Pacheco Pereira, na última Quadratura do Círculo, queixava-se da mediocridade do congresso do PS. Não tenho muita dificuldade em dar-lhe razão. Mas a mediocridade não tem apenas a ver com o que se passa dentro do congresso, do PS ou de outros partidos. Está na proporção directa da mediocridade de quem, na comunicação social, faz a divulgação do que se passa nos congressos.
Durante o dia de hoje, na TSF, as grandes e importantes perguntas que os jornalistas fizeram a António José Seguro foi se o PS está ou não unido, se A criticou B e se C gostou das declarações de D, e se E se ofendeu com F.
A cobertura mediática da luta política transformou-se numa telenovela sem qualidade, assemelhando-se às tricas de vizinhos coscuvilheiros. Os próprios responsáveis políticos entram na telenovela e alimentam o guião, lançando farpas uns aos outros sem a menor vergonha, para poderem aparecer à hora das notícias, de semblante severo e ar contrito, a dizer as maiores banalidades.
António José Seguro exige que Pedro Passos Coelho retire a confiança política a Alberto João Jardim - a que propósito? Há muito tempo que penso que todos anteriores governantes têm responsabilidade na manutenção de semelhante figura à frente do Governo Regional. Tanto quanto me recordo, Passos Coelho foi mesmo o Presidente do PSD que, até agora, mais se demarcou da actuação dele. Mas o problema verdadeiro é o facto do PSD Madeira o manter à frente do partido, é o facto do eleitorado da Madeira continuar a votar nele.
Temos que mudar de povo? Não, temos é que garantir que o povo está na posse de toda a informação. E isso é uma questão de funcionamento da democracia na Região Autónoma da Madeira, de liberdades, direitos e garantias. Isso é assunto para pedir declarações ao Presidente da República.
Portanto, o que eu gostaria é que António José Seguro e outros exigissem uma declaração a Cavaco Silva. Os silêncios esfíngicos mantém a cumplicidade que o Presidente sempre sustentou com a situação madeirense, a par de Manuela Ferreira Leite, Jaime Gama e, por fim, José Sócrates que, após a guerra iniciada por causa da lei das finanças regionais, acabou por capitular.
Por isso eu continuo a aguardar a comunicação ao país do Mais Alto Magistrado da Nação, sobre o gravíssimo défice democrático na Região Autónoma da Madeira.
Desculpe Sofia, mas aqui discordo de si. A ideia de que o povo madeirense vai deixar de votar em Jardim se for devidamente informado da situação presente carece de prova. O problema é a dependência da economia madeirense em relação ao Governo Regional (o MST dizia hoje que 24% dos empregos na Madeira são de funcionários regionais). A questão que se deve colocar é saber se os Madeirenses aceitam que não podem continuar a tratar os seus restantes compatriotas (os outros 9 milhões e tal que pagam as contas) como Portugueses de segunda. É que se não estão dispostos a aceitar que a lei é igual para todos, mais vale que se comece já a discutir, a sério, a independência da Madeira. Pelo menos ficaremos livres das chantagens de AJJ...
ResponderEliminarJaime Santos, de facto está por provar que a informação e o conhecimento do que, verdadeiramente, se passa na Madeira, leve ao afastamento eleitoral de AJJ . Mas é essencial que isso aconteça. A dependência económica também pode explicar muita coisa, claro.
EliminarPaulo Santiago, tenho uma cadeira bastante confortável...
Posso enganar-me...mas a Sofia não espere uma
ResponderEliminardeclaração do "Sr Silva"...já há muito teve oportunidade
para se demarcar do "soba" da Madeira,e nunca o fez.
Destaco, deste post, o seguinte:
ResponderEliminar"Durante o dia de hoje, na TSF, as grandes e importantes perguntas que os jornalistas fizeram a António José Seguro foi se o PS está ou não unido, se A criticou B e se C gostou das declarações de D, e se E se ofendeu com F.
A cobertura mediática da luta política transformou-se numa telenovela sem qualidade, assemelhando-se às tricas de vizinhos coscuvilheiros. Os próprios responsáveis políticos entram na telenovela e alimentam o guião, lançando farpas uns aos outros sem a menor vergonha, para poderem aparecer à hora das notícias, de semblante severo e ar contrito, a dizer as maiores banalidades."
Boa Noite.
Bom Serão.
Bom Dia de Descanso.
Cordiais e Afáveis Saudações
ACÁCIO LIMA
Tem toda a razão quanto as perguntas feitas a António José Seguro que apenas confirmam a mediocridade que percorre o nosso jornalismo.
ResponderEliminarDo mesmo a tem acerca do Presidente da Republica que,caso se mantenha em silencio, apenas dará, infelizmente, uma demonstração de que é apenas Presidente dos que nele votaram.
EGR