Férias, daquelas que nunca mais acabam, para gozar em pleno, todos os 3600 segundos de cada hora. Preguiça ao acordar, ao levantar, ao pequenalmoçar, preguiça e energia sem perdão, para começar gulosamente este intervalo que se não deverá repetir tão cedo.
De quantos filmes empilhados à espera da vez, da paciência e da disponibilidade de espírito, comecei pelos clássicos:
O rapaz do cabelo verde
(The Boy with Green Hair - 1948)
Lembrava-me de o ter visto na televisão, já há muitos anos. A única lembrança que tinha era de um libelo anti discriminação, nomeadamente de uma cena em que a professora perguntava, na sala de aula, quantos meninos tinham o cabelo castanho, depois, preto, depois verde, depois vermelho (ruivo), em que o embaraço do ruivinho mostrava que a cor do cabelo não era razão para marginalizações.
Nature boy
Nat King Cole
O filme é muito mais que isso. Vê-se muito bem, mesmo depois destes anos todos. É muito ingénuo e cheio de boas intenções, filmado como se fosse uma história de fadas, numa mistura de musical e drama, mas que é uma espécie de grito de alerta para o sofrimento dos órfãos de guerra.
Esta terra é minha
Há filmes que são eternos. A preto e branco, em plena II Guerra Mundial, este é um filme sobre a humanidade, os homens com as suas contradições, as suas cobardias e os seus heroísmos, em que os bons e os maus não são só bons nem só maus. É o retrato de um País ocupado e da forma como a noção e a necessidade de sobrevivência enformam o relacionamento com o poder e com o opressor. É uma carta de amor a França e à liberdade, em que percebemos como é fácil sermos colaboracionistas ao tentarmos justificar os nossos medos e os nossos sentimentos de ciúme e de amor possessivo, os nossos oportunismos e cegueiras quanto à criação de um mundo novo e de um Homem novo. De uma actualidade intemporal. Jean Renoir fê-lo em Hollywood, onde viveu e trabalhou durante os anos de ocupação da França pelos alemães.
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