13 outubro 2020

Sustento

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Stuart Carvalhais


 


Nem no fado me detenho


Se a tua mão se insinua


A ternura do desenho


Que na pele se habitua


 


Nem com fado me sustenho


Se a tua mão acentua


O murmúrio que retenho


No deserto que recua


 


      Basta já pouco de nós


      Já pouco de nós sobrou


      No fado de estarmos sós


      Que a sós de pouco chegou


 


Nem do fado me contenho


Se a tua mão perpetua


No sorriso que mantenho


Se a carícia continua


 


      Basta já pouco de nós


      Já pouco de nós sobrou


      No fado de estarmos sós


      Que a sós de pouco chegou


 

28 setembro 2020

Fuga aos impostos

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The New York Times


Será que os americanos dão mais importância à fuga aos impostos que a todas as outras misérias de Trump?

Neurótica, eu?

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Neurótica, eu?


Nem pensar. Estou calma e serena, aliás como sempre.


É claro que toda esta situação é desafiante, mas estamos à altura dos acontecimentos.


Tenho mantido uma distância confortável dos telejornais, comentadores e programas de (des)informação, tal a vontade de usar todos os métodos de tortura conhecidos e desconhecidos em todos os que me aparecem pela frente, perorando sobre vírus, medidas de saúde pública, estatísticas de infecções e óbitos.


Também me tenho poupado a tudo o que nos mostre como esta experiência nos melhora e enriquece, principalmente no vocabulário vernáculo e na criatividade com que se procuram projécteis à mão de semear.


Estou portanto a evoluir no sentido positivo de alguém que vê fantásticas oportunidades no obscurantismo e na histeria das redes sociais, na ignorância e demissão dos nossos jornalistas, na mediatização da insanidade.


Neurótica, eu?


Nem pensar!

26 setembro 2020

Presidenciais 2021 - Ana Gomes

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Muito me separa de muitas posições e opiniões de Ana Gomes. Mas aplaudo a sua candidatura presidencial.


Nunca acreditei na candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Depois não acreditei na sua vitória. Depois espantei-me com a sua capacidade de serenar, apaziguar e descrispar a nossa sociedade e da forma como prestigiou o cargo presidencial após a desgraça fúnebre do Excelentíssimo Aziúme.


Mas Marcelo Rebelo de Sousa tem tido ultimamente intervenções, das demasiadas que ao longo do mandato se multiplicaram, em que se esquece (verdadeiramente ou estrategicamente) que não é para comentador nem para professor que o cargo de Presidente da República existe.


É indispensável que haja debate político. Ana Gomes é muito bem vinda.

Just Breathe


 


Yes I understand
That every life must end
As we sit alone
I know someday we must go


Oh, I'm a lucky man
To count on both hands
The ones I love
Some folks just have one
Yeah, others they got none


Stay with me
Let's just breathe


Practiced on our sins
Never gonna let me win
Under everything
Just another human being


Yeah, I don't want to hurt
There's so much in this world
To make me bleed


Stay with me
You're all I see


Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
What if I did and I'm a fool you see
No one knows this more than me
'Cause I come clean


I wonder everyday
As I look upon your face
Everything you gave
And nothing you would take
Nothing you would take
Everything you gave


Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
What if I did and I'm a fool you see
No one knows this more than me
'Cause I come clean


Nothing you would take
Everything you gave
Hold me 'til I die
Meet you on the other side

Pandemia

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Não ficámos melhores nem mais solidários nem mais atentos nem mais espirituais. Não ficámos mais calmos nem mais produtivos nem mais descansados. Não encontrámos a resposta ao vazio nem solução para a desilusão nem cura para a ansiedade.


Ficámos mais medrosos mais preconceituosos mais cobardes mais descrentes mais tristes mais sozinhos mais abandonados mais presos. Estamos mais pobres.


Encerrámo-nos nas nossas certezas e olhamos os outros como ameaças. Corremos as cortinas temendo a contaminação das ideias das dúvidas dos corpos dos excessos. Transformámos o exíguo em desmando. Avaros de ternura e de entrega.


Não. Não estamos melhor. Estamos muito pior.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...