... que começa esta série na RTP 2.
A não perder. E assim terei a oportunidade de ver a série 2. Muito, muito bom!
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
... que começa esta série na RTP 2.
A não perder. E assim terei a oportunidade de ver a série 2. Muito, muito bom!
Christine Lagarde
Afinal parece que as pessoas e os partidos que defendem e sempre defenderam uma reestruturação da dívida têm e tinham razão.
Quais vão ser as consequências? É agora que se vai avançar para a reestruturação da dívida? É agora que finalmente a Comissão Europeia vai fazer marcha atrás em relação à política que impôs nos últimos anos?
E se começássemos a falar de impostos mais progressivos para que quem mais tem seja quem mais pague? E se começássemos a falar da taxa Tobin? E se começássemos falar da redução dos horários de trabalho, não para 35h mas para 30h por semana, no público e no privado? E se começássemos a falar da renovação geracional dos quadros? E se começássemos a falar do aumento de emprego que isso significaria com a consequente melhoria na qualidade de vida, aumento da participação contributiva, perspectiva e segurança de emprego, para que as gerações que esperam indefinidamente a sua vez possam não ter que adiar cada vez mais a vontade de serem independentes, responsáveis, cidadãos activos, fundarem famílias, terem filhos? E se começássemos a pensar em investir na cultura, apostar na música como um elemento fundamental na educação e desenvolvimento das crianças e adolescentes?
E se retomássemos a ideia de procurar financiamentos para suprir as necessidades dos cidadãos em vez de as reduzirmos ao dinheiro existente? Não é assim que os empreendedores fazem? Não é isso o empreendedorismo?
Finalmente a União Europeia decidiu com algum senso. Não digo muito porque a própria ideia de abrir um procedimento contra Portugal e Espanha por défice excessivo e o tempo que demorou até ao desfecho não fizeram nada bem, nem aos 2 países nem à própria União Europeia. Mas mais vale tarde que nunca.
Esta é uma vitória de António Costa e da Geringonça, em primeiro lugar, e de Marcelo Rebelo de Sousa em segundo. Tenho algum rebuço em parabenizar o trabalho de Carlos Moedas. Não percebo muito bem a entrevista em que se ufanou do difícil trabalho que tinha tido em convencer os seus Colegas - era o mínimo que se lhe exigia e, caso o resultado fosse o contrário, esperaria que se demitisse de imediato, tal como esperaria uma tomada de posição conjunta de todos os deputados europeus, em total repúdio. Mas enfim, está na moda a auto proclamação de importância e o auto elogio.
Estou convencida que o Brexit deu uma ajuda. Finalmente, tanto quanto é possível acreditar nas notícias que se lêem e ouvem, as cúpulas europeias terão percebido o inenarrável erro político de avançarem com penalizações, quando as populações nunca o compreenderiam e se afastariam ainda mais do que ainda se apelida de projecto europeu.
É também uma derrota de Passos Coelho, do PSD, do CDS e de todos os comentadores, analistas e jornalistas que, com ou sem mandato ideológico ou manobrista, fizeram uma autêntica campanha mediática endossando as inevitáveis sanções.
Mas claro que essa campanha de oposição sistemática e doentia contra o governo não acabou, nem acredito que tenha aclamado. Os jornais de hoje fazem eco dos inúmero problemas que antecipam, desde as medidas adicionais em 2016, com as sugestões da Comissão sobre o IVA, à monitorização trimestral das contas orçamentais pela Europa e à negociação do Orçamento de Estado para 2017 com o PCP, o BE e o PAN, com as manchetes da congelação salarial.
Ou seja: de fantasma em fantasma, a direita propagandista e revanchista vai somando garruços mas não desiste.
Que não desista também António Costa e a sua geringonça, que nós estamos a fazer o nosso papel - suspender a respiração pedindo que alguém não se coíba de nos resgatar a dignidade; a pedir-lhe que se lembre de medidas adicionais que penalizem aqueles que ganham com esta crise e com todas as crises; a aguentar os impostos (que não baixam), os parcos ordenados (que não sobem), as promoções nas carreiras (que não descongelam), o desemprego (que baixa muitíssimo pouco), e este calor insuportável (que não acaba).
Vamos a banhos e a refrescos com a alma um pouco mais descansada, mas nada de adormecimentos, que em Setembro voltarão as Cassandras da desgraça a gritar os próximos dramas.
Museu da Presidência
Hoje decidimos ir visitar o Museu da Presidência da República, que fica no conjunto de edifícios e jardins que constituem o Palácio de Belém.
O Museu ocupa dois andares de um edifício mesmo ao lado da rampa de acesso ao Palácio e de uma delegação de Correios. À entrada precisamos de passar por um detector de metais. Os bilhetes custam 2,50€. Inicia-se por uma pequeníssima explicação do que foi a implantação da República e dos seus símbolos – hino e bandeira. Depois aparecem os retratos de todos os Presidentes, com uma pequena nota, num tablet (alguns estão desactivados ou avariados), sobre cada um deles. Numa parede podem observar-se três vídeos, com áudio (auscultadores), sobre a Primeira República, o Estado Novo e a Democracia (têm que se ver e ouvir de pé). Há ainda um e-book que podemos folhear sobre as Primeiras-Damas, bastante resumido.
Segue-se uma exposição de objectos ofertados aos Presidentes da República de Portugal, por vários dos convidados presidenciais e/ou reais de outros países e/ ou reinados, aquando das suas visitas oficiais. Há ainda alguns expositores das condecorações honoríficas, com escassas explicações. Termina com uma maqueta do Palácio de Belém e uma pequena história do mesmo e de como se transformou em Palácio presidencial.
Se gostei? Sim, gostei, mas soube-me a muito pouco. A sensação com que se fica é que haveria muitíssimo mais a dizer, que se poderia ter aproveitado, por exemplo, cada Presidente para o enquadrar historicamente, contar um pouco da sua história e das suas circunstâncias. Não há menção à história dos retratos, de quem os fez, algo sobre os artistas, nada. As informações sobre as Primeiras-Damas também são muitíssimo sumárias, não se percebendo exactamente qual o papel, se é que o tiveram, na altura em que os respectivos maridos (ou companheiros) tinham assumido a Presidência.
Quanto às condecorações, não há quaisquer explicações sobre o que são, como surgiram, a quem se destinam, qual a mais importante e porquê. O mesmo em relação ao Palácio – o que é que se passa e aonde – o Palácio é enorme – fotos ou vídeos ou documentos sobre acontecimentos que lá se teriam passado e aonde, etc. Os vídeos que estão disponíveis deveriam ter, pelo menos, uma cadeirinha para os visitantes se sentarem.
A loja não tem muita oferta, nomeadamente os tais vídeos que poderiam ser um bom e útil motivo de lembrança.
Enfim, parece-me que o anterior Director do Museu (Diogo Gaspar) não ficará célebre pela excelência do seu trabalho. Isto para não mencionar a tímida divulgação e promoção que tem (o site também está pouco atractivo, convenhamos). Acho um desperdício pois é uma excelente e interessante ideia, mas com uma concretização desleixada.
Vacancy
Levanto pó quando desloco os olhos para o infinito.
Não há infinito que se mova sem pó
nem movimento sem olhos que o observem.
Nem eu.
Desato o ruído quando leio o pó que cobre o mundo.
Não há mundo que se escreva sem pó
nem ruído que se desate sem o sopro que o cobre.
Nem tu.
Amasso o barro quando arrumo o pó que molda o corpo.
Não há corpo que se molde sem pó
nem barro que se arrume sem o amasso das mãos.
Nem nós.
Escorro pelas paredes e encaixo-me num canto
evito as janelas sedenta de ar e de nuvens
cerro todas as portas por onde anseio partir.
Lá fora pode parecer que a vida se mostra
e que os olhos se habituam à luz
quando a verdade descai dos ombros e evapora.
Aquilo a que chamamos alma é a culpa
concentrada e a mais antiga prova
da nossa eterna e inescapável solidão.
Bruxelas propõe suspensão de 16 fundos estruturais como sanção contra défice excessivo
Expresso - 23/07/2016 às 16h17
Bruxelas propõe suspensão de 16 fundos estruturais como sanção
Diário de Notícias - 23/07/2016 às 15h03
Sanções: Bruxelas quer parar todos os Programas Operacionais Regionais. E outros
TSF - 23/07/2016 às 15h16
Comissão Europeia desmente suspensão de 16 fundos estruturais em Portugal
Expresso - 23/07/2016 às 15h16
A dúvida. Bruxelas quer ou não cortar fundos?
Diário de Notícias - 23/07/2016 às 20h33
Sanções: proposta de corte de fundos estruturais não existe
Diário de Notícias - 23/07/2016 às 22h25
A pouco e pouco vão aparecendo vários ingredientes para novos licores. O empreendedorismo em acção e a rede informal de alimentadores de empresários sazonais (que, no meu caso, já se estende do 4º trimestre para o 2º semestre), baseados na troca de géneros e de afectos, tão na moda após a tomada de posse do nosso irrequieto e hiperactivo Presidente.
Há já alguém que me traz fisálide ou alquequenge (Physalis) ou capucha (nos Açores), outra que me colhe as folhas da figueira, outra que me enche de mirtilos, para não falar de quem me supre de aguardente velha e caseira. Tudo completamente ecológico e biológico, aproveitando o que a natureza fornece, para reduzir o desperdício e proceder à indústria transformadora de água em vinho (com algumas passagens pelo meio, porque de Jesus Cristo não tenho rigorosamente nada).
Já descobri, entretanto, umas garrafas descomunais para poder guardar as litradas licorosas resultantes destas tardes a destilar calor, a mexer e a filtrar xaropes. Este Natal, para não variar, sofia&companhia.bebe (e também .come) voltam a atacar.
A área de artesanato correspondente ao engarrafamento, elaboração, corte e colagem de rótulos é uma empresa gémea e necessariamente associada à primeira. Nesta casa todos os anos nascem e morrem empresas uninominais e pessoais, o que também contribui para a energia laboral, mesmo que a escassa legislação não diferencie o patronato das massas trabalhadoras.
Quantas vezes nos acontece ficar desiludidos após a visita a um museu ou a uma exposição, depois de ver um filme ou ler um livro, talvez porque esperámos demais ou alimentámos fantasias perante histórias e imagens para além da realidade.
Pois com a minha visita ao Oceanário de Lisboa aconteceu precisamente o contrário.
Um aquário gigantesco, muito bem orientado, com bastante informação, observando-se um enorme cuidado com os espaços, as luzes, a forma como se fornecem pequenos conteúdos educacionais e ainda os pequenos fragmentos de poemas da Sophia de Mello Breyner, para que se possam ler em pequenos cantos de admiração e descanso.
Falo da exposição permanente, pois foi a que visitei. Os vários tipos de ecossistemas marinhos, com a fauna e a flora típicas, e aquela enorme montra em que podemos observar inúmeros tipos de peixe, majestosamente nadando de um lado para o outro, num filtro de luz azulado e crua, mas que emite uma paz e uma serenidade que casam bem com a poesia.
Muitos miúdos, como era de esperar, e muito bem dispostos!
Gostei imenso e aconselho vivamente a quem ainda não conhece que não perca.
Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.
As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.
O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.
Sophia de Mello Breyner Andresen (1954)
O que se está a passar na Turquia começa a ser demasiado familiar e óbvio quanto ao que move e qual o objectivo de Erdogan.
Tal como com Hitler, a comunidade internacional tenta não ver e desvalorizar. Ninguém sabe exactamente como actuar naquele barril de pólvora. Christine Lagarde é apenas um exemplo de quem tem as prioridades distorcidas.
Causa-me muita perplexidade o que se passou ontem no Parlamento, em relação à eleição de António Correia de Campos para a presidência do Conselho Económico e Social.
Não está em causa o facto de cada deputado se pronunciar como quer, em sua consciência, e o voto ser secreto - ainda bem que o é. O que me espanta e não entendo é como foi possível que um acordo entre os dois partidos com maior representação parlamentar não se tenha traduzido na votação maioritária (por 2/3), o que seria o objectivo do dito acordo e o espectável.
Levantam-se várias questões:
Gostaria de perceber o que se passou. Mas uma coisa é certa - os dois maiores partidos portugueses e o Parlamento não saíram dignificados deste episódio, tal como não tinham saído aquando da tentativa de escolha de Jorge Miranda para Provedor de Justiça, em 2009.
Nem Jorge Miranda nem Correia de Campos merecem este desrespeito e esta desconsideração. Não a eleição em si, pois quem vai a votos arrisca-se a perder e a ganhar, mas toda esta novela à volta de acordos que se usam para achincalhar as necessárias negociações parlamentares e, pior do que isso, personagens que tudo têm feito para elevar a política e servir os cidadãos.
Desde que li O papagaio de Flaubert tornei-me assídua leitora de Julian Barnes.
O último livro deste autor é, como habitualmente, uma reflexão violenta e irónica sobre a relação entre os intelectuais, mais propriamente os artistas, a arte e o poder. Mas não só.
Julian Barnes usa Dmitri Shostakovich, um compositor russo que viveu as épocas da revolução russa, das duas Guerras Mundiais, do estalinismo, da ligeira abertura do regime com Nikita Khrushchov e de Leonid Brejnev, para discorrer sobre a humanidade, a nossa capacidade de resistir e de ceder ao poder ou a tudo o que nos é contrário e nos violenta em termos ideológicos ou morais, a forma como nos defendemos e justificamos, por aceitarmos aquilo que nos incomoda e revolta. A vida e os homens são feitos de cambiantes de tons e cores e todos somos capazes dos maiores heroísmos e das piores abjecções.
Numa escrita muito sintética e depurada, o autor encarna Shostakovich e conta a sua vida na Rússia soviética, que alternou períodos em que foi punido por escrever música que não agradava aos ideólogos estalinistas e ao próprio Staline, sendo afastado dos empregos e dos concertos, temendo pela sua vida e pela dos seus familiares e amigos, aguardando à noite, junto ao elevador da sua casa, que o viessem prender para o deportar e/ou matar, com períodos em que era bajulado e premiado pela nomenklatura, recebendo prémios e honrarias.
Shostakovich vive em sobressalto, depressão, ansiedade e negação de si próprio. Despreza-se e não se perdoa por aquilo que considera actos de cobardia - apoiar decisões e deportações lendo discursos ou assinando documentos que outros escrevem, negar apoio a quem, como ele, tinha caído em desgraça, como a última e ultrajante humilhação de se ter tornado membro do Partido Comunista da União Soviética, que tinha conseguido evitar até Khrushchov ter assumido o poder. Não poupa os intelectuais estrangeiros que se dão ao luxo de admirar a sociedade mais avançada do mundo porque nela nunca tinham vivido - Romain Rolland e Jean-Paul Sarte, por exemplo.
O ruído do tempo é muito mais que um romance, muito mais que uma biografia, sem ser nem um romance nem uma biografia. Nos tempos que correm em que assistimos impotentes ao ascender de ditadores, convém não nos esquecermos o que é viver num regime totalitário.
Turkey coup: 15,200 education staff suspended
Erdogan está a arrasar tudo e todos os que se lhe opõem ou opuseram. Um verdadeiro desastre, o que se está a passar na Turquia, e muito preocupante a nível global.
Rebecca - um dos clássicos mais clássicos que existem, com toda a razão e sem qualquer desmerecimento.
Tudo é bom - o ambiente, a luz, a soturnidade, a irresistível melancolia, a sugestão do medo, os excelentes actores, contidos e bem orientados, a ingenuidade de Mrs. de Winter, a tristeza de Maxim, o à-vontade insolente de Favell, a fabulosa e sinistra Mrs. Denvers.
Foi o primeiro filme de Hitchcock que vi e fiquei irremediavelmente sua enormíssima fã. Devo ter visto todos os outros, mais de uma vez, aproveitando as reposições e os ciclos comemorativos. Lembro-me particularmente de um na Gulbenkian, em que vi pela primeira vez Os pássaros, e outro no Quarteto - A janela indiscreta ou A mulher que viveu duas vezes - numa sala pequena, com muitas cadeiras em relação ao enorme écran, que nos fazia torcer o pescoço como se fosse uma cena de animação.
O filme mantém todo o suspense de quem o vê pela primeira vez e o arrepio delicioso para quem gosta deste género. Um dos melhores de Alfred Hitchcock, baseado num livro de Daphne du Maurier, e um dos exemplos cinematográficos em que a personagem principal e omnipresente está totalmente ausente.
Nada que te possa dizer
anula a traição da ternura nas palavras
a música com que descoso
linhas sem tempo que se escapam
pelos versos com que adoço
a curva do amor que ofereço.
Santana & Rob Thomas
Man, it's a hot one
Like seven inches from the midday sun
Well, I hear you whisper and the words melt everyone
But you stay so cool
My muñequita,
My Spanish Harlem Mona Lisa
You're my reason for reason
The step in my groove, yeah.
And if you said, "This life ain't good enough."
I would give my world to lift you up
I could change my life to better suit your mood
Because you're so smooth
And it's just like the ocean under the moon
Well, that's the same as the emotion that I get from you
You got the kind of loving that can be so smooth, yeah.
Gimme your heart, make it real
Or else forget about it
Well, I'll tell you one thing
If you would leave it'd be a crying shame
In every breath and every word
I hear your name calling me out
Out from the barrio,
You hear my rhythm on your radio
You feel the turning of the world so soft and slow
Turning you 'round and 'round
Or else forget about it
Or else forget about it
Oh, let's don't forget about it
(Gimme your heart, make it real)
Let's don't forget about it (hey)
Let's don't forget about it (no oh no oh)
Let's don't forget about it (no no no oh)
Let's don't forget about it (hey no no oh)
Let's don't forget about it (hey hey hey)
O golpe de Estado na Turquia fracassou. Em marcha o contra-golpe - juízes e procuradores destituídos e detidos; há a hipótese de regresso da pena de morte.
Falhou um golpe mas o contra-golpe será vencedor - sangrento e com a justiça manietada e ao serviço do poder.
Há um ano escrevi um livro
que não queria ser escrito
que ninguém quer ler.
Este ano qual será o livro
que me vai escrever?
Sax soprano de fundo
persianas bem fechadas
o ar parado de insolação.
Apenas os dedos imolam
os pássaros da solidão.
A guerra acabou
Um filme interessante, mas muito datado. A preto e branco, de uma sobriedade assinalável, silencioso e soturno, retrata a vida de um comunista espanhol exilado em França, das suas reuniões e vidas clandestinas, da sua insatisfação e crescente certeza de que a luta é anacrónica, desligada da realidade e dos verdadeiros trabalhadores, dando-se conta de uma nova geração mais violenta e destemida.
Os actores são bons e a história está bem contada, deixando-nos melancólicos e um pouco nostálgicos.
Muriel ou O tempo de um regresso
(Muriel ou Le temps d'un retour - 1963)
Absolutamente intragável. Adormeci três vezes. Mas consegui vê-lo até ao fim.
Os diálogos são péssimos e totalmente inverosímeis, as situações forçadas, a música, que entra com total despropósito é horrível, as sequências são confusas e pouco compreensíveis, os actores são maus.
A história passa-se em Boulogne-sur-Mer, à volta de uma mulher viúva (Hélene), que vive num apartamento que é simultaneamente a sua loja de antiguidades, com o enteado (Bernard), traumatizado por actos de tortura a uma mulher (Muriel) durante a guerra da Argélia. Hélene recebe um antigo amante (Alphonse), que a visita com uma jovem actriz (Françoise) que faz passar por sobrinha. Hélene tem o vício do jogo e sofre ainda com as memórias da II Guerra Mundial, mais precisamente dos seus bombardeamentos em 1943 e 1944, altura em que conheceu e amou Alphonse.
Já vi outros filmes de Alains Resnais, bastante posteriores, dos quais gostei. Até tenho medo de rever algum!
Nestas horas de horror, em que todos nos interrogamos como é possível e que motivações poderão estar por detrás de semelhantes carnificinas, o que leva um homem a lançar um camião para cima de uma multidão de gente com a vontade e o objectivo de as matar, procuramos, mesmo sem querer, culpados. Aplaca-nos o sentido de justiça ter alguém a quem acusar, julgar e condenar.
Por isso me custam as várias notícias que poderão ser extemporâneas sobre a ineficácia e a incapacidade da polícia e/ ou de outras autoridades francesas no combate ao terrorismo. Não fazemos ideia do que se passou nem do número de vezes que terão sido prevenidos outros ataques, tão ou mais sangrentos que este.
Por outro lado também não me parece que se possa concluir já que este foi um ataque do DAESH ou da AL QAEDA ou de outro qualquer grupo terrorista. Até agora, que saibamos, ainda não foi reivindicado por nenhum dos grupos que o celebram e aplaudem. A acreditar nas notícias, o homem estaria acompanhado por armas falsas e por uma granada inutilizada. Parece-me muito bizarro, tudo isto.
Por isso penso que todos devemos ter cautelas redobradas perante conclusões que poderão ser apressadas e erradas. O horror e a solidariedade que sentimos assim como o desejo de esclarecimento não devem sobrepor-se à frieza e capacidade de análise, de forma a não sermos arrastados para mais ódios e mais medo.
E lá fomos à Fundação Calouste Gulbenkian. Como de costume, um oásis de calma, silêncio, simples sofisticação e bem-estar.
Visitámos duas exposições temporárias:
40 anos
Eleições Presidenciais
Um Presidente para todos os Portugueses
Esta exposição inaugurou-se no passado 27 de Junho, dia do aniversário das primeiras eleições presidenciais livres e democráticas. Para quem, como eu, viveu esses tempos heróicos, é quase comovente lembrar os dias das campanhas, os cartazes, os discursos, as conferências de imprensa e até o enfarte do miocárdio de Pinheiro de Azevedo, o Almirante sem medo e que tinha sido um pilar no Verão quente de 1975.
Aos mais jovens, não percam este pequeníssimo pedaço de história viva, em que observamos os protagonistas de um tempo que nos parece já tão longínquo mas que ainda nos é tão próximo. Um época em que as Forças Armadas eram olhadas como defensoras dos cidadãos e não como um corpo estranho e gastador de recursos, como o é na actualidade e o era antes da revolução de Abril.
Ramalho Eanes foi eleito por cerca de 62% dos votos (fez ontem 40 anos da tomada de posse). Quarenta anos passados todos lhe reconhecem uma estatura, uma integridade e um sentido de missão e de serviço público que foram decisivos na democratização do regime e na recuperação da serenidade. É com justiça que tem recebido inúmeras condecorações, mas a maior de todas é o reconhecimento e a gratidão de todos os cidadãos portugueses.
À saída estava a passar um fragmento de um comentário da época de... Marcelo Rebelo de Sousa! Já nessa altura comentava, dizia e fazia muitas coisas...
Aberta ao público até 27 de Julho.
Linhas do Tempo
Esta exposição inscreve-se na comemoração dos 60 anos da própria Fundação Calouste Gulbenkian. Se puder faça pontaria para assistir à visita guiada. Eu gosto de o fazer, mais para perceber melhor a ideia subjacente à exposição e para me dar conta de tantos pormenores e informações que desconheço de todo.
Confesso que me desiludiu um pouco. Os fios condutores e as razões da escolhas de algumas obras em detrimento de outras não me parece muito claro. Percebemos que há o conceito de mostrar o que é a colecção adquirida por Calouste Gulbenkian e o que foi adquirido posteriormente, mantendo vivo o museu e actualizando obras e artistas, mas pouco mais.
Uma das informações que nos é dada é que Calouste Gulbenkian não adquiriu nenhuma obra de qualquer artista português, o que me fez pensar e indagar o porquê dessa ausência. Vasculhando a sua história não consegui entender a razão para tal esquecimento. Enfim, uma personagem um tanto ou quanto enigmática, cujo legado tem sido determinante no desenvolvimento e divulgação da cultura e da ciência em Portugal.
O almoço, desta vez, foi marroquino e muito agradável: tagine de frango com limão e azeitonas e de vaca com ameixa e amêndoas, antecedidas por uma mistura de várias saladas e de paparis com alguns molhos, e acompanhadas de naan (o restaurante é marroquino e indiano). Estava-se bem na esplanada, com um grande senão - os carros estacionados mesmo, mesmo ao lado.
Nice, Promenade des Anglais (1891)
Edward Munch
A tudo nos habituamos e ao que de pior temos também. A multiplicação da morte e da violência, sem se perceber exactamente em nome de quê, de quem, para quê ou para quem, por muitas explicações mais ou menos informadas, mais ou menos realistas, mais ou menos apaixonadas que ouçamos, transforma a barbárie na norma e nós em seres sem palavras, sem lágrimas, sem paixão para a revolta.
Talvez por isso e paradoxalmente a nossa melhor arma seja o silêncio e a indiferença, tratando todo este horror e ignomínia como mais uma distracção de verão.
Talvez os mentores de toda esta carnificina em todo o mundo, privados do melhor instrumento terrorista que é a divulgação e a manutenção do medo, percebam que continuaremos a viver e a trabalhar, a passear e a aplaudir, a dançar e a sofrer diariamente com aquilo que nos é mais precioso – a nossa liberdade.
Isto de gozar as férias ao ritmo do que nos apetece, lento ou frenético, decidindo na hora o que se veraneia, não é tão fácil como parece.
Decididos a visitar o Museu Gulbenkian, que comemora os seus 60 anos de existência, levantamos a âncora de casa na terça-feira, muito bem-dispostos com a perspectiva de dar uma volta pelas livrarias que estão ao pé, principalmente a Pó dos Livros e a Livraria Europa-América, na Av. Marquês de Tomar.
Carro bem estacionado do parque da Av. De Berna, de mão dada até à entrada principal da Fundação, estranhamente esvaziada para um dia de Julho com inúmeros turistas deambulando pela Capital. Percebemos rapidamente porquê: a Gulbenkian fecha precisamente às terças-feiras.
Não faz mal, podemos ir lá depois. Avançamos para a Pó dos Livros, da qual ambos gostamos muito. Só que, após subir e descer a Av. Marquês de Tomar, olhando para a esquerda e para a direita, não vislumbramos a livraria. Será que faleceu? O que vale é que o smartphone tudo resolve, maravilha das tecnologias de informação. E não, não faleceu nem está em fase agónica. Descobrimos que se tinha deslocalizado para a Av. Duque de Ávila, há mais de 1 ano, e que continua um espaço muito agradável, com boa exposição e boa variedade de livros.
No entretanto, enquanto a procurávamos, entrámos na Livraria Europa-América que tem um Espaço Arte com uma exposição de pintura e escultura, de que destaco as obras de Henrique Gabriel e de Moisés Preto Paulo, muitíssimo interessantes.
Enfim, é hora de almoçar - que tal uma esplanada à beira rio? Se bem o pensámos, melhor o fizemos. A Piazza di Mare, ao pé do Museu da Electricidade, era uma escolha que combinava a esplanada, o rio e as saladas. Repetimos o estacionamento do carro, desta vez ao pé do Café In, e fomos a pé, gozando o sol e o azul do Tejo, até à Piazza di Mare. Só que, para além de umas obras, não demos com o dito restaurante. Será que nos enganámos e que era mais ao pé de Algés? Depois de algum tempo tornámos ao smartphone para nos darmos conta de que as ditas obras eram os antigos Piazza di Mare e BBC.
Ficámo-nos pelo Café In, concluindo que estávamos completamente out.
Férias, daquelas que nunca mais acabam, para gozar em pleno, todos os 3600 segundos de cada hora. Preguiça ao acordar, ao levantar, ao pequenalmoçar, preguiça e energia sem perdão, para começar gulosamente este intervalo que se não deverá repetir tão cedo.
De quantos filmes empilhados à espera da vez, da paciência e da disponibilidade de espírito, comecei pelos clássicos:
O rapaz do cabelo verde
(The Boy with Green Hair - 1948)
Lembrava-me de o ter visto na televisão, já há muitos anos. A única lembrança que tinha era de um libelo anti discriminação, nomeadamente de uma cena em que a professora perguntava, na sala de aula, quantos meninos tinham o cabelo castanho, depois, preto, depois verde, depois vermelho (ruivo), em que o embaraço do ruivinho mostrava que a cor do cabelo não era razão para marginalizações.
Nature boy
Nat King Cole
O filme é muito mais que isso. Vê-se muito bem, mesmo depois destes anos todos. É muito ingénuo e cheio de boas intenções, filmado como se fosse uma história de fadas, numa mistura de musical e drama, mas que é uma espécie de grito de alerta para o sofrimento dos órfãos de guerra.
Esta terra é minha
Há filmes que são eternos. A preto e branco, em plena II Guerra Mundial, este é um filme sobre a humanidade, os homens com as suas contradições, as suas cobardias e os seus heroísmos, em que os bons e os maus não são só bons nem só maus. É o retrato de um País ocupado e da forma como a noção e a necessidade de sobrevivência enformam o relacionamento com o poder e com o opressor. É uma carta de amor a França e à liberdade, em que percebemos como é fácil sermos colaboracionistas ao tentarmos justificar os nossos medos e os nossos sentimentos de ciúme e de amor possessivo, os nossos oportunismos e cegueiras quanto à criação de um mundo novo e de um Homem novo. De uma actualidade intemporal. Jean Renoir fê-lo em Hollywood, onde viveu e trabalhou durante os anos de ocupação da França pelos alemães.
Santana & Everlast
Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you lovers
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you killers
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on
Cause there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say I've got nothing to fear
There's a darkness living deep in my soul
I still got a purpose to serve
So let your light shine, deep into my home
God, don't let me lose my nerve
Don't let me lose my nerve
Hey now, hey now, hey now, hey now
Wo oh hey now, hey now, hey now, hey now
Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on
Because there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say's I've got nothing to fear
She says: La illaha illa Allah
We all shine like stars
She says: La illaha illa Allah
We all shine like stars
Then we fade away
Dolores Duran
Zizi Possi
Nana Caymmi
Milton Nascimento
Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
quero a primeira estrela que vier
para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero paz de criança dormindo
quero o abandono de flores se abrindo
para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
quero ternura de mãos se encontrando
para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo
eu quero toda beleza do mundo
para enfeitar a noite do meu bem
Mas como esse bem demorou a chegar
eu já nem sei se terei no olhar
toda ternura que eu quero lhe dar
É claro que Maria Luís Albuquerque tem toda a razão.
Se ela fosse (ainda) Ministra das Finanças, significaria que o governo do País era (ainda) de direita e que o Primeiro-ministro seria (ainda) Passos Coelho, e que o Vice Primeiro-ministro seria (ainda) Paulo Portas.
Ou seja, que a Comissão Europeia e o Eurogrupo certamente nunca avançariam com sanções a Portugal, mesmo que o défice tivesse dobrado os 3%.
Ou seja, que Wolfgang Schäuble e Klaus Regling não estariam minimamente preocupados com Portugal, porque Portugal (ainda) era um membro de pleno direito do status quo europeu.
Ou seja, a vontade de sancionar Portugal não tem nada a ver com o défice de 2015, mas apenas com a ousadia e o despautério deste País por ter arranjado uma Geringonça, ao contrário da Caranguejola que o status quo europeu queria que (ainda) governasse.
Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...