1, o que ali interessaria ouvir seriam chavões sobre o novo imposto para utilizar em títulos exuberantes, independentemente da realidade.


 

Linguagens

 


A leitura do ípsilon de hoje, talvez porque mais atenta e pormenorizada, deixou-me boquiaberta com a enorme especificidade da linguagem utilizada no universo musical. De tal forma é hermética que a quantidade de tipos de música existentes desde 1994, muitos deles já desaparecidos, com nomes derivados de rock e palavras cheias de apóstrofes, tornou o meu esforço inglório.


 


A verdade é que me senti totalmente fora de tempo, não reconhecendo nada do que ouço, mesmo com alguns nomes de grupos que já ouvi. O desenvolvimento desta especialidade artística, na sua vertente mais contemporânea, pós modernista ou sei lá que movimento se lhe pode chamar, é muito para além do que uma não iniciada pode absorver.


 

Clandestinidade

 



Charles Martin: The Dive 


 


Mergulho devagar na clandestinidade,


não estou para ninguém.
Saio em silêncio e furto-me do sol do meio-dia.


Perfumes que vêm do mar, gritos de gaivotas,


um areal vazio, madrugadas frias e esperançosas,


modorra em frente a um livro que se devora


durante a insónia.


 


Mergulho devagar no esquecimento


do quotidiano, num pequeno intervalo


de harmonia.


 

14 julho 2011

RTP1

 


Estou num sítio sem televisão por cabo pelo que só tenho acesso aos 4 canais clássicos: RTP1, RTP2, SIC e TVI. Já não me lembrava do colosso (palavra bastante em voga, nos dias que corre) que é estar totalmente afastada do mundo, ou totalmente mergulhada num país, para mim, desconhecido.


 


Sabendo pelos jornais e pela internet - essa invenção do demo, que nos entrega o mundo, em qualquer lugar onde haja banda estreita ou larga - que o Ministro das Finanças iria explicar a estratégia do governo para cumprir o acordado com a Troika, incluindo o novo imposto, pespeguei-me em frente à RTP1. Não me desiludiu e começámos a ouvir a voz do Ministro, pausada, monocórdica, séria, avisada, num discurso que se iniciou em 1950 do século passado.


 


Mas as escolhas editoriais da RTP são céleres. Como o Ministro nunca mais falava do imposto, subentendendo-se que o seu discurso não interessava a ninguém, interrompeu-se o directo para se falar de um acidente no IP2. Regressou-se depois exactamente para ouvir as explicações sobre o dito imposto... e interrompeu-se de novo sem ouvir a conferência de imprensa.


 


É este o serviço público a que temos direito.


 

12 julho 2011

Para combater a crise (2)

 



 



 



Classificação etária M/12


 


Informações e reservas:


Tel: 21 868 92 45


Abertura da bilheteira 1h antes do espectáculo


 


Reservas antecipadas através do Tlf 218689245 / 918046631 ou
e-mail geral@teatromeridional.net


 


Rua do Açucar, 64 
Beco da Mitra - Poço do Bispo  
1950-009 Lisboa-Portugal


Autocarros: 28, 210, 718


 


 


Nas sociedades contemporâneas proliferam os Especialistas. Eles trabalham arduamente no sentido de clarificarem as causas dos acontecimentos nas suas áreas de competência, fechando-as em linguagens, técnicas, números, estatísticas e experiências por eles dominadas e referidas, fazendo-nos crer que só têm acesso a esse conhecimento os seus pares, que vivem e dominam essa mesma área de intervenção.


 


A preparação de Comunicações Especializadas sobre Sustentabilidade Ambiental, será o pretexto para se falar deste mecanismo das sociedades actuais e da importância conferida ao estatuto do Especialista, estatuto esse que tantas vezes possibilita a defesa de pontos de vista nem sempre claros e éticos, o que torna o exercício da democracia num fenómeno muito parecido com a ordem das ditaduras.


 


Brincar seriamente com as certezas e com a relatividade do conhecimento foi a proposta de partida deste espectáculo que quer divertir, mas sobretudo reflectir e a provocar-nos enquanto cidadãos, a não nos demitirmos de construir pontos de vista, implicando-nos a pensar o mundo nas suas certezas e paradigmas.


 


Ficha Artística 


Criação Teatro Meridional Encenação Miguel Seabra Dramaturgia Natália Luíza Assistência de encenação Susana Madeira Interpretação Emanuel Arada, Filipe Costa, Rui M. Silva Espaço Cénico e Figurinos Marta Carreiras Música Original e Sonoplastia Rui Rebelo Desenho de Luz Miguel Seabra Fotografia Susana Paiva


Assistência de Cenografia e Construção de Adereços Marco Fonseca Montagem Marco Fonseca e Nuno Figueira Operação Técnica Nuno Figueira Design Gráfico e Registo Vídeo Patrícia Poção Assessoria Jurídica Diogo Salema da Costa Produção Executiva Natália Alves Direcção de Produção Maria Folque
Direcção Artística do Teatro Meridional Miguel Seabra e Natália Luíza


11 julho 2011

Para combater a crise (1)

Já aqui referi o blogue Garfadas on line mais do que uma vez. Volto a fazê-lo pela excelência dos posts, de que este é apenas um exemplo, e para que estejam atentos a este convite:


 



 


 


 


A autora, Ana Marques Pereira, para além de um saber enciclopédico, documenta-se muito bem para tudo o que diz e escreve. Não percam.


 

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...