
Não ficámos melhores nem mais solidários nem mais atentos nem mais espirituais. Não ficámos mais calmos nem mais produtivos nem mais descansados. Não encontrámos a resposta ao vazio nem solução para a desilusão nem cura para a ansiedade.
Ficámos mais medrosos mais preconceituosos mais cobardes mais descrentes mais tristes mais sozinhos mais abandonados mais presos. Estamos mais pobres.
Encerrámo-nos nas nossas certezas e olhamos os outros como ameaças. Corremos as cortinas temendo a contaminação das ideias das dúvidas dos corpos dos excessos. Transformámos o exíguo em desmando. Avaros de ternura e de entrega.
Não. Não estamos melhor. Estamos muito pior.
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