30 novembro 2008

Os vôos que nunca existiram

Desde há vários anos que Ana Gomes se vem batendo para que haja uma investigação sobre os vôos da CIA, ilegais, que terão transportado prisioneiros até Guantánamo.


 


Foi atacada por várias pessoas, entre as quais miliantes do PS e membros do governo, que sempre negaram o conhecimento da existência de tais voos.


 


Ana Gomes pode ter uma forma muito histriónica de se expressar, mas tem a grande virtude de não deixar que os seus princípios sejam menos importantes que pretensos interesses de estado.


 


Hoje o jornal El País traz a reprodução de um documento que demonstra que, desde 2002, o governo de Aznar não só foi informado como lhe foi pedida colaboração. O jornal afirma ainda que outros países da mesma área também terão sido informados.


 


Durão Barroso não sabia de nada? O governo socialista também não tomou conhecimento disto? Gostava de saber quais vão ser as razões que agora vão ser invocadas par se justificar o injustificável.


 


Ana Gomes deve manter-se na União Europeia. Com ela podemos confiar que não recua e que honra o seu mandato.


 



 


Nota: Ver também a notícia do Público online e o post Afinal, sabiam!


 


Actualização: Ana Gomes e governo na TSF, hoje.

29 novembro 2008

Sem fundo


(pintura de John Eric Sparacio: black hole)


 


 


1.

Não sei porque me falta vontade

de empurrar pedras partir

enfrentar buracos negros

lagos sem fundo

que vou enchendo

em seco

e seco.




2.

Eram redondos os dias

lúcidos de luz e de chuva

por dentro das horas escoadas

eram redondos os dedos

que se bastavam.

Educação e cidadania

A questão da educação não é um assunto apenas e só dos professores, é um assunto de todos os cidadãos que pagam impostos, é uma questão de cidadania.


 


Muitos de nós já fomos alunos na escola pública e agora somos pais de crianças e jovens que frequentam a escola pública. Muitos de nós participámos em associações de pais, em reuniões de turma, conversamos com os directores de turma, tivemos reuniões com professores e alunos, lemos testes e comprámos manuais escolares, e vamos ouvindo o que os nossos próprios filhos dizem, assistindo ao que amigos e conhecidos que exercem a profissão, contam.


 


A escola não é um espaço à parte da sociedade, deverá sempre estar inserido na sociedade. Por outro lado, a credibilização da função docente deverá sempre ser uma prioridade de uma política de educação.


 


O primeiro passo para que haja credibilização da profissão de professor, é que ela seja uma profissão autónoma, é que a ela só possam aceder pessoas com formação específica, com conhecimentos científicos e pedagógicos para a exercerem. É ainda dever do estado escolher de entre aqueles que querem exercer a profissão de professor na escola pública, os mais capazes.


 


Não conheço qualquer carreira profissional, com excepção da de professor, em que não haja vários graus a que as pessoas concorrem por concurso, prestando provas curriculares ou outras, e em que sejam seriados por classificações dadas pelos seus pares. Não conheço qualquer carreira profissional, com a excepção da dos professores, em que os profissionais mais experientes e mais diferenciados não exerçam funções de maior responsabilidade e de orientação dos menos diferenciados e dos mais novos. Não conheço nenhuma carreira profissional em que a formação contínua, a aprendizagem e o progresso científico não sejam valorizados aquando dos concursos para acederem aos diversos graus de carreira. Não conheço nenhuma carreira profissional, com excepção da dos professores, em que todos os profissionais atingiam o último grau da carreira.


 


O estatuto da carreira docente estabelece uma diferenciação entre professor e professor titular. Li na caixa de comentário de um blogue que essa distinção era artificial porque os professores faziam todos o mesmo, que era ensinar.


 


Não é essa a experiência que tenho pelas escolas por onde passei nos diferentes estádios que fui assumindo. Nas escolas há aqueles que, para além de fazerem a função para que foram contratados, têm vontade de fazer outras coisas, têm iniciativa, gostam de promover actividades, têm atitudes proactivas dentro da organização, ajudam e integram os mais novos, substituem os mais velhos quando necessário, etc. Normalmente também são os que melhor ensinam, assim reconhecidos por alunos e pais.


 


O que se tenta agora, com a implementação de uma avaliação de desempenho, é precisamente distinguir os que se esforçam dos que fazem menos que os mínimos. Também li na mesma caixa de comentários que a avaliação do desempenho e as quotas não melhorarão a qualidade da escola, apenas reduzirão as despesas com a educação. Deve ser a única profissão a que isso se aplica. E gostava de ver os professores tentarem explicar aos seus alunos essa teoria.


 


Ainda bem que José Sócrates assumiu o problema do Ministério da Educação como um problema de todo o governo. Porque a qualidade da escola pública deve ser uma prioridade absoluta de um governo que se diz socialista. A devolução da dignidade a uma profissão que a não tem, pela exigência de um estatuto de uma carreira que esteja alicerçada no mérito é um passo de gigante nesse sentido. A avaliação de desempenho é apenas uma medida de justiça, indispensável de implementar em toda a Função Pública.


 


Já agora, também me parece que ter opiniões sobre saúde, justiça, defesa, literatura, filosofia, aborto, legislação laboral, liberdade e democracia, eleições portuguesas e norte americanas, União Europeia, Tratado de Lisboa, etc, é obrigação de qualquer ser que use o cérebro para pensar.

Violência gratuita

Tenho tentado perceber mais este atentado terrorista.


 


Tenho tentado perceber porque é que 25 homens jovens ocupam lugares turísticos e desatam a matar pessoas. Se o alvo eram os ricos estrangeiros transformou-se em indianos, não sei se ricos se pobres.


 


Gente que ri e que chora, que ama e odeia, que come, que dorme, que vive, sobrevive e mata.


 


Tenho tentado ouvir notícias, comentários, explicações. De onde vieram, quem eram, se pertenciam a celas de uma organização globalizada, se eram amadores, fundamentalistas, um braço da Al Qaeda.


 


Não consigo perceber e penso que nunca o conseguirei.


 


Desafio musical

Este desafio é um dos mais engraçados que já me colocaram na blogosfera. Ricardo S lembrou-se de mim e eu vou tentar corresponder:


 


 


 



  • Disponibilizar uma foto minha – a Marisa Monte é muito mais mais bonita!

  • Escolher um cantor ou banda – Marisa Monte

  • Responder às questões com músicas desse(a) cantor ou banda;

  • Passar o desafio a quatro bloggers.


 


 



(dança da solidão, com Paulinho da Viola)


 



  1. És homem ou mulher? - Aquela

  2. Descreve-te - Preciso me encontrar

  3. O que pensam as pessoas de ti? - Não é fácil

  4. Como descreves o teu último relacionamento? - Ainda lembro

  5. Descreve o estado actual da tua relação - É você

  6. Onde querias estar agora? - Vilarejo

  7. O que pensas a respeito do amor? - Infinito particular

  8. Como é a tua vida? - Pra ser sincero

  9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo? - Cantinho escondido

  10. Escreve uma frase sábia - Mais um na multidão


E agora que se desenvencilhem!



 

27 novembro 2008

Balbúrdia da corte

Apesar de totalmente esvaziadas as razões das queixas da FENPROF contra este modelo de avaliação do desempenho, em desespero de descredibilização total e mostrando as verdadeiras razões da luta, já ninguém aguenta mais ouvir falar nesta impossibilidade, nesta pressão do ministério, nesta defesa da escola pública.


 


Assim vamos dia a dia, com o Ministro das Finanças a ser o único que não vê motivos para alterar as previsões em que baseou o orçamento de estado para o próximo ano, com Durão Barroso a tentar sobreviver politicamente, aproveitando um fato que nunca lhe assentou bem mas que ele veste com gosto.


 


Tudo se especula e se desconfia, de tudo fazemos comissões de inquérito que se perdem na memória dos tempos, trucidam-se e mastigam-se os assuntos até à exaustão.


 


O pior é mesmo o desemprego e o fantasma da crise social, da penúria, da miséria, que já vemos tão longe, que a maior parte de nós nunca conheceu.


 


O pior é mesmo a balbúrdia da corte, que até parece um absurdo jogo de bobos.

Olhar


(escultura de Gustav Vigeland: Vigeland State Park)


 


 


Enchemos as bocas os braços as mãos

de queixas e tempo desocupado.

Deveríamos olhar mais a lua que o chão.


 


Farto-me do cansaço dos meus próprios passos

farto-me de palavras ruidosas inodoras.

Deveríamos olhar mais a lua que o chão.

23 novembro 2008

Lágrimas Negras

 


 



 


Letra e música de Miguel Matamoros


Cantam Diego el Cigala & Bebo Valdés


 


Aunque tu

me has dejado en el abandono

aunque ya

se han muerto todas mis ilusiones.


 


En vez de despedirme

con Justo encono

en mis sueños te colmo

en mis sueños te colmo

de bendiciones.


 


Sufro la inmensa pena de tu extravio

lloro el dolor profundo

de tu partida

y lloro sin que sepas

que el llanto mio

tiene lagrimas negras

tiene lagrimas negras

como mi vida.


 


Tu me quieres dejar

yo no puedo vivir

contigo me voy mi negra

aunque me cueste el morir


 


Tu me quieres dejar

yo no quiero sufrir

contigo me voy mi santa

aunque me cueste el morir.

Andar de bicicleta

As alternativas em relação ao transporte individual com o uso de bicicletas é muito interessante, se o andar de bicicleta fizer parte dos hábitos culturais dos povos e das pessoas, o que tem a ver inevitavelmente com a geografia do terreno.


 


É engraçado compararmos, quando viajamos pela Europa, os locais onde se anda de bicicleta, desde muito pequeno a adulto jovem ou velho, o facto de se utilizarem as bicicletas como transporte e até como veículo de encontros amorosos, com as imagens que temos de filmes que se reportam aos anos de 1940 e 1950, por exemplo nos filmes europeus que retratam a II Grande Guerra ou o pós guerra.


 


Os locais em que a bicicleta servia como meio de transporte habitual são os mesmos de hoje, talvez um pouco mais alargados nuns sítios e menos noutros, porque o acesso ao automóvel e a consciencialização ecológica se modificaram.


 


Mas em cidades com grandes desníveis de terreno nunca houve, mesmo quando não existiam carros, uma grande profusão de bicicletas. Talvez em Lisboa, um exemplo flagrante, fosse mais fácil e rentável investir em bons, frequentes e pouco poluentes transportes públicos, como eléctricos de maior velocidade, tróleis e metro.


 


Verdade seja dita isso dentro da cidade de Lisboa já há uma boa oferta de transportes públicos. O problema está na ligação entre as periferias e as grandes cidades. Aí sim faltam investimentos em alternativas credíveis, confortáveis, fáceis de usar, mais rápidas e mais económicas que os automóveis. E na zona da grande Lisboa, por muitos minutos verdes, consciências ecológicas e estilos de vida saudável não serão as bicicletas a resolver o problema.


 


A vida que as marca

Rituais diários que marcadores biológicos não estudados associaram à mulher.


 


Rituais diários que gerações culturais de homens dominadores e desdenhosos que sempre associaram as mulheres a seres submissos, manipuladores e diabólicos.


 


Rituais tão fora de moda que já voltaram à moda.


 


Rituais de gestos mecânicos, não valorizados, não quantificados, não remunerados que atiram a mulher para as franjas de trabalhos não reconhecidamente pesados.


 


Rituais que obrigam a mulher a estar presa aos seus próprios medos.


 


A violência contra as mulheres é quase um não acontecimento.


 



(foto de Rodrigo Cabrita; Dn - 22/11/2008)

22 novembro 2008

Nada

 



(pintura de Vieira da Silva: le rayon bleu)


 


A criança na face enrugada

boca lambuzada de anos

olhos cansados de saber.


 


Já não salta o mundo

pela corda da ansiedade

escreve nos passos vagarosos

a ciência da espera

o alento da ternura

do nada.

I can't give you anything but love, baby

 



 


I can't give you anything but love, baby.

That's the only thing I've plenty of, baby.

Dream a while. Scheme a while.

We're sure to find,

Happiness, and I guess

all those things you've always pined for.


 


Gee I'd like to see you looking swell, baby

Diamond bracelets Woolworth's doesn't sell, baby.

till that lucky day you know darn well, baby.

I can't give you anything but love.


 


Gee I'd like to see you looking swell, baby

Diamond bracelets Woolworth's doesn't sell, baby.

till that lucky day you know darn well, baby.

I can't give you anything but love.


 


 



(Sarah Vaughn)

Comentários imoderados

Decidi reverter a moderação dos comentários. Não gosto que os comentários não sejam publicados de imediato, que não possam gerar de imediato controvérsia e discussão. É mesmo para isso que eles servem.


 


Por isso, em vez da moderação, eliminarei, pura e simplesmente, aqueles que achar indecorosos e insultuosos, que não acrescentem nem tenham nada de interessante a dizer.


 


Quem não gostar tem uma solução muito simples: não vem cá.

Abanar estruturas

Quando se tem ideias sobre como fazer as coisas, qual o caminho a seguir, sobre algumas regras básicas e inquebráveis, independentemente das turbulências que possam acontecer, fica-se sempre espantado com as pedras que se levantam e que rolam pelas encostas dos acontecimentos, esmagando folhas, arrastando detritos e levantando poeira.


 


Será que os caminhos ficam mais visíveis e desimpedidos? O que nos leva a continua e obsessivamente tentar alinhar o desalinhado, tentar viver coerentemente e fazer o que sempre se pensou como certo, na altura em que se tem oportunidade para tal?


 


No entanto as dúvidas sobram e quase esmagam as certezas. Não há segurança que resista às dificuldades e depois perguntamo-nos – será que as razões não são essas, as premissas estão erradas, a visão se distorceu?


 


Como vislumbrar a claridade no meio translúcido e nas cortinas que se vão interpondo entre a ideia e a realidade? Será melhor manter a estrutura com receio que o movimento a altere, a perigue, ou mesmo a destrua?


 


Ou será que a estrutura não tem condições para se aguentar e que desabará, a qualquer instante, sobre as cabeças de quem se abriga dentro dela?


 



(pintura de Robert Goodman: tornado)

21 novembro 2008

Assumir o objectivo político

Como era de esperar todos os que ates diziam que a Ministra da Educação deveria ceder e recuar, que isso era prova de maturidade política, vêm agora dizer que o recuo e a cedência de Maria de Lurdes Rodrigues demonstra a fragilidade dela e que não tem mais condições para continuar.


 


Como era de esperar, as enormes dificuldades burocráticas e reuniões processuais demoradas, aliadas às críticas a vários pontos do modelo de avaliação de desempenho, reconhecidas como erros técnicos pela Ministra, não foram suficientes para acalmar a FENROF e os restante sindicatos.


 


Será que alguém ainda tem dúvidas quanto ao facto de os sindicatos dos professores não quererem qualquer tipo de avaliação e procurarem a demissão da Ministra?


 


Patético foi ver o contorcionismo de Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, defendendo que a Ministra não podia cair pela acção dos sindicatos e conseguindo não condenar o pedido de Manuela Ferreira Leite para a suspensão da avaliação.

Hillary Clinton secretária de Estado de Obama





 


 


 


Ora aqui está uma excelente e inteligente escolha.


 


 

Coisas estranhas

O caso do BPN está a revolver águas turvas no meio da elite político-económica do nosso país.


 


Não percebo porque é que o PS inviabilizou a audiência de Dias Loureiro do Parlamento. Se bem que, se isto é um caso de polícia, o parlamento não deveria ser um braço do poder judicial. Mesmo assim, acho estranho.


 


Menos estranho mas mais caricato, deverei mesmo dizer com um descaramento inacreditável, é o pedido de garantia para um empréstimo de 750 milhões de euros, feito pelo BPP. É mesmo à cara podre!


 


Comentários moderados

Iniciei este blogue em 2005. Até hoje acho que tinha apagado apenas um comentário que linkava para um site pornográfico.




Infelizmente chego à conclusão que tenho que passar a moderar os comentários. Rendo-me à constatação de que há mesmo um submundo que inunda a internet com obscenidades e insultos.


 


De facto, ao contrário do que Jorge Simões comentou, eu sou tudo menos santa. E a paciência já se esgotou.


 


Quem quiser insultar terá que o fazer noutro sítio.

Oh happy day!

 



 


(CGC & Sylvie Desgroseilliers)


 


Oh happy day (oh happy day)

Oh happy day (oh happy day)

When Jesus washed (when Jesus washed)

When Jesus washed (when Jesus washed)

Jesus washed (when Jesus washed)

Washed my sins away (oh happy day)

Oh happy day (oh happy day)


(La, la, la, la, la, la, la, la, la)

La, la, la, la, la, la, la, la, la

(La, la, la, la, la)

La, la, la, la, la

(La, la, la, la, la, la, la)

La, la, la, la, la, la, la

(La, la, la, la, la)

La, la, la, la, la


Oh happy day (oh happy day)

Oh happy day (oh happy day)

When Jesus washed (when Jesus washed)

When Jesus washed (when Jesus washed)

When my Jesus washed (when Jesus washed)

He washed my sins away


(La, la, la, la, la, la, la)

La, la, la, la, la, la, la

(La, la, la, la, la)

La, la, la, la, la


He taught me how (oh, He taught me how)

To wash (to wash, to wash)

Fight and pray (to fight and pray)

Fight and pray

And he taught me how to live rejoicing

yes, He did (and live rejoicing)

Oh yeah, every, every day (every, every day)

(oh yeah) Every day!


Oh happy day (oh happy day)

Oh happy day, yeah (oh happy day)

When Jesus washed (when Jesus washed)

When my Jesus washed (when Jesus washed)

When Jesus washed [hits high note] (when Jesus washed)

My sins away (oh happy day)

I'm talking about that happy day (oh happy day)


He taught me how (oh yeah, how)

To wash (to wash)

Fight and pray (sing it, sing it, c'mon and sing it)

Fight and pray

And to live

yeah, yeah, c'mon everybody (and live rejoicing every, every day)

Sing it like you mean it, oh....


Oh happy day (oh happy day)

I'm talking about the happy days (oh happy day)

C'mon and talk about the happy days (oh happy day)

Oh, oh, oh happy days (oh happy day)

Ooh talking about happy day (oh happy day)

Oh yeah, I know I'm talking about happy days (oh happy day)

Oh yeah, sing it, sing it, sing it, yeah, yeah (oh happy day)

Oh, oh, oh

Oh happy day.....

20 novembro 2008

Tertúlia

Uma excelente razão para intervalar e apreciar poesia e bom convívio. Donagata, no seu melhor.


 


Cenários de susto

Troca de e-mails:



  1. Mas quem é que a ameaçou?? A Srª não sabe ler ou quer tomar os outros por parvos?? Olhe, eu não a ameaçei,(mania da perseguição) mas de uma coisa lhe garanto, se o quisesse fazer não o diria(até porque seria ridículo ameaçar alguém por disparates ditos num Blog) contudo qualquer um de nós cede, porque medo temos todos, por isso a figura de heroina que pretende mostrar é tão patética como o dizer que "É assim que convence os professores a pedirem a suspensão da avaliação? Esta é o seu entendimento de liberdade de expressão?" A Srª julga que a liberdade de expressão lhe dá o direito de enxovalhar toda uma classe? Se calhar também achou bem quando aos Médicos da Privada lhes foi imposto que os Atestados Médicos pasassem obrigatoriamente por Centros de Saúde para ser passado um novo atestado médico e entupindo os serviços médicos. Isso sim é passar um verdadeiro atestado de menoridade aos outros médicos Cumprimentos

    (Pessoa Identificada)

  2. Re: Deixe-me só esclarecer um assunto. Eu sou a favor da medida que determina que os atestados médicos sejam passados pelos Médicos de Família. Descontando o exagero dos doentes internados, que deveriam ser dispensados disso, essa medida reduziu bastante o número de atestados fraudulentos

  3. E já que percebe tanto de leis aqui fica uma para si

    ARTIGO 12.º

    (Dignidade)

    Em todas as circunstâncias deve o Médico ter comportamento público e profissional adequado à dignidade da sua profissão. Cumprimentos

    (Pessoa Identificada)

  4. Re: Calculo que o mesmo se aplique aos Professores, ou a qualquer outra pessoa, mesmo que não esteja consagrado em lei.

  5. e a Srª é Médica , Mas é que ao contrário de si eu não sou profesora ou médica veja bem por onde pisa que uma cartinha à ordem dos médicos só lhe faria bem para se acalmar, para mais que afirmar"Deixe-me só esclarecer um assunto. Eu sou a favor da medida que determina que os atestados médicos sejam passados pelos Médicos de Família. Descontando o exagero dos doentes internados, que deveriam ser dispensados disso, essa medida reduziu bastante o número de atestados fraudulentos." Só remete os seus colegas da privada para Médicos de 2ª o que certamente iriam apreciar muito o seu ponto de vista. A Srª de facto nada tem a ver com a Medicina é uma pária já que a quase totalidae dos Médicos não concordou com tal medida, dedique-se à poesia do poder que só lhe faz bem

    (Pessoa Identificada)


Comentários aos posts anteriores:



  • Está a fazer um trabalho indecente acusando os Professores disto e daquilo, se continua a abusar garanto que lhe abro um processo por difamação e não estou a brincar CHEGA caramba sempre a malharem no mesmo Não tem vida própria? Bolas

    (Dino)


  • Eu vou dizer-lhe o que é intimidação, é a sujeira que a Sr faz, que nem sequer merece o nome de MÉDICA, e agora foi longe demais ao querer convencer que quem lhe enviou o e-mail é Professora, já vimos que trabalha para o seu PS, se desejar falamos cara a cara em Oeiras ou na Ordem dos Médicos, será melhor assim? Ou será que só gosta de dizer inúmeras barbaridades escondida por detrás de um monitor?? Quem não me intimida é a senhora que ainda tem o desplante de dizer a respeito de um desabafo muito sincero "Esta é a forma como algumas pessoas que se intitulam professores defendem as suas opiniões e intimidam quem pensa de uma maneira diferente." Quem não está por si é contra si, mas o facto de as suas palavras magoarem as pessoas já nada lhe diz, tão poeta que somos e tão inumana, lembra um dos poemas de Carcia Lorca

    (Dino)

  • O Dino tem toda a razão e a Srª Sofia parece que anda de mal com a vida ressabiada sabe-se lá com o quê, ainda por cima dizem que é Médica!?!?

    (Anabela)






Já fui ameaçada de denegrirem a minha família, de ter uma queixa contra mim na Ordem dos Médicos, de ser processada por difamação e de ser enfrentada cara a cara em Oeiras ou na Ordem dos Médicos (confesso que não percebi muito bem esta ameaça), para além de ser acusada de ser uma sem vergonha e de uma desumanidade sem par.


 


Coloquei aqui estes comentários e esta troca de e-mails não para me divertir, porque são muito tristes, mas apenas para fazer duas reflexões: 



  1. Ou estas pessoas não fazem parte dos professores que reivindicam a suspensão da avaliação e podemos suspeitar que, à volta de um núcleo que segue as teses da Fenprof e de Mário Nogueira se juntaram as mais diversas áreas de contestação, má disposição, desequilíbrio mental e má índole, dando a ideia do que se tem empolado com que fins políticos esdrúxulos esta contestação.

  2. Ou estas pessoas são mesmo professores, seus defensores e representantes e concluimos quão assustador é esse cenário. Porque se assim é, passo a defender não só uma avaliação do desempenho como uma avliação científica e, mais importate que isso, uma avaliação de personalidade e carácter de quem quer ensinar e/ou formar crianças e jovens.


 


No entanto penso que a primeira hipótese é a correcta. Conheço muitos Professores esforçados, competentes, trabalhadores, generosos, muitíssimo bons professores, que se dedicam à Escola e aos alunos e que seriam incapazes de tais palavras, mesmo que não oncordem com a política ministerial.


 


 

19 novembro 2008

Sujidade

A Sr anda a ser muito suja para com os Docentes deste País que não lhe fizeram mal nenhum, gostaria que eu também a denegrisse junto da sua família

Cumprimentos


(Pessoa identificada)


 


Este é um dos e-mails que recebi na sequência dos posts que tenho escrito sobre a implementação da avaliação do desempenho dos professores. A pessoa que mo enviou identificou-se mas, como não lhe pedi autorização, não revelo aqui o seu nome.


 


Esta é a forma como algumas pessoas que se intitulam professores defendem as suas opiniões e intimidam quem pensa de uma maneira diferente.


 


A mim não me intimidam. Espero que não intimidem os verdadeiros Professores.


 


Adenda: vale a pena ler alguns comentários de Dino do post anterior. São estas as mais amplas liberdades e a abertura ao diálogo que defendem algumas pessoas.

Subscrevo

A Fenprof manipula e Mário Nogueira não é sério





O líder da Federação de Professores (FENPROF), Mário Nogueira, abandonou a reunião que hoje mantinha com a ministra. Motivo: a ministra não suspendeu a avaliação como era exigência da Fenprop para continuar a negociar.




Mas a Fenprof e Mário Nogueira querem negociar o quê, se exigem a suspensão da avaliação? Resposta: não querem negociar nada. Querem somente deitar abaixo a ministra porque ela insiste que não desiste da avaliação.




Insiste e muito bem. Eu, como pai de dois alunos, quero que os professores deles sejam avaliados pelos seus pares e pelos pais, se possível. Quero saber se são bons, se são pedagogos, se não faltam, meses a fio com atestados médicos que todos sabemos serem falsos, se não metem sucessivos artigos quartos com uma enorme descontracção e sem nenhum problema de consciência, deixando turmas inteiras sem aulas durante horas, dias, meses.




Em todo o sector privado, a avaliação é uma regra há muitos anos. Aqui, nesta empresa, não só avaliamos os nossos subordinados, como eles nos avaliam e nós avaliamos os nossos superiores, inclusive o director-geral da empresa. Porque carga de água é que os professores, que passam o ano a avaliar milhares de alunos, não podem ser avaliados?




Para descredibilizar o processo, há escolas que transformaram a avaliação em manuais de mais de 30 páginas. E Mário Nogueira, que assinou um acordo com a ministra antes do Verão para prosseguir o processo de avaliação, rompeu-o sem nenhuma justificação credível.




A Fenprof é contra o processo, mas não sugere nada em alternativa. O que quer é uma avaliação de faz de conta, em que os bons e os maus professores são todos avaliados de forma positiva, o que é uma injustiça para os bons e um prémio para os maus. É isto que os professores querem? Não sei. Mas sei que é isto que a Fenprof e Mário Nogueira querem.




A Fenprof e Mário Nogueira não defendem um sistema de ensino melhor. Defendem os maus professores, os calões, os relapsos, os incompetentes. Defendem o pior que existe no ensino, os seus vícios, os seus erros, o descalabro provado através de estatísticas do ensino secundário em Portugal nos últimos 30 anos. É este o resultado das suas posições. E será este o resultado dos próximos 30 anos se a Fenprof e Mário Nogueira conseguirem manter o sistema de ensino sem uma avaliação séria e credível.




A Fenprof e Mário Nogueira são os principais responsáveis da mediocridade do ensino secundário em Portugal.


 


Nicolau Santos - Expresso


 


Humores deteriorados








O Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento económico para este ano. Já vai em 0,5%. Não deixa de pasmar a previsão do governo que antevê um crescimento de 0,6% para o ano.


 


Mas o Banco de Portugal produziu mais uma pérola de análise político-económica e social. É que o desemprego de longa duração aumenta porque os apoios aos desempregados são… demasiado bons.


 


Pensavam que era porque há cada vez menos trabalho? Não, todos nós gostamos é de ficar a receber este chorudo subsídio de desemprego durante meses e meses.


 


O humor dos nossos políticos anda mesmo pelas ruas da amargura.

18 novembro 2008

Suspenda-se a democracia (revisitado)

Já ouvi várias vezes todos os excertos que consegui, da TSF, da RTP, do Rádio Clube e da SIC, referentes às declarações de Manuela Ferreira Leite.


 


Não é possível perceber que lapso foi aquele, se de pensamento se apenas falhanço de uma ironia mal feita e de mau gosto, até porque não se ouve a totalidade da intervenção.


 


Mas o que parece mesmo é uma conclusão lógica que ela tirou, ali perante quem a queria ouvir, que não é possível reformar em democracia e que, se calhar, até era melhor suspender a democracia por 6 meses para se fazerem as reformas.


 


Foi de uma infelicidade absoluta mesmo fazendo-lhe a justiça de acreditar que disse o que não queria ter dito, nem com a intenção que se lhe supõe.


 


Inacreditável.


 



 


 


Adenda (19/11): mesmo achando inacreditáveis estas declarações, não posso deixar de lamentar o ar grave e sério, manipulador e com falta de nível de Alberto Martins. Não é sério nem é credível o aproveitamento político a tresandar oportunismo bacoco. Sinceramente, que tristeza.

17 novembro 2008

Crise esquizofrénica

A globalização transformou-se neste infernal ciclo vicioso.




Há crise por isso devemos poupar. Se pouparmos consumimos menos. Se temos muitas despesas e comprarmos a crédito ficamos super endividados. Logo temos que consumir menos.




Se consumirmos menos os donos das lojas vendem menos e vão à falência. Se as lojas vendem menos as empresas fazem menos utensílios, as construtoras constroem menos casas, as imobiliárias e as empresas vão à falência.


 


Então uma forma de reanimar a economia é tornar o crédito mais barato, para que as pessoas comprem a crédito os carros, as casas, as viagens de turismo, os plasmas, os telemóveis, etc.


 


Portanto há crise mas não podemos deixar de consumir sob pena de irmos todos à falência.


 


A clarificação do clarificado

Foi necessário clarificar o que está escrito no Estatuto do Aluno, através de um despacho.


 


Poi vamos ver o que está explícito e no espírito da lei:

 


Lei n.º 3/2008, de 18 de Janeiro, Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário:


(…)

Artigo 21.º

Excesso grave de faltas

1 — Quando for atingido o número de faltas correspondente a duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao dobro do número de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos outros ciclos ou níveis de ensino, os pais ou o encarregado de educação ou, quando maior de idade, o aluno, são convocados à escola, pelo meio mais expedito, pelo director de turma ou pelo professor titular de turma, com o objectivo de os alertar para as consequências do excesso grave de faltas E DE SE ENCONTRAR UMA SOLUÇÃO QUE PERMITA GARANTIR O CUMPRIMENTO EFECTIVO DO DEVER DE FREQUÊNCIA, BEM COMO O NECESSÁRIO APROVEITAMENTO ESCOLAR.

(…)

Artigo 22.º

Efeitos das faltas

(…)

2 — Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino secundário e no ensino recorrente, ou, tratando-se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico ou o dobro de tempos lectivos semanais, por disciplina, nos restantes ciclos e níveis de ensino, deve realizar, LOGO QUE AVALIADOS OS EFEITOS DA APLICAÇÃO DAS MEDIDAS CORRECTIVAS REFERIDAS NO NÚMERO ANTERIOR, uma prova de recuperação, na disciplina ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite,






COMPETINDO AO CONSELHO PEDAGÓGICO fixar os termos dessa realização.

3 — Quando o aluno não obtém aprovação na prova referida no número anterior, o CONSELHO DE TURMA PONDERA A JUSTIFICAÇÃO OU INJUSTIFICAÇÃO DAS FALTAS DADAS, O PERÍODO LECTIVO E O MOMENTO EM QUE A REALIZAÇÃO DA PROVA OCORREU E, SENDO O CASO, OS RESULTADOS OBTIDOS NAS RESTANTES DISCIPLINAS, PODENDO DETERMINAR:

a) O CUMPRIMENTO DE UM PLANO DE ACOMPANHAMENTO ESPECIAL E A CONSEQUENTE REALIZAÇÃO DE UMA NOVA PROVA;

b) a retenção do aluno inserido no âmbito da escolaridade obrigatória ou a frequentar o ensino básico, a qual consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no mesmo ano de escolaridade que frequenta;

c) A exclusão do aluno que se encontre fora da escolaridade obrigatória, a qual consiste na impossibilidade de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais não obteve aprovação na referida prova.


 


Já agora considera-se justificação de faltas:

 


"(…)

Artigo 19.º

[...]

1 — São consideradas justificadas as faltas dadas pelos seguintes motivos:

a) Doença do aluno, devendo esta ser declarada por médico se determinar impedimento superior a cinco dias úteis;

b) Isolamento profiláctico, determinado por doença infecto -contagiosa de pessoa que coabite com o aluno, comprovada através de declaração da autoridade sanitária competente;

c) Falecimento de familiar, durante o período legal de justificação de faltas por falecimento de familiar

previsto no estatuto dos funcionários públicos;

d) Nascimento de irmão, durante o dia do nascimento e o dia imediatamente posterior;

e) Realização de tratamento ambulatório, em virtude de doença ou deficiência, que não possa efectuar -se fora do período das actividades lectivas;

f) Assistência na doença a membro do agregado familiar, nos casos em que, comprovadamente, tal assistência não possa ser prestada por qualquer outra pessoa;

g) Acto decorrente da religião professada pelo aluno, desde que o mesmo não possa efectuar -se fora do período das actividades lectivas e corresponda a uma prática comummente reconhecida como própria dessa religião;

h) Participação em provas desportivas ou eventos culturais, nos termos da legislação em vigor;

i) Participação em actividades associativas, nos termos da lei;

j) Cumprimento de obrigações legais;

k) Outro facto impeditivo da presença na escola, desde que, comprovadamente, não seja imputável ao aluno ou seja, justificadamente, considerado atendível pelo director de turma ou pelo professor titular de turma."

16 novembro 2008

Andreas Scholl

 



(Vivaldi - Sabat Mater)

Muerte del Angel

 



(Astor Piazzolla)

Momentos




(aguarela de Graham Swain)


 


Há momentos

em que a terra respira superficialmente

guarda gotas do suor dos tempos,


 


nessas mesmas horas em que adormecemos

e a desilusão se extingue

nas carícias que trocamos.

Labirinto


(aguarela - preto e branco - Roger Hayward)


 


 


Vamos perder-nos

por dentro do deserto

que abrimos

entre as pedras do amor

que percorremos

vamos perder-nos

no labirinto em

que nos vislumbramos

pelos passos pelos erros

pelos momentos

dos sublimes encontros.

Sem título


poema de Inês Torres


pintura de Braddy Romero Ricalde: the poet's dream


 


 


Não entendo a minha natureza de poeta,

nem me sei categorizar nessa condição.

Devo ser poeta das estrelas ou das coisas,

dos dias ou talvez dos sonhos, ou das árvores de outono.

Não sei bem.

Se calhar nem sou poeta,

sou só e sou sozinha.

E isso faz-me escrever.

Biografía


((poema de Gabriel Celaya)


 


La vida que murmura. La vida abierta.

La vida sonriente y siempre inquieta.

La vida que huye volviendo la cabeza,

tentadora o quizá, sólo niña traviesa.

La vida sin más. La vida ciega

que quiere ser vivida sin mayores consecuencias,

sin hacer aspavientos, sin históricas histerias,

sin dolores trascendentes ni alegrías triunfales,

ligera, sólo ligera, sencillamente bella

o lo que así solemos llamar en la tierra.

15 novembro 2008

Da unicidade

Quem não tem memória, não tem história


 


Em 14 de Janeiro de 1975, o PCP convocou uma manifestação em defesa da unicidade sindical. Nesse dia, em comunicado, a Comissão Política do CC do PCP, escrevia:


 



  • «A unicidade sindical foi amplamente discutida pelas massas trabalhadoras. Ninguém de boa fé pode contestar a esmagadora aprovação que lhe foi dada. Esta aprovação e as novas adesões que a todo o momento se vão registando da parte do movimento popular fazem da consagração da unicidade sindical a expressão de uma vontade do povo democraticamente manifestada. A manifestação que hoje tem lugar em Lisboa deve ser olhada corno uma inequívoca afirmação da vontade dos trabalhadores de que a unicidade sindical seja inscrita na lei.»


 


A manifestação convocada pelo PCP encheu as ruas de Lisboa. Em resposta, a 16 de Janeiro, num comício do PS, Salgado Zenha, não se atemorizou e enfrentou a «rua», afrontando a unicidade sindical, a qual não foi consagrada na lei, como «a vontade do povo democraticamente manifestada» exigia. Naqueles dias, dizer, como Manuel Alegre diz hoje, «não se pode tapar os ouvidos aos protestos» tinha sido fatal para a democracia. E o ontem e o hoje podem não ser muito diferentes. Sejamos claros, se alguém mudou não foi o PCP.


 


Tomás Vasques

E se Obama fosse africano?

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.




Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.




Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de “nosso irmão”. E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.




Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: “E se Obama fosse camaronês?”. As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.




E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?



  1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

  2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

  3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente “descobriram” que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado ‘ilegalmente”. Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

  4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um “não autêntico africano”. O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos “outros”, dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

  5. Se fosse africano, o nosso “irmão” teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada “pureza africana”. Para estes moralistas - tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

  6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.


Inconclusivas conclusões




Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.




Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.




A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.




Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.




No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.




Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.


Mia Couto


 


Publicado no jornal Savana, Maputo, em 14 de Novembro de 2008


(roubado à A Terceira Noite)

Correcto


(pintura de Miranda de Mont)


 


A melopeia das vozes em uníssono

a ditadura das opiniões correctas

o lugar dos dissidentes é a parede

o dedo apontado


os olhares desdenhosos.


 


Já não há paredes brancas

com um grito de cor na diferença.

Os simples


(pintura de Graça Morais)


 


Os simples recordam

manhãs de lençóis quentes

pão que estala entre dedos

as janelas de ar gelado.


 


Os simples não gastam

palavras necessárias

nas faces do amor

que se desejam.

14 novembro 2008

Paris

 



 


Para descansar da educação e dos ovos, dos enxovalhos e da incrível e demente demagogia que tomou conta de tanta gente com responsabilidade, ontem fiz um intervalo de bom filme, boa conversa e, sobretudo, boa companhia.


 


Recomendo vivamente Paris. A cidade luminosa e escura, de poesia e vielas, de sofrimento e amor, de solidão, não deixem de respirar aquele optimismo doce e furtuito. Lindíssimo.


 



(realização de Cédric Klapisch)

12 novembro 2008

Comentário clandestino

Começo por esclarecer que sou professor há mais de 22 anos.

Adianto também que não me reconheço nestas manifestações, nem na histeria manifestada pelos meus colegas.





Não é politicamente correcto dizê-lo, mas o que se passa é que a qualidade pedagógica e humana da maioria dos professores é muito, muito baixa. A maioria dos meus colegas formou-se com notas anormalmente fracas, acabaram para vir para o ensino apenas aqueles que não encontraram melhor alternativa de emprego. A maioria não são professores, são funcionários do Ministério da Educação, e que como parte do seu contrato de trabalho têm de aturar miúdos durante umas quantas horas por semana. As 'bestas' como alguns se lhes referem dentro da sala de professores, para gáudio geral.





Estão 100.000 professores na rua? Ou 100.000 funcionários que apenas vêm os seus privilégios ameaçados? 100.000 parasitas do Estado que apenas querem direitos, mas recusam quaisquer deveres, quaisquer obrigações de prestar contas à sociedade que lhes dá de comer?





O que mais me angustia é que há um erro de princípio na reforma da educação: ela não se fará com os professores (como é politicamente correcto dizer) porque estes não o são. Apenas se fará com OUTROS professores; dignos dessa profissão e cujo nome foi usurpado.





Escusado será dizer que não me atrevo a manifestar publicamente o meu desacordo perante os meus colegas na escola. Uma maioria esmagadora, ameaçadora, mesquinha e incapaz de discutir com quem discorda, apenas insultar. Estou refém dos meus colegas, tal como os pais dos alunos e todos aqueles que querem ver o seu país evoluir baseado no esforço e no mérito;





Estamos todos reféns porque hão-de vir paralisações e suspensões de aulas. Hão-de arranjar maneira de parar as aulas para pressionar os pais, mas sem greves, pois essas lhes afectam o vencimento que querem garantido no final dos 14 meses. Os alunos são as primeiras vítimas porque eles não têm, nem terão, quaisquer escrúpulos em os sacrificar à manutenção das suas mordomias, aos interesses políticos de terceiros. Quando ouvi o Manuel Alegre (em quem votei), dizer as barbaridades que hoje disse sobre a Ministra percebi o quanto esta é uma luta política de que os meus medíocres 'colegas' são meros peões.





Continue Senhora Ministra, continue, que não lhe faltem as forças, é o que todos os professores dignos desse nome, mas que têm de permanecer calados, clandestinos dentro das suas próprias escolas, lhe imploram.


 


Comentário de professor-na-clandestinidade (11/11/2008 - 23:43h)


 

11 novembro 2008

A má educação

Manuel Alegre não suporta os tiques autoritários da Ministra da Educação, não suporta o posso, quero e mando deste governo nem suporta mais a falta de cultura democrática de Maria de Lurdes Rodrigues.


 


Gostava de saber qual o conceito de cultura democrática de Manuel Alegre, que não disse uma palavra, pelo menos que eu tenha lido ou ouvido, sobre a suspensão de um deputado na Assembleia Regional da Madeira, ou sobre a suspensão da própria Assembleia Regional da Madeira.


 


Gostava de entender se o que Manuel Alegre se lembra das gigantescas manifestações do célebre Verão quente de 1975, e se defendia, nessa altura de revoluções e contra-revoluções, que aquilo que se reivindicava na rua fosse atendido pelo governo.


 


Também gostava de saber se Manuel Alegre acha mais importante a intervenção do Presidente da República na guerra civil da educação ou na efectiva garantia do normal funcionamento das instituições democráticas, como é uma Assembleia Regional.


 


Gostaria ainda de saber se Manuel Alegre também acha que a contestação democrática à Ministra, que é arrogante, autoritária e autista merece o enxovalho de receber ovos  de uns meninos que contestam as leis que chegam à Escola, mesmo que nem saibam dizer quais são. Será que estão apenas a exercer o seu justo direito à indignação?


 


De facto alguns autistas existem em todo este processo, e não me parece que seja a Ministra Maria de Lurdes, que tem a minha inteira solidariedade. Não é admissível, em nome de coisa nenhum, aturar semelhantes abusos.


 


10 novembro 2008

Miriam Makeba

 



 


1.Strophe:

Sat wuguga sat ju benga sat si pata pat (Chor: „Pata Pata")

Sat wuguga sat ju benga sat si pata pat ...(Chor: Sat wuguga sat ju benga sat si pata pat...(Chor: „Pata

Sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

1. Refrain

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pa ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

2. Strophe

Aya sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Bridge:

„Pata Pata" is the name of a dance ... we do down Johannesburg way.

And everybody ... starts to move ... as soon as „Pata Pata" starts to play - hoo ...

3. Strophe

Aya sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

2. Refrain

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

4. Strophe

Haji-a sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga jo-ho ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si ...(Chor: „Pata Pata")

Bridge

Hoo, every Friday and Saturday night ... it's „Pata Pata"-time.

The dance keeps going all night long ... till the morning sun begins to shine - hey!

Aya sat wuguga sat - wo-ho-o ...(Chor: „Pata Pata")

5. Strophe

Aya sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

3. Refrain

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")

Hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pata pat ...(Chor: „Pata Pata")

A-hihi ha mama, hi-a-ma sat si pat ...(Chor: „Pata Pata")

6. Strophe

Huh- a sat wuguga sat - hit it! ...(Chor: „Pata Pata")

Aah- sat wuguga sat - aim not si - hit it! ...(Chor: „Pata Pata")

A sat wuguga sat ju benga sat si pata ...(Chor: „Pata Pata")


 



Pata-Pata

09 novembro 2008

O modelo alternativo

Mesmo que muito desagradada com a forma com algumas pessoas comentaram os meus posts anteriores, não deixo de procurar informação, quando me dizem que estou desinformada.


 


Uma comentadora (ceu) ordenou-me que fosse ao site da FENPROF, pois havia lá um modelo alternativo de avaliação do desempenho dos professores, para discussão pública.


 


Eu fui. Lá está o modelo alternativo, disponível também em pdf (desdobráveis A e B). Vou transcrever alguns parágrafos dos documentos:


 


(...) A FENPROF assume as suas posições de contestação ao modelo imposto pelo ME e as suas responsabilidades na construção de uma alternativa. O estabelecimento de quotas na avaliação e a criação de duas categorias que, só por si, determinam que mais de 2/3 dos docentes não chegarão ao topo da carreira, completam o quadro político, administrativo e economicista de um estatuto de carreira docente que inclui o modelo de avaliação que vigora. (...)


 


(...) Na sequência do Memorando:



  • Em 2007/2008 a avaliação foi suspensa para 92% dos docentes e, para os restantes, apenas se aplicou um processo simplificado, sem implicação na renovação ou celebração de novos contratos;

  • Em 2008/2009, a avaliação assume um carácter experimental, pois eventuais classificações negativas não produzirão efeitos, o processo é acompanhado por uma comissão paritária que integra os sindicatos e, para o final do ano lectivo (Junho e Julho de 2009), está já prevista a alteração do modelo. (...)


(...) Avaliação integrada e não individualizada:


A avaliação do desenvolvimento pessoal e profissional do Educador/Professor deve ser contextualizada, integrada nas suas experiências pessoais e deve ter em conta vectores e condicionantes da comunidade em que se insere. Tem de ser perspectivada num quadro mais amplo do que o pessoal, pois pressupõe a melhoria do serviço prestado pela instituição em que trabalha, bem como a melhoria da Educação na sua comunidade. (...)


 


(...) Co-avaliação, uma solução para um modelo integrado e participado:


A prática da co-avaliação implica que todos os elementos de uma determinada comunidade educativa possam ser avaliados mas também avaliadores. Mantendo-se a paridade profissional no reconhecimento de que estamos numa profissão em que temos todos a mesma habilitação de base e profissional, a co-avaliação resolve o problema do reconhecimento da autoridade do avaliador uma vez que há a co-responsabilização de todos os pares. (...)


 


Esclarece-nos a FENPROF de que não deverá haver graus na carreira, que haverá escalões de 1 a 8, a que se sobe de 4 em 4 anos desde que a classificação (não percebi a periodicidade) seja de Bom (só há 3 notas: Insuficiente, Bom e Muito Bom, sem quotas).


 


Esta é a alternativa para que tudo fique igual ao que era dantes: todos iguais, todos bons ou muito bons, todos a chegarem ao topo da carreira. O admirável mundo velho.


 


Será que a comentadora (ceu) tamém recomenda esta alternativa? Para mim isto não é avaliação.


 


Nota: bolds e sublinhados meus.

Pelos Professores

Não confundo os Professores, dignos de tal nome, tenham ou não ido às manifestações, com aqueles que assim se denominam e que não são capazes de discutir qualquer assunto sem insultar quem não está de acordo com eles.


 


Não confundo a competência e a dedicação dos Professores, dignos de tal nome, com a sua ideologia política e com as razões que de certo lhes assistem, e que justificam tomadas de posição contrárias às minhas.


 


Alguns dos comentários aos posts anteriores são bem o exemplo do que é necessário, do que é obrigatório fazer no que diz respeito ao recrutamento dos docentes para a Escola, Pública ou Privada.


 


O Estado tem a obrigação de zelar pela qualidade científica e humana dos seus quadros, na educação, na saúde, na justiça, em qualquer área de serviço que assegure. São os cidadãos e a excelência da qualidade da sua formação e da sua vida que estão em causa, não a negociação do estatuto sócio profissional de algumas corporações.

Aprendi a ler

Na caixa de comentários do último post, fui chamada à atenção (de uma forma muito agradável, mas e que segui de imediato) pelo facto de estarmos já no ano lectivo de 2008/2009 e, portanto, a avaliação já não ser a simplificada.


 


É verdade. Mas isso é mais uma razão para entender que o processo já deveria ter sido implementado calmamente e já deveria estar a funcionar em pleno.

08 novembro 2008

Ler é saber

Talvez seja boa ideia as pessoas terem acesso ao Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, que regulamenta a avaliação do desempenho dos Professores, e ao famoso Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores, firmado em 12 de Abril deste ano.


 


Realço só alguns parágrafos:


 


1.No respeitante à avaliação dos docentes, os procedimentos a adoptar no ano lectivo 2007/2008 serão os seguintes:


(...)


b) Aplicação de um procedimento simplificado nas situações em que seja necessária a atribuição de uma classificação por estar em causa a renovação ou a celebração de um novo contrato, ou ainda a progressão na carreira durante o presente ano escolar;


(...)


d) Os elementos obrigatórios do procedimento simplificado referido na alínea b) são os seguintes: ficha de auto-avaliação e parâmetros relativos a nível de assiduidade e cumprimento do serviço distribuído; participação em acções de formação contínua, quando obrigatória e desde que existisse oferta financiada nos termos legais.


 


Onde estão as reuniões, as burocracias e as papeladas tão faladas por todos os intervenientes que exigem a suspensão de tão horrenda e gravosa avaliação?


 


E, já agora, como se objectiva a unanimidade numa manifestação com 120 mil pessoas?

A Escola Pública

Acabo de ouvir Mário Nogueira ameaçar o Ministério da Educação de que ou suspende a avaliação ou tem luta todo o ano.


 


Mário Nogueira esquece-se, assim como talvez esqueçam os manifestantes, de que o governo resulta de eleições legislativas e que as manifestações, por muito grandiosas que sejam, não servem para demitir ministros.


 


A Escola Pública, tal como a entendo, é um lugar de trabalho, para alunos e professores, com a participação e partilha dos encarregados de educação e dos representantes locais das autarquias, até de empresas ou de organizações sociais.


 


A Escola Pública, tal como a entendo, deve premiar o mérito, distinguir quem mais se esforça, quem mais estuda, quem mais trabalha, quem mais participa e melhor se insere naquele microcosmos, promovendo actividades que melhorem as aprendizagens, que melhorem as relações entre alunos, que se integrem na vida da localidade.


 


A Escola Pública, tal como a entendo, é um local de exigência e de bem-estar, de relações de trabalho e de amizades, de formação para a cidadania. É um local onde se avalia e é avaliado.


 


As carreiras profissionais só têm a ganhar se tiverem graus aos quais se tem acesso por provas, demonstrando que se está em condições de assumir novas e mais pesadas responsabilidades, que já se adquiriu experiência para organizar e ensinar os que têm menos experiência.


 


Esta manifestação dos professores, por mais concorrida que seja, é contra tudo o que defendo que seja a Escola Pública. Aplaudo a firmeza da Ministra da Educação e espero que Sócrates não lhe negue apoio. Em defesa da Escola Pública a que todos temos direito.

07 novembro 2008

Normalidade democrática

Por muito que queiramos não há vislumbre de aspirantes a Obamas portugueses no horizonte.


 


Manuela Ferreira Leite descobriu agora que a avaliação dos professores deve ser suspensa, que a divisão dos professores em 2 categorias profissionais é iníqua, tal como a existência de quotas.


 


Tal como Zita Seabra, atacando ferozmente a nacionalização do BPN, se passou do PCP para o PSD, também podemos imaginar a Presidente do PSD a passar-se directamente para o PCP. Talvez vallha a pena lembrar a inexistência do problema Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa, pois não consta da agenda política do PSD (embora conste da agenda política de Santana Lopes).


 


Por falar em nacionalizações, conseguimos assistir ao inédito do PCP a votar contra a lei de nacionalização do BPN e o Presidente da República à espera que tudo regresse à normalidade na Madeira, mantendo-se em contacto com o representante da República.


 


Fátima Felgueiras é acusada a 3 anos de prisão com pena suspensa e sai de lá a dizer que foi absolvida.


 


Por fim temos a promessa de uma gigantesca manifestação de professores para amanhã.


 


E assim se passou mais uma semana.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...