Este governo continua a sua caminhada para a História, disso não temos dúvidas. Ficará na História o embuste que levou à dissolução da Assembleia da República, a enorme falsidade com que Passos Coelho justificou a não aprovação do famoso PEC IV. Ficará na História o assalto aos contribuintes que este governo continuamente realiza, a total falta de vergonha com que faz exactamente o contrário do que anunciou que nunca faria, e que tomou como razões para mostrar ao eleitorado a justeza da precipitação de uma crise política que, tal como foi reconhecido pela troika, contribuiu para o agravamento do défice.
Além do agravamento fiscal para os rendimentos do trabalho, sem quaisquer medidas para os rendimentos do capital, ressuscitou-se o conceito do estado assistencialista e da estigmatização de grupos sociais. As recentes medidas de aumento do número de vagas nas creches e infantários apenas à custa de um aumento de crianças por sala, sem se perceber se essas alterações põem ou não em risco a segurança e o bem-estar das mesmas, para além do aumento de alunos por turma no primeiro ciclo, aumentando a dificuldade de um ensino mais individualizado, demonstram a visão que este governo tem do que é um serviço público de educação.
Em termos de saúde, todos estamos de acordo em que é necessário rentabilizar recursos. Mas o que se tem assistido diariamente é à produção de despachos ministeriais que obrigam a reduções percentuais de custos, no geral, sem se perceber como é que estes custos podem ser reduzidos. Chegará o o momento do governo, mais especificamente o Ministério da Saúde, explicar aos Hospitais e Centros de Saúde como é possível continuar a assegurar a mesma prestação de serviços - consultas, cirurgias, medicamentos, urgências, etc. - com a mesma qualidade. Por outro lado, o acabar com as deduções fiscais (em sede de IRS) que dizem respeito a despesas de saúde (e educação), vai haver cada vez menor possibilidade da população recorrer a prestadores privados.
Os cortes na despesa do estado estão a ser feitos à custa de uma aumento do desemprego (prometida redução de 10.000 funcionários públicos por ano) e a uma redução salarial (ordenados e progressões congeladas durante, pelo menos, mais 2 anos).
Estamos a reiniciar o calendário escolar, muitos dos cidadãos regressam hoje ao trabalho. A sensação de injustiça e de propaganda fraudulenta alastra, mesmo entre os defensores da maioria que nos governa. Na verdade, o que os movia era apenas o assalto ao poder, pois o que de diferente se está a fazer é o exagero colossal do que já se fazia, para além do regresso à vida comezinha, à falta de investimento (nomeadamente na ciência), ao desaproveitamento do que de positivo se fez nas anteriores legislaturas e, predominantemente, à total falta de visão e de estratégia para o futuro.
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