30 setembro 2011

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 Leonel Moura


 


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OBRAS DE

Ana Hatherly
Fernando Aguiar
ISU
[Leonel Moura]


ATÉ 23 DE OUTUBRO


SEGUNDA A SEXTA DAS 10H ÀS 19H


SÁBADO E DOMINGO DAS 11H ÀS 16H



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Robotarium / LxFactory
Rua Rodrigues Faria, 103, H02
1300-501 Lisboa
T: +351 213625286

Jardim particular

 



Rubén Roig


 


Assiduamente visito o meu pequeno jardim particular


delicadamente rodeio ervas pisadas pelas almas noturnas


que lembram implacavelmente a minha incapaz arrogância.


A memória como espada no meu pequeno jardim particular


que espera a minha própria tabuleta


onde finalmente irão crescer as rosas da redenção.

29 setembro 2011

De volta

 


A infecção do blogue e o muito trabalho desmotivaram-me de ir escrevendo. Mas não têm faltado bons motivos para o fazer.


 


Independentemente de se concordar com a oferta de dinheiro para premiar o mérito, este deve ser premiado. O incentivo ao sucesso é tão importante como a luta pela redução do insucesso escolar. E decidir retirar o prémio a dias da sua entrega é inaceitável, como inacreditável é a justificação que o Ministro Nuno Crato resolveu dar. Péssimo sinal deste Ministro e deste governo. Ainda bem que a Ordem dos Médicos resolveu assumir o pagamento de alguns dos prémios. Espero que outras Instituições, ou Empresas, ou Cidadãos, em grupos ou solitários, façam a mesma coisa.


 


Também aguardo as notícias do que acontecerá a quem está envolvido nesta vergonha. Aos professores faltosos e aos médicos que lhes atestaram as baixas.


 


Paulo Macedo avança na Saúde. A redução dos preços dos medicamentos e a alteração das regras de isenção às taxas moderadoras são de saudar, ficando a reserva para o montante que vão atingir, ainda não decidido.


 

27 setembro 2011

Blogue malicioso

 



 


Há alguns dias que quem quer aceder ao meu blogue encontra um aviso de blogue malicioso.


 


Já tentei acabar com a malícia obedecendo às isntruções do blog do Sapo, mas continuo com peste entre os bloguers e a infectá-los, provocando epidemias maliciosas.


 


Dizem-me para esperar. É o que faço, com a maior calma que consigo (muito pouca, confesso).


 


Resta-me pedir para não desistirem.


 


Nota: Já removi tudo o que tinha a ver com o contador de visitas, o tal vírus. Quem quiser pode ignorar o aviso e continuar - nada de mal lhe poderá acontecer... penso eu.


 

25 setembro 2011

A poda das anonas

 



 


Muito mais importante que a crise das dívidas soberanas, a falência da Grécia, o implodir da Europa ou os impostos em Portugal, é a problemática da poda das anonas.


 


Podar ou não podar, eis a questão.

O ónus da prova

 



 


A coligação PSD/CDS, o BE e o PCP aprovaram legislação sobre o crime do enriquecimento ilícito.


 


Se lermos as propostas de lei, ficamos a saber que, para estes partidos políticos, os cidadãos deverão fazer prova de que as suas aquisições e/ou despesas não foram feitas de forma criminosa:


 


PSD/CDS


Artigo 386º


Enriquecimento ilícito 


1 - Sempre que se verifique um incremento significativo do património, ou das despesas realizadas por um funcionário, que não possam razoavelmente por ele ser justificados, em manifesta desproporção relativamente aos seus rendimentos legítimos, com perigo manifesto daquele património provir de vantagens obtidas de forma ilegítima no exercício de funções, é punível com pena de prisão até 5 anos.


 


BE


Artigo 371.º-A


Enriquecimento ilícito 


1 - O titular de cargo político, de alto cargo público, funcionário ou equiparado que esteja abrangido pela obrigação de declaração de rendimentos e património, prevista na Lei nº.4/83, de 2 de Abril, com as alterações que lhe foram subsequentemente introduzidas até à Lei n.º 38/2010, de 2 de Setembro, que por si ou interposta pessoa, estejam na posse ou título de património e rendimentos manifestamente superiores aos apresentados nas respectivas e prévias declarações, são punidos com pena de prisão de um a cinco anos.


2 - A justificação da origem lícita do património ou rendimentos detidos, exclui a ilicitude do facto do respectivo titular.


 


PCP


Artigo 374.º-A


Enriquecimento ilícito 


1 - Os cidadãos abrangidos pela obrigação de declaração de rendimentos e património, prevista na Lei n.º 4/83, de 2 de Abril, com as alterações que lhe foram subsequentemente introduzidas, que, por si ou por interposta pessoa, estejam na posse de património e rendimentos anormalmente superiores aos indicados nas declarações anteriormente prestadas e não justifiquem, concretamente, como e quando vieram à sua posse ou não demonstrem satisfatoriamente a sua origem lícita, são punidos com pena de prisão até três anos e multa até 360 dias. 


2 – O disposto no número anterior é aplicável a todos os cidadãos relativamente a quem se verifique, no âmbito de um procedimento tributário, que, por si ou por interposta pessoa, estejam na posse de património e rendimentos anormalmente superiores aos indicados nas declarações anteriormente prestadas e não justifiquem, concretamente, como e quando vieram à sua posse ou não demonstrem satisfatoriamente a sua origem lícita.


 


A partir de agora são os cidadãos que têm que demonstrar a sua inocência, não o Ministério Público que tem que provar a sua culpabilidade. A subversão da segurança e do Estado de Direito.


 


Parabéns a todos os deputados do PS, ou de qualquer outro partido, que não votaram esta lei. A demagogia e o populismo estão a dar os seus frutos de uma forma perigosa.


 


O combate à corrupção não tem nada a ver com isto.

O Povo, sou eu

 



poema de


José Manuel Jesus Monteiro


fotografia de


Micha Gordin


Crowd


 


1.


De sol a sol recurvado,


Com as mãos cheias de calos,


Presto jeiras ao Senhor.


Crio o gado, limpo o mato,


Sego o trigo, depois ato,


Sinto as fúrias do calor.


Na eira malho a preceito,


Da figueira colho o fruto,


A secar o estendo a jeito


E depois meto na arca.


Doze Servos, sete Bispos,


Três Senhores e um Monarca.


Nos três dias do entrudo


Como muito e bebo mais,


Faço doestos, graçolas:


Nestes dias vale tudo.


Faço jejum, dou esmolas,


Vou à missa ouvir sermões,


Dízima dou, compro bula,


Digo amem, curvo a cerviz,


Confesso o que nunca fiz:


É o tempo quaresmal.


Doze Monges, sete Vigários,


Três Arcebispos e um Cardeal.


 


2.


Tomo a lança pela enxada,


Pelo arado tomo a besta,


Pelo saiote, a armadura.


Do céu aceito a ventura,


Co’a cruz no peito e na testa,


Se lutando achar a morte.


Co’ Afonso desço do norte


Tomo o Tejo até à foz,


Serpa, Moura e Badajoz,


Com Geraldo sou bandido.


Doze Gritos, Sete Ais


Três Suspiros e um Gemido.


Com o Tejo lá tão longe,


Só vejo água noite e dia.


Quando, em terra, lanço o ferro


Nas coxas de uma gentia.


Com o Mendes Pinto dou,


Na velha terra dos Chins,


Grandes gritas, fico mudo.


Com Faria sou pirata


Roubo ouro, roubo prata,


Tendo ido além de tudo:


De mim e do Bojador.


Doze Marujos, sete Batéis,


Três Tempestades, um Adamastor.


 


3


O sambenito me vestem,


Levo uma vela na mão,


Por culpas de judaísmo,


Cristão-novo seja ou não,


Levam-me ao auto de fé.


Rompe em folgança a ralé,


Distraem-se a Corte e o Rei


Co’espetáculo que se vê.


Em fumo me tornarei,


Que a humana carne cheira.


Doze Judeus, sete Bruxas,


Três Archotes e uma Fogueira.


O Guiça mata o Rei.


Alguns choram, outros dançam:


A política é de loucos.


Cai a Monarquia aos poucos,


Ninguém lhe pode valer.


Eu próprio, que nem sei ler,


Sei bem como é urgente


Ao povo dar instrução,


Fazendo desta Nação


A mesma, mas diferente.


Doze Escolas, sete Oficinas,


Três Sindicatos, um Presidente.


 


4


Sou rapaz, quase menino,


Vou à guerra sem querer.


Infeta-me o paludismo


Nas bolanhas da Guiné.


Perco um braço em Moçambique,


Em Angola deixo um pé.


A mim próprio me pergunto


A razão de tanto mal,


A mim, que mato em Mueda


E morro em Vila Cabral.


Doze Soldados, sete Furriéis,


Três Majores e um General.


Mas a sombra, mas o medo,


Censura o que digo e faço.


Conspiro mas em segredo,


Pra viver falta-me espaço,


Clandestino, estou em mim.


Suporto, tristeza vil,


Do poder a mão pesada.


Mas num mês chamado abril


Ergo a voz na madrugada,


Grito basta, digo não.


Doze Soldados, sete Marinheiros,


Três Capitães, uma Revolução.


 


5


Do negro, me visto agora,


Da fome que dá vergonha.


Só vejo no ar morcegos,


Corvos, vampiros, falcões:


De ganância estou cercado!


São políticos os cegos


Que só pensam em cifrões.


Da saúde, paz e pão,


Do trabalho e educação,


Aos poucos, estou privado!


Doze Investidores, sete Fundos,


Três Banqueiros e um Mercado.


 

21 setembro 2011

Para o Sr. Presidente

 



 


 

Um dia como os outros (97)

 



Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante.


 


Aníbal Cavaco Silva

A clarificação

 


Apenas vi excertos da entrevista concedida por Passos Coelho, ontem, na RTP1. Mas numa das partes que vi Passos Coelho demarcou-se definitivamente de Alberto João Jardim.


 


É claro que eu gostaria muito que fosse possível, estatutariamente, afastá-lo da candidatura ao Governo Regional. Mas o PSD da Madeira é independente do PSD nacional. Portanto não concordo com Carlos Zorrinho, que o acusou de ter uma posição dúbia.


 


Quem se mantém em silêncio é o Presidente.

19 setembro 2011

Manobras de diversão

 


Será que esta notícia do Público é verdadeira? E continuamos a ouvir o silêncio presidencial.


 


As manobras de diversão já estão em marcha. Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, chegou a ser patético. Teodora Cardoso esclareceu que não aceita que o Banco de Portugal seja o bode expiatório.


 


Alberto João Jardim ainda não teve a decência de se retirar para um local bem longínquo.

Ana Vidigal - Estilo Queen Anne

 


Inaugura a 21 de Setembro, 4ª feira, às 22:00h


 


 



 


Baginski Galeria/Projectos


 

Luz verde

 



U Lun Gywe


 


Se ainda te quisesse, nas horas


que passam ao ritmo dos monitores,


naquela luz verde e crua da suspensão da vida,


se ainda me quisesse, nas horas


que escoam entre o branco dos lençóis,


naquela ânsia silenciada da negação da morte,


se ainda nos quisesse, por muito que o não soubesse,


poderia mergulhar sem medo


na próxima madrugada.


 

18 setembro 2011

Clarificação - precisa-se

 


Mudei de ideias. Depois da confissão pública de Alerto João Jardim em relação à ocultação das dívidas da Madeira, Passos Coelho deveria assumir claramente que considera a candidatura de Jardim um atentado à dignidade do País.



Nosso estranho amor

 



Caetano Veloso 


 


Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor


 


Ah! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não


 


Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois


 


Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor

Para mais ninguém

 



 Marisa Monte


 


 


Entre nós deve haver sinceridade
Eu não sei o que é que você tem
Que não me beija nem me procura
Eu tenho medo de perder alguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém

O silêncio é uma tortura
Alguma coisa se perdeu
Você já não me olha como antes com ternura
Só falta me dizer adeus, adeus.

O silêncio é uma tortura
Alguma coisa se perdeu
Você já não me olha como antes com ternura
Só falta me dizer adeus, adeus.

Entre nós deve haver sinceridade
Eu não sei o que é que você tem
Que não me beija nem me procura
Eu tenho medo de perder alguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém
Mais ninguém, ninguém.
Mais ninguém.

Pornografia política

 


A tentativa que alguns fazem, ao comparar a situação na Madeira com a situação no resto do país, de colar a inenarrável prestação de Alberto João Jardim à de Sócrates e dos seus governos, assim como as mais recentes declarações do ainda Presidente da Região Autónoma, pertencem ao domínio da pornografia política.


 


Alberto João Jardim sempre governou em défice, tanto em épocas de recessão como em épocas de expansão, desprezando as várias tentativas que houve para por cobro a tanto populismo despesista. A República, ou o Contenente, palavra que ele cospe com arrogância, já encaixaram vários milhões pelo perdão de dívidas resultantes do seu desgoverno.


 


Em política não pode valer tudo. No entanto o Presidente Cavaco Silva ainda não se pronunciou. 

17 setembro 2011

Madeira - democracia por cumprir

 


Pacheco Pereira, na última Quadratura do Círculo, queixava-se da mediocridade do congresso do PS. Não tenho muita dificuldade em dar-lhe razão. Mas a mediocridade não tem apenas a ver com o que se passa dentro do congresso, do PS ou de outros partidos. Está na proporção directa da mediocridade de quem, na comunicação social, faz a divulgação do que se passa nos congressos.


 


Durante o dia de hoje, na TSF, as grandes e importantes perguntas que os jornalistas fizeram a António José Seguro foi se o PS está ou não unido, se A criticou B e se C gostou das declarações de D, e se E se ofendeu com F.


 


A cobertura mediática da luta política transformou-se numa telenovela sem qualidade, assemelhando-se às tricas de vizinhos coscuvilheiros. Os próprios responsáveis políticos entram na telenovela e alimentam o guião, lançando farpas uns aos outros sem a menor vergonha, para poderem aparecer à hora das notícias, de semblante severo e ar contrito, a dizer as maiores banalidades.


 


António José Seguro exige que Pedro Passos Coelho retire a confiança política a Alberto João Jardim - a que propósito? Há muito tempo que penso que todos anteriores governantes têm responsabilidade na manutenção de semelhante figura à frente do Governo Regional. Tanto quanto me recordo, Passos Coelho foi mesmo o Presidente do PSD que, até agora, mais se demarcou da actuação dele. Mas o problema verdadeiro é o facto do PSD Madeira o manter à frente do partido, é o facto do eleitorado da Madeira continuar a votar nele.


 


Temos que mudar de povo? Não, temos é que garantir que o povo está na posse de toda a informação. E isso é uma questão de funcionamento da democracia na Região Autónoma da Madeira, de liberdades, direitos e garantias. Isso é assunto para pedir declarações ao Presidente da República.


 


Portanto, o que eu gostaria é que António José Seguro e outros exigissem uma declaração a Cavaco Silva. Os silêncios esfíngicos mantém a cumplicidade que o Presidente sempre sustentou com a situação madeirense, a par de Manuela Ferreira Leite, Jaime Gama e, por fim, José Sócrates que, após a guerra iniciada por causa da lei das finanças regionais, acabou por capitular.


 


Por isso eu continuo a aguardar a comunicação ao país do Mais Alto Magistrado da Nação, sobre o gravíssimo défice democrático na Região Autónoma da Madeira.


 


 


 

16 setembro 2011

A Madeira não pode continuar a ser Jardim

 


O total desgoverno na Região Autónoma da Madeira, com o desvario de Alberto João Jardim, é fruto da irresponsabilidade dos anteriores governos, de direita, de centro e de esquerda, dos anteriores Presidentes da República e também do actual.


 


Finalmente, a estrela de Alberto João Jardim está a empalidecer, infelizmente à custa de todos nós. Restam-me poucas dúvidas que a descoberta, ou mais especificamente, a divulgação da descoberta das dívidas da Madeira, se devem à Troika. Além do descrédito internacional, aguardemos as consequências que as décadas da insanidade e populismo de Alberto João Jardim terão.


 


Também penso que a confiança política deverá ser o povo madeirense a dar ou retirar. Mas qual é a informação que o povo madeirense tem desta situação? Que conhecimento tem tido o povo madeirense do que se passa na sua terra? Que fiscalização democrática tem sido exercida pelo povo madeirense, em relação ao seu governo regional? Que garantia do funcionamento das instituições há no território madeirense?


 


Seria muito interessante que a magistratura de influência de Cavaco Silva resultasse no afastamento imediato e definitivo do actual Presidente do Governo Regional. Mas não é espectável. Não com este Presidente da República, que nem sequer teve a ousadia de recusar o desrespeito institucional a que foi sujeito quando não foi recebido condignamente no Parlamento da região.


 

15 setembro 2011

O regresso da Santa Inquisição

 


(...) Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (...)


 


 


Porfírio Silva


 


Vale a pena ficar a saber.

Um dia como os outros (96)


(...) O facto de, neste caso, o secretário-geral do PS, ter decidido passear-se pelos bastidores da informação com ar de aluno aplicado à mesma hora em que estavam a discursar delegados é demonstrativo de uma certa concepção cénica dos congressos que se instituíu, e que assenta, por muitos discursos em que se proclame o contrário, numa objectiva falta de respeito pelas bases do partido ali representados pelos delegados. De uma forma distante e racional reconheça-se que os militantes, depois da vitória na eleição para o cargo, passaram para um óbvio segundo plano quando em comparação com os jornalistas que se torna sempre necessário cortejar... (...)


 


A. Teixeira


 

14 setembro 2011

A Madeira não é Jardim

 



 


Durante décadas as inacreditáveis prestações de Alberto João Jardim, antidemocráticas, populistas, despesistas, demagógicas e ditatoriais, foram toleradas e bem aceites pelos seus correligionários políticos, pelos jornalistas e pelos comentadores.


 


O Presidente da República aceitou ser destratado, aceitou o apoucamento da Assembleia Regional da Madeira, tornando-se cúmplice de toda a triste palhaçada que tem sido o desgoverno da Região Autónoma da Madeira. Sócrates e Teixeira dos Santos não tiveram a solidariedade da oposição quando tentaram por cobro a esses desmandos.


 


Agora os jornais gritam a astronómica dívida da Madeira e as dementes declarações de Alberto João Jardim. Será que é o milagre da Santa Troika? O que tem o Presidente da República a dizer à hipotética fraude nas eleições presidenciais de 1980?


 


Será altura do PSD e do Presidente da República claramente se demarcarem de Alberto João Jardim. Não é lícito calar tudo em troca de votos.


 

Estilhaços

 



 


Gerry Judah


 


Levamos a vida a erguer muros de pedras


de estacas de vidro


inquebráveis invisíveis


duros permanentes invioláveis.


Basta um sopro gelado um segundo de desatenção


para que tudo se desmorone e os estilhaços


do vento decalquem as feridas espalhando-as


sem discrição.

Novas oportunidades

 


 



 


Tal como fomos intoxicados pelos partidos da oposição sobre os malefícios da política dos anteriores governos em relação a tudo, mesmo em relação à crise e aos mercados que, subitamente, passaram a ser internacional e inimigos de Portugal, respectivamente, também o fomos em relação à política educativa, com o sistema de avaliação dos professores, que subitamente passou a ser menos importante e a merecer um virar de página, e à incompetência diplomada do programa Novas Oportunidades.


 


Claro que o relatório da OCDE foi imediatamente desvalorizado e acusado de esconder a realidade do país. Não se percebe muito bem quais os instrumentos que Nuno Crato e a restante oposição, particularmente o PSD e o CDS, usaram para medir a realidade do país nem o desvio existente, segundo os mesmos, entre o real e o imaginado e descrito no dito relatório. Nem a causa da OCDE, apesar de em anteriores relatórios ter espelhado o horror da governação socialista, aliás aproveitados pelo agora Ministro, ter repentinamente optado por esconder fosse o que fosse.


 


A dúvida metódica é um método de análise muito apropriado que deve ser aplicado a todas as questões que se nos colocam, de forma crítica e sistemática. Portanto, após a observação da abrupta mudança de estilo e de verdades inquestionáveis a que o PSD e o CDS nos habituaram, com a fronteira bem demarcada pelas eleições legislativas, podemos mesmo, através desse método cartesiano, concluirmos que se alguém escondeu, ou melhor deturpou, a realidade, foram os partidos da anterior oposição.


 


Nota: A propósito vale a pena ler Hugo Mendes.

11 setembro 2011

A memória contra a mentira

 


Considerei o discurso de António José Seguro um bom discurso. Mas a intervenção de Francisco Assis foi a de um líder, de alguém que não renega a história do seu partido, de alguém com uma formação democrática, livre, com a consciência limpa e do que quer para o futuro.


 


Não houve silêncios sobre assuntos delicados, nem abafamento de passados incómodos. Não só disse o essencial e mais importante sobre a forma como esta direita assumiu o poder, ligando-a a uma falha moral, como sobre o patrocínio que esta direita teve e tem do Presidente da República, que assim subverteu e subverte aquele que deveria ser o seu papel. Falou do objectivo central deste governo - o deslegitimar dos poderes públicos do estado - e assumiu com orgulho o legado dos últimos 6 anos de governo socialista, lembrando aos mais esquecidos, como o recém-eleito e legitimado António José Seguro, a necessidade de continuar esse projecto - a qualificação do país com a aposta na escola pública, na ciência e na inovação tecnológica e a modernização da economia, sem esquecer o rigor financeiro, ou seja, olhar para além da crise.


 


Francisco Assis alertou para a aplicação das doutrinas liberais com efeitos que poderão ser devastadores para a coesão social, a propósito do esmagamento da classe média. Embora não o acompanhe no exemplo que citou (o dos cortes nos incventivos aos transplantes) subscrevo todas as suas preocupações - é essencial que se relance o debate político sobre a sociedade que queremos e defendemos, não aceitando um país de desiguais.


 


António José Seguro ganhou as eleições dentro do partido, tudo faz e fará para manter a boa imprensa, mesmo com atitudes pouco edificantes com a que ontem protagonizou, com a ridícula visita aos bastidores da comunicação social, desalojando António Costa do seu lugar de entrevistado. Uma pose totalmente artificial que não enganou ninguém.


 


António José Seguro poderá ser um corredor de fundo, mas falta-lhe a força das ideias.

Ecos

 


 



9 de Setembro/2001


World Trade Center - USA


 


Ecos de silêncios dobrados


distantes mas persistentes


pesados laços invisíveis


anteriores ao mundo que sabemos.


 


Pássaros e pedras em mãos esmagadas


fogo e gelo em horas derramadas.


Ecos agudos de quem já não é


mas sente.


 

10 setembro 2011

Congresso socialista

 



 


O congresso do PS que está a decorrer em Braga é de grande importância para a vida democrática. É necessária a oposição da esquerda democrática corporizada pelo PS. É necessária a definição ideológica do PS e a sua demarcação do PSD e do CDS. Nesse sentido o que de mais interessante teve o discurso de António José Seguro o esclarecimento dessas diferenças:



  • a recusa de alterar a Constituição, consagrando um enfraquecimento do Estado Social;

  • a igualdade na distribuição de riqueza, equidade e justiça social;

  • a recusa de um estado assistencialista, com a tónica na dignidade humana e nos direitos sociais das pessoas;

  • a colocação do rigor orçamental e do controlo das finanças ao serviço da população;

  • a defesa de uma governação política e económica para a Europa;

  • a defesa da confiança nos cidadãos e inviolabilidade das liberdades políticas



Apesar de haver pouca assertividade na afirmação de que a inscrição de limites constitucionais ao défice e à dívida pública não contariam com o apoio do PS, e das generalidades sobre o caminho europeu, não se percebendo muito bem o que significa um europeísmo crítico, António José Seguro fez um bom discurso. No entanto, para além de uma pequena referência aos anteriores líderes do PS, António José Seguro evitou cautelosamente a defesa dos governos de Sócrates, nomeadamente na área da Educação, nas apostas tecnológicas, na política energética e no investimento científico.


 


Os erros cometidos deverão ser pensados e ultrapassados, mas nunca o PS deverá esconder ou apagar as anteriores legislaturas, nem aceitar a tese propagandeada da destruição do país.


Finalmente

 


O modelo de avaliação dos professores foi aprovado sem a assinatura da FENPROF. Parabéns ao Ministro Nuno Crato que conseguiu manter a coerência de um processo iniciado por Maria de Lurdes Rodrigues, pugnando pela dignificação da classe docente.

Agora os mais velhos

 


O Ministro Pedro Mota Soares descobriu mesmo o milagre da multiplicação de vagas. Depois dos mais novos volta-se para os mais velhos. O melhor mesmo é encher os quartos com beliches, tipo camarata: em vez de 5.000 arranjavam-se 10, 20 ou 30.000 vagas a mais. Também se podem aligeirar as regras de higiene (tomar banho todos os dias é um desperdício de água, para além de uma aumento de carga para as estações de tratamento de esgotos); desligar os aquecedores ajuda a reduzir o consumo de electricidade.


 


Enfim, novas e aforradoras medidas poderão ser somadas às já tomadas nos lares e nas creches. Os clientes queixam-se pouco.



09 setembro 2011

Das crónicas de Verão

 


Obrigatoriamente teremos que falar das praias, do calor, da falta de água, do pó, dos cremes, das irritações de pele, das sestas, dos filmes pirosos, das crianças embirrentas, do enorme luar, das gaivotas, das ondas que faltam, do sal, do mar, das pontes, dos barcos, do peixe grelhado, das saladas, das dietas, das unhas dos pés às cores, das sandálias, dos saldos, do suor, dos gelados, dos aperitivos, da enorme quantidade de falta de assunto.


 


Obrigatoriamente teremos que ter listas de livros para ler, listas de filmes para ver, listas de exposições para apreciar, listas de museus para visitar, listas de poemas para citar, listas de coisas imateriais que sempre adorámos mas não praticamos.


 


Obrigatoriamente teremos que nos lembrar como dantes era melhor, mais fácil, mais autêntico, mais natural, mais barato, o peixe mais vivo, o sol mais calmante, a sombra mais fresca, os homens mais galantes, as mulheres mais ativas, os filhos mais obedientes, as trouxas mais variadas, o vinho mais abundante, os estrangeiros mais gastadores, o mar mais apetitoso, a alface mais verde, os dias maiores, do tempo que lembramos distante e diferente do real.


 


Obrigatoriamente teremos que nos queixar do trânsito, do trabalho, do Inverno, do trabalho, dos colegas, do trabalho, do chefe, do trabalho, dos hipermercados apinhados, do trabalho, do preço da gasolina, do trabalho, da falta de transportes públicos, do trabalho, das mentiras dos políticos, do trabalho, da família, do trabalho, da violência, do trabalho, da solidão, do trabalho, da fome, do trabalho, do mundo virado do avesso, do trabalho.


 


Obrigatoriamente teremos que suspirar pelas futuras férias, pelo futuro lazer, pela futura cultura, pelo futuro descanso, sem que nos lembremos do gozo de podermos falar, queixar, sofrer, sonhar, crescer, trabalhar, incumprir, adiar, comer, dormir, usar o corpo e a alma e viver, sem horas ou estações definidas e marcadas, mas todos os dias.


 


Revista-Me 03


 

Em defesa do SNS

 


Vale a pena ouvir a totalidade da 1ª audição do Ministro Paulo Macedo na Comissão Parlamentar de Saúde (disponível no Canal Parlamento).


 


Pela primeira vez desde há muito tempo, tive oportunidade de ouvir um governante responder concretamente às perguntas que lhe foram colocadas, independentemente da assertividade e/ou pertinência (a grande maioria) das mesmas. Paulo Macedo, serenamente e sem floreados, explicou vários aspetos dos cortes anunciados em despachos, da redução dos incentivos para os transplantes, e falou da sua perspetiva e das perspetivas que o país pode ter em relação à pasta da saúde e às medidas de sustentabilidade do SNS.


 


O ministro afirmou perentoriamente algumas coisas que considero muito importantes:



  • Que o governo e este ministério têm o objetivo de manter o SNS como eixo fundamental do sistema, universal e tendencialmente gratuito.

  • Que as taxas moderadoras não serão indexadas aos rendimentos – fiquei ainda a saber que as instituições do SNS apenas conseguem cobrar cerca de 1/3 das taxas ao universo da população que não está isento (o que corresponde a menos de metade dos utentes do SNS).

  • Que não houve pedidos de transmissão de dados de saúde dos utentes para fora do SNS, e que o ministério está a estudar uma forma de cumprir as recomendações da CND em relação a este assunto.

  • Que se pretende rentabilizar ao máximo a capacidade instalada no SNS para a realização dos meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT).

  • Que a redução dos incentivos aos transplantes não tem rigorosamente nada a ver com a redução da atividade – os sistemas existentes eram mistos, havendo médicos que faziam transplantes sem receberem qualquer remuneração extra por esse facto (convém lembrar a polémica de há 4 anos precisamente por causa dos incentivos ao programa de transplante hepático, que levou inclusivamente à demissão de Eduardo Barroso) – fiquei ainda a saber que, este ano, apesar do número de transplantes já efetuados, não havia orçamentação para essa atividade.

  • Que também não havia orçamentação para o financiamento dos cuidados continuados.

  • Que se vai insistir numa melhor fiscalização das PPP por parte do estado lembrando que há exigências para os hospitais privados que não há para os públicos (facto que não se percebe).


 


Fiquei com muita esperança neste Ministro da Saúde. Para defender o SNS não basta fazer juras de amor eterno ou inflamados depoimentos ideológicos. O que é necessário é tomar medidas concretas que assegurem a sua sustentabilidade, de forma a manterem-se a universalidade, a acessibilidade e a qualidade dos serviços prestados.


 


Não posso concordar, no entanto, com a abolição da comparticipação nos medicamentos contracetivos. É uma medida que objetivamente irá contribuir para um maior número de gravidezes adolescentes com consequente aumento de interrupções voluntárias de gravidez. Pelo contrário deveriam ser tomadas todas as medidas para que melhorasse o planeamento familiar. Todos sabemos que a manutenção da dispensa gratuita nos Centros de Saúde não garante que haja capacidade desses contracetivos estarem facilmente acessíveis. Se todas as mulheres recorressem aos Centros de Saúde sempre que precisassem de comprar uma pílula, não só estes ficariam ainda mais sobrelotados como se perderiam inutilmente horas de trabalho gastas em consultas. Além disso é uma medida que assume um cunho e um peso ideológico, é um retrocesso civilizacional.


 


Em relação á prevenção do cancro do colo do útero, a alteração da comparticipação das vacinas fora dos centros de saúde poderão não a comprometer, pois mantêm-se no Plano Nacional de Vacinação. É essencial que sejam implementados a nível nacional programas de rastreio de base populacional, realizado com citologias e tipagem de HPV, método verdadeiramente eficaz na deteção de lesões malignas e pré malignas do colo do útero.


 


Espero sinceramente que este Ministro realize as medidas a que se propõe, desde que seja capaz de perceber que os cortes e as reduções deverão ser adaptadas aos hospitais, serviços e centros de saúde na exata proporção que se adeque a cada um.


 


Nota (10/09): Espero que estas notícias não sejam o espelho de uma estratégia que já foi usada pelos anteriores governos: lançar notícias para ver as reações e depois recuar. Se não for o caso, saúdo o fato de ainda não existirem decisões definitivas.

04 setembro 2011

Referendar a Constituição

 


António Barreto tem uma causa que lhe é muito cara - a refundação da Constituição.


 


Concordo com ele quando se refere ao facto da Lei Fundamental de ter demasiada carga ideológica, de estar datada, de ser muito longa e com grandes especificidades, e de ser um direito geracional a redacção e aprovação de uma Constituição. Por isso me espanta a sua defesa de uma imposição de limites constitucionais à dívida e ao défice - parece-me um assunto bastante específico


 


Mas ainda mais espantosa é a forma de apresentação, discussão e aprovação que preconiza - referendar o texto constitucional. Será que António Barreto deixou de acreditar na democracia representativa? Será que António Barreto se esqueceu da afluência às urnas em cada um dos três actos referendários da nossa era democrática?

Novos descobrimentos - as condicionantes externas

 


Os Ministros deste governo descobrem coisas todos os dias. Passos Coelho descobriu agora que é difícil prometer muitas coisas, nomeadamente o não aumentar impostos em 2012, por causa das condicionantes externas, que só apareceram a partir de 5 de Junho. Até lá, apenas a incúria, a incompetência e a teimosia de Sócrates e de Teixeira dos Santos, que tinham jurado levar o país à bancarrota, eram responsáveis pela difícil situação em que nos encontramos.


 


E no entanto, mesmo com as condicionantes externas e as suas incertezas, o Primeiro-ministro vaticina para 2012 o princípio do fim da emergência nacional. Há cerca de 2 anos também Sócrates arriscou previsões e falhou. Passos Coelho não aprendeu a lição.

O descobrir da dívida encoberta - novos episódios

 


Não demorou muito até se descobrirem as facturas por pagar que o Ministro Miguel Relvas descobriu numa sala fechada. Os 6,78 milhões de dívidas, por 687 facturas não cobradas e escondidas, afinal resumem-se a 40, que estão em processo de auditoria por levantarem dúvidas.


 


Estou à espera que os jornalistas, comentadores e responsáveis políticos antigos e modernos comecem a vociferar, pedindo a demissão do Ministro.


 


Adenda (10/09) - as notícias contraditórias somam-se e o mistério adensa-se - há ou não facturas por cobrar, escondidas numa sala fechada?



02 setembro 2011

September in the rain

 



 


The leaves of brown 
Came tumblin' down, remember
In September in the rain

The sun went out 
Just like a dying ember
That September in the rain

To every word of love 
I heard you whisper
The raindrops seemed to play 
A sweet refrain

Though spring is here, 
To me it's still September
That September in the rain

To every word of love 
I heard you whisper
The raindrops seemed to play 
A sweet refrain

Though spring is here, 
To me it's still September
That September in the rain
That September in the rain

Um dia como os outros (95)

 



"Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."


"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."


"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."


"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."


"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."


"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."


"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."


"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."


"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."


"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."


"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."


"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."


"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."


"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."


"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."


"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."


"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."


"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"


"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."


"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."


"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"


 


Conta de Twitter de Passos Coelho (@pedropassoscoelho), iniciada a 6 de Março de 2010. O último tuite transcrito é de 5 de Junho de 2011


 


rectificação: a conta de passos coelho é @passoscoelho e não, como por lapso refiro no dn, '@pedropassoscoelho'.


 


e nova rectificação: o último tuite transcrito por mim é de 1 de junho -- e, ao contrário do que pode ser o entendimento de quem lê, não é o último tuite citado no texto, mas o último em ordem cronológica. querendo ser mais precisa, criei a confusão, pelo  que peço desculpa aos leitores.


 


por qualquer motivo, confundi 1 de junho com 5 de junho, o que é duplamente idiota, já que nem poderia, em princípio, haver tuites de passos coelho a 5 de junho, por um motivo simples: tratou-se do dia das eleições. mais uma vez, as minhas desculpas. 


 


também no dn a nota final foi rectificada.


 


Fernanda Câncio

01 setembro 2011

Teia

 




Antony Gormley: Firmament II


 


1.


Sempre passa o momento de ter sido.


Aguardo o momento em que serei


momentos em que nunca sou


mas sempre fui.



 


2.


Enroupamos a tristeza com malhas de brandos gestos


para que ninguém ouse sequer romper a teia


da nossa armadilha. Mesmo assim carecemos de gelo


para que possamos derreter qualquer fragmento


de luz que encandeie os arroubos de ternura


que se atrevam a cruzar a aridez do caminho.

Da história deste governo

 


Este governo continua a sua caminhada para a História, disso não temos dúvidas. Ficará na História o embuste que levou à dissolução da Assembleia da República, a enorme falsidade com que Passos Coelho justificou a não aprovação do famoso PEC IV. Ficará na História o assalto aos contribuintes que este governo continuamente realiza, a total falta de vergonha com que faz exactamente o contrário do que anunciou que nunca faria, e que tomou como razões para mostrar ao eleitorado a justeza da precipitação de uma crise política que, tal como foi reconhecido pela troika, contribuiu para o agravamento do défice.


 


Além do agravamento fiscal para os rendimentos do trabalho, sem quaisquer medidas para os rendimentos do capital, ressuscitou-se o conceito do estado assistencialista e da estigmatização de grupos sociais. As recentes medidas de aumento do número de vagas nas creches e infantários apenas à custa de um aumento de crianças por sala, sem se perceber se essas alterações põem ou não em risco a segurança e o bem-estar das mesmas, para além do aumento de alunos por turma no primeiro ciclo, aumentando a dificuldade de um ensino mais individualizado, demonstram a visão que este governo tem do que é um serviço público de educação.


 


Em termos de saúde, todos estamos de acordo em que é necessário rentabilizar recursos. Mas o que se tem assistido diariamente é à produção de despachos ministeriais que obrigam a reduções percentuais de custos, no geral, sem se perceber como é que estes custos podem ser reduzidos. Chegará o o momento do governo, mais especificamente o Ministério da Saúde, explicar aos Hospitais e Centros de Saúde como é possível continuar a assegurar a mesma prestação de serviços - consultas, cirurgias, medicamentos, urgências, etc. - com a mesma qualidade. Por outro lado, o acabar com as deduções fiscais (em sede de IRS) que dizem respeito a despesas de saúde (e educação), vai haver cada vez menor possibilidade da população recorrer a prestadores privados.


 


Os cortes na despesa do estado estão a ser feitos à custa de uma aumento do desemprego (prometida redução de 10.000 funcionários públicos por ano) e a uma redução salarial (ordenados e progressões congeladas durante, pelo menos, mais 2 anos).


 


Estamos a reiniciar o calendário escolar, muitos dos cidadãos regressam hoje ao trabalho. A sensação de injustiça e de propaganda fraudulenta alastra, mesmo entre os defensores da maioria que nos governa. Na verdade, o que os movia era apenas o assalto ao poder, pois o que de diferente se está a fazer é o exagero colossal do que já se fazia, para além do regresso à vida comezinha, à falta de investimento (nomeadamente na ciência), ao desaproveitamento do que de positivo se fez nas anteriores legislaturas e, predominantemente, à total falta de visão e de estratégia para o futuro.

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