O Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento económico para este ano. Já vai em 0,5%. Não deixa de pasmar a previsão do governo que antevê um crescimento de 0,6% para o ano.
Mas o Banco de Portugal produziu mais uma pérola de análise político-económica e social. É que o desemprego de longa duração aumenta porque os apoios aos desempregados são… demasiado bons.
Pensavam que era porque há cada vez menos trabalho? Não, todos nós gostamos é de ficar a receber este chorudo subsídio de desemprego durante meses e meses.
O humor dos nossos políticos anda mesmo pelas ruas da amargura.
É um comentário na linha dos que se ouvem em Portugal vindos de direita e "esquerda". Sobre os "direitos adquiridos", os "feriados a mais", etc... Como sabe, sou estrangeiro, e a pesar de que a minha vida laboral tem-se desenvolvido em Portugal, tenho a experiencia de ter trabalhado no meu pais. Além disso, tenho amigos espalhados por toda Europa a trabalhar. E pelo que sei e me contam, Portugal tem o pior sistema de desemprego, indemnizações e assistência social da Europa ocidental . Os salários mínimo e médio mais baixos, um dos mais baixos, complexos e injustos sistemas assistência ao desemprego, menos feriados (tendo em conta que os que calham em fim de semana se perdem, coisa que NEM NO JAPÃO ), e a possibilidade do trabalhador ter de indemnizar a própria empresa se deixa o seu posto sem o aviso prévio, e enquanto as 40 horas semanais eram uma conquista bem antiga noutras latitudes, cá se fazia a de 42h , numa de (se calhar) deixar clarinho que as coisas não eram assim por cá. E isso, com uma das maiores cargas fiscais e de pagamentos à SS do occidente.
ResponderEliminarNo entanto, convém dizer, que também é surpreendente, no outro lado, o alto absentismo laboral, a noção do trabalho como simples presença fisica (ah, maldita fidalguia) e a pouca produtividade, que se entende quando olhamos para o ritmo de trabalho de quase todos os sectores, e que levava a situações absurdas como ao facto de que na Azambuja, a produção de cada carro custasse 500 euros mais do que custa em Saragoça, onde o ordenado médio de um trabalhador da empresa era de 2,5 vezes o da Azambuja. Tendo em conta que a mão de obra é o que encarece os produtos, é como para fazer-se muitas perguntas.
Ou seja, por um lado temos um mal funcionamento e má formação dos profissionais, aliada a ordenados exagerados dos quadros superiores (gestores). Mas não se pode culpar às "benesses" excessivas dos trabalhadores portugueses. Porque ganham mal e estão desprotegidos. E muito. Por isso, quando vão para fora, qualquer coisa lhes parece bem. É assim que assistimos a alguns casos de exploração.
E ai gostava de ver eu ao cansativo Carvalho da Silva, que está enquistado no cargo do seu sindicato, ao qual, em 8 anos, não vi conseguir NADA em termos de direitos laborais. Só agitou, chateou, arrastou a greves e afinal, estamos igual ou pior que nunca.
Comecem a chover as galhetas...
Nem mais!
EliminarSofia,
ResponderEliminarO Banco de Portugal deveria ter dito que a pequeníssima diferença entre os apoios ao desempego e o salário mínimo estão, em muitos casos na raiz do problema. Repare que há muita gente a receber apoios de desemprego que trabalha clandestinamente. Têm de o fazer porque nem os apoios nem o salário mínimo chegam por si só. É óbvio que não estão interessados em trabalhar a descontar para a folha porque ficam sem os apoios em troca de um salário miserável.
Eu fico abismada como ainda há tanta gente que acredita ser mesmo possível uma família sobreviver apenas com os apoios ou com o salário mínimo. Em que galáxia vivem eles?
Também me parece que há muita economia paralela no país, em todos os sentidos. Deveria haver melhor fiscalização e salários mínimos dignos de sobrevivência.
Eliminar