11 novembro 2008

A má educação

Manuel Alegre não suporta os tiques autoritários da Ministra da Educação, não suporta o posso, quero e mando deste governo nem suporta mais a falta de cultura democrática de Maria de Lurdes Rodrigues.


 


Gostava de saber qual o conceito de cultura democrática de Manuel Alegre, que não disse uma palavra, pelo menos que eu tenha lido ou ouvido, sobre a suspensão de um deputado na Assembleia Regional da Madeira, ou sobre a suspensão da própria Assembleia Regional da Madeira.


 


Gostava de entender se o que Manuel Alegre se lembra das gigantescas manifestações do célebre Verão quente de 1975, e se defendia, nessa altura de revoluções e contra-revoluções, que aquilo que se reivindicava na rua fosse atendido pelo governo.


 


Também gostava de saber se Manuel Alegre acha mais importante a intervenção do Presidente da República na guerra civil da educação ou na efectiva garantia do normal funcionamento das instituições democráticas, como é uma Assembleia Regional.


 


Gostaria ainda de saber se Manuel Alegre também acha que a contestação democrática à Ministra, que é arrogante, autoritária e autista merece o enxovalho de receber ovos  de uns meninos que contestam as leis que chegam à Escola, mesmo que nem saibam dizer quais são. Será que estão apenas a exercer o seu justo direito à indignação?


 


De facto alguns autistas existem em todo este processo, e não me parece que seja a Ministra Maria de Lurdes, que tem a minha inteira solidariedade. Não é admissível, em nome de coisa nenhum, aturar semelhantes abusos.


 


22 comentários:

  1. Esta parece-me uma linha de argumentação que não funcionará com toda a gente. É que assiste a todos o direito de reserva sobre qualquer assunto sobre o qual entendam não se pronunciar.

    Contudo, Manuel Alegre faz parte de um clube de excepções à regra acima, pois ele cultiva a imagem de quem se arroga a liberdade de falar do que quer quando quer e em nome dos mais elevados ideais – como proclama o seu boneco da contra-informação: A ele, ninguém o cala!

    É por isso que faz todo o sentido, como aqui o faz a Sofia, perguntar-lhe pelos silêncios…

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    1. escrevinhadora12:55

      ... e, entretanto, falar só do que percebe!!

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    2. Na verdade A. Teixeira tem razão: ninguém é obrigado a pronunciar-se sobre o que não quer.
      Mas eu posso perguntar o que me apetecer e tecer as considerações que entender sobre silêncios bem atordoadores.

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  2. Bem, eu acho fabuloso o que a Sofia fez: conseguiu culpar o Manuel Alegre pelo Verão quente, pelos ovos de Fafe, pela suspensão da Assembleia Regional e de tudo mais que se passou nos últimos 15 a 900 anos.

    O que a Sofia fez foi aquilo a que os filósofos pimpões chamam uma "falácia". Como o Manuel Alegre não fala de tudo, não tem legitimidade para falar de uma coisa particular. Outra forma de esta falácia aparecer é aquilo do "há coisas mais importantes", o que significa que nada se faz enquanto houver coisas mais importantes para se fazer.

    A Sofia até pode defender cegamente a ministra, lá terá os seus motivos. Mas o Manuel Alegre também pode defender cegamente aquilo em que acredita, e contra isso a Sofia não pode nada!

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    1. Tiago Moreira Ramalho:
      Ou leu mal o meu texto, ou não o percebeu. A única coisa de que acuso Manuel Alegre é de uma incoerência que muito me dói. Manuel Alegre revolta-se contra a pouca cultura democrática de um governo e de uma ministra democraticamente eleitos mas não se revolta contra o atentado à democracia que foi a suspensão de um deputado e da Assembleia Regional da Madeira. São, de facto, opiniões.
      Não tenho que poder nada nem quero poder nada contra ninguém. E se Manuel Alegre pode defender quem e o que quiser, o mesmo se aplica a mim própria. Ou não?

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    2. O Governo foi democraticamente eleito? E a ministra da Educação foi democraticamente eleita?

      Fantástico, Sofia - é preciso saber muito e estudar muito para chegar a estas conclusões...

      Eu, por mim, apenas votei num partido com base nas suas propostas eleitorais - e fui enganado, porque o "engenheiro" colocou lá umas coisas e depois fez outras.

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    3. FM, gostaria que me esclarecesse quanto à forma de, no seu conceito de eleições democráticas, se forma governo.

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    4. Cara Sofia: nós elegemos o Parlamento, não Ministros...

      Percebeu tudo?

      Neste caso foi mais grave: o PS, depois de ter criticado o PSD por ter feito o mesmo, rasgou as suas propostas eleitorais e fez o que lhe apeteceu, em flagrante contraste com o que era habitual no partido. No caso da Educação foi mais grave, conseguiu ir onde a direita nunca ousou: destruir numa legislatura a Escola Pública (se em Maio os Directores/Reitores passarem a ser os Senhores Absolutos das Escolas o serviço está completo).

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    5. Elegemos o Parlamento e o Presidente da República convida o representante do partido mais votado a formar governo. Daí se depreende que o governo foi eleito e tem um mandato a cumprir. Cabe ao Primeiro-Ministro demitir outros Ministros , não aos manifestantes.
      Quanto à Escola Pública a minha leitura é diametralmente oposta à sua: acho que este governo está a tentar salvá-la.

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    6. Diz a Sofia "Manuel Alegre revolta-se contra a pouca cultura democrática de um governo e de uma ministra democraticamente eleitos"... Isto é um erro de palmatória (se ainda houvesse...) e que devia ter entendido à primeira. Pedacinho a pedacinho lá vai corrigindo a mão, mas parece não entender.

      Quanto à Escola Pública, da qual sou professor, quem é que quer salvar? Um governo que rebaixa e insulta os professores, que destrói a Educação Especial, que faz um Estatuto do Aluno que é, no mínimo, uma aberração, que quer criar uma ditadura em cada Escola com o novo modelo de Gestão?

      Se houve ideias boas (aulas de substituição, Inglês no 1º Ciclo, Planos de Matemática e Leitura) embora mal concretizadas, a globalidade do trabalho é de uma espantosa falta de bom senso: legislação mal feita, às carradas, remendada sucessivamente e criando o caos nas Escolas, mau ambiente null pares e na comunidade educativa, destruição do capital de saber dos velhos colegas e desgaste profundo dos que vão resistindo dentro da Escola.

      Ficou uma única coisa boa - há unidade e unanimidade nos professores na avaliação da Ministra e dos seus rapazes. Mas esta unidade é muito cara e irá custar ao país muito caro, pois esta onda de facilitismo galopante para os alunos sairá bem cara daqui a uns anos ao país.

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  3. Quanto ao poeta Alegre, não votarei nele, nem sequer para a administração de um qualquer condomínio. Poetas são poetas, gente que nunca trabalhou, gente que vive noutra galáxia, gente que não sabe o que são as agruras do dia-a-dia. Nenhuma empresa, nenhuma organização, nenhum país irá para a frente com poetas no comando. É preciso arregaçar as mangas e não ceder a chantagens, se Sócrates o fizer, está perdido!

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    1. Mas que grande e imperdoável estupidez!

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    2. A minha ou a sua?
      Poetas, não obrigado!

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    3. Esse preconceito grunho contra os Poetas é imperdoável por uma simples razão, entre milhões de elas: quem se transforma em detractor dos criadores de Beleza em sentido lato, isto é, dos Pintores, dos Artistas, dos Criativos, dos Poetas, revela uma atitude anterior à revolução da Idade das Cavernas, anterior ao momento em que os humanos passaram a desenhar as peças de caça que desejariam caçar. Mas também remete para a crassa grunhice de todos os assassinos do Reich que coleccionavam peças de arte pilhadas, punham clássicos a tocar nas grafonolas enquanto a matança e a desumanidade fluia com toda a naturalidade. Sem a palavra dos escritores, dos poetas, nenhum pingo de aprendizagem, de memória, de sentido comparativo da absurda dimensão homicida e tirânica dos poderes seria possível. Sem a memória dos Poetas, a sua obra e a sua arte, toda a anarquia vil e todo o tipo de medidas cuéis e estéreis são possíveis, fora de uma aprendizagem e de um contraste com um passado doloroso.

      Não é o preconceito rejectivo dos Poetas compatível com a civilização nem com a técnica que temos, actos de intuição, de criatividade artística, de matemática associada à criação. Não há uma solução para os problemas do mundo com base em discursos absolutistas e unilaterais, torcionários e asquerosamente punitivos seja de quem for.

      Portanto, D. Quintalilha, por muito que lhe seja um hábito vir assentir por cá porque acha normal assentir a postulados sádicos e excêntricos, deve rever esse arquétipo mental muito anterior à Idade das Cavernas chamado odiar e excluir Poetas, como, por exemplo, Manuel Alegre e qualquer um que se sinta e realize como tal.

      Ou consigo é «com judeus nem pensar!», «com ciganos, nem pensar», «com Poetas nem pensar»

      joshua
      PALAVROSSAVRVS REX

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  4. Já estou cansado de esta querela ! (Até já tive de responder -- respondo sempre -- a um comentário que recebi e que, obviamente , se destinava a si.) Pelo que me toca ponho ponto final. A ministra e os professores que se amanhem. Como cidadão não posso deixar de estar atento. Mas há limites para a paciência.

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  5. Gostei do Manuel Alegre da "Praça" da Canção, mas nem por isso da "sua" Alameda de 1975, que mais parecia o regresso ao "Pátio das Cantigas".
    Mas isso são outras músicas. Agora é tempo de (ele) afinar com o coro, à espera do grande espectáculo.

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  6. Anônimo12:30

    A coeerência tem um nome Manuel Alegre a mentira tem outro Sócrates

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  7. Anônimo12:36

    Os únicos autistas neste processo são a equipa ministerial de educação.
    A arrogância e prepotência são amigas da ditadura

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  8. Esta postagem é uma visão parcialista e unilateral, com partido tomado, do megaproblema gerado pelo Governo nas escolas e no sistema. A falta de colegialidade e sinergia na chamada reforma da Educação é a derradeira pedra na engrenagem da própria Educação.

    Há mentes que não compreendem uma deriva autoritária e torcionária enquanto ela decorre e, se a percebe, prefere associar-se-lhe por parecer o lado mais forte. A propósito e a pretexto da democracia, ascendeu o III Reich ao poder com as consequências que se sabem e a obediencialidade imbecil que se conhece: a democracia sempre serviu para lavar muita patranha e de igual modo hoje em Portugal, a democracia é o derradeiro argumento para suportar uma espécie de pena de morte em vida que é o infernizado dia-a-dia concreto de gente concreta. Para subverter a democracia bastou a Sócrates ser eleito.

    Há linhas de raciocínio com tanta agenda político-partidária e com tanta submissão clara a interesses de toda a sorte, encharcada de parcialidade e a venalidade da consciência, que não podem ser perdoadas. Na verdade, é tudo muito lamentável.

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  9. A partir do momento em que há gente capaz de defender que este governo não foi democraticamente eleito, não vale a pena dizer grande coisa. Devem ter estudado Organização Política e Administrativa da Nação no tempo da outra senhora.

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  10. Dr. Sofia agradeça ao Manuel Alegre a ele ninguém o cala.
    Á Sra.. ninguém a intimida por isso acho que o post de cima é injusto.
    E não se arme em vitima a Sra. é uma fundamentalista.
    JOJORATAZANA

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