25 outubro 2009

Teresín - Theresienstadt

 



 


Theresienstadt, ou Teresín (em checo) – foi um campo de concentração nazi, desde 1941, para onde se deportavam judeus, definitiva ou transitoriamente, a caminho de Auschwitz.


 


Era um campo de concentração que, originalmente, foi pensado para albergar a burguesia judaica germanófona. Havia pintores, escritores, músicos, cientistas, diplomatas, professores, etc. Fazia-se uma tentativa de proceder como se a vida decorresse dentro da normalidade, mantendo as crianças nas aulas e uma produção artística que, por entre os horrores que ali se passavam, poderiam sugerir aos presos a ilusão e alguns vislumbres do que era ser-se humano. Chegou mesmo a ser usado como propaganda do regime nazi, que autorizou a Cruz Vermelha a visitá-lo em 1944.


 


Calcula-se que dos 140.000 deportados para Theresienstadt apenas 12.747 sobreviveram à guerra. No Museu Judaico de Praga estão guardadas colecções de desenhos e pinturas realizados pelas crianças e pintores de Theresienstadt. Muitos músicos continuaram a compor no campo de concentração.


 


Anne Sofie Von Otter, em 2007, publicou um CD com uma compilação de obras de vários compositores de Theresienstadt.


 


Não encontrei no YouTube nenhum excerto do CD. Mas é lindíssimo. Apenas encontrei uma interpretação de uma sonata para violino, de Erwin Schulhoff.


 



Yvonne Smeulers


 


Adenda (informação de Eugénia de Vasconcellos): ver o livro de Daniel Blaufuks.


 

Da responsabilidade e solidariedade laboral

 



pintura de Grady Zeeman

Unemployment Line


 


Os jornais fazem eco da incapacidade que há em conter o crescimento do desemprego, mesmo com programas de combate como os que o governo tem vindo a desenvolver.


 


Este será o maior problema e o maior desafio que se colocará ao governo, às entidades patronais e aos sindicatos.


 


Na verdade a flexibilização do mercado laboral deverá ser estudada, de forma a incentivar a contratação de desempregados de longa duração ou de 1º emprego, mesmo que não seja para contratos sem termo. A precariedade do emprego é uma realidade e é de combater. Mas não se compreende que haja empregos quase vitalícios, em que os empregadores estão impedidos de substituir trabalhadores, muitas vezes totalmente incompetentes e inadaptados, em que já se investiu, formou, etc., mas que, pura e simplesmente, não estão interessados em mudar, sacrificando imensos potenciais excelentes trabalhadores mais qualificados que não conseguem sequer iniciar-se no mercado de trabalho.


 


Nesta situação todos são responsáveis inclusivamente as estruturas sindicais, que todos os anos clamam pelas justas lutas dos trabalhadores, mas dos trabalhadores entrincheirados em empregos de betão, que apenas estão disponíveis para manter o seu próprio status quo, não se importando nem procurando quaisquer soluções para os que estão desempregados.


 


Com a queda da inflação neste último ano, que ficará muito abaixo dos aumentos salariais que foram praticados em 2009, qual é a credibilidade de sindicatos que começam as negociações com uma percentagem de aumento de 4,5%? E no entanto, diariamente, mostram a sua preocupação pelo aumento da pobreza e das desigualdades entre ricos e pobres. Não seria mais sério tentar aumentar o salário mínimo e as pensões de reforma, tendo contenção no aumento salarial?


 


É que nas circunstâncias em que estamos e caso haja deflação, o aumento do poder de compra será para todos os que tiverem emprego. Mas o aumento do desemprego será uma certeza.


 


Nota: também aqui.


 

24 outubro 2009

Informação

 



 


A informação é uma arma.


 


Em relação aos medos e aos mitos sobre a gripe A e a vacinação o melhor é estudar, procurar e ser crítico perante o que se ouve.


 


Encontrei um and-reality-check.htm">blogue muito interessante sobre doenças infecciosas, com vários posts sobre a gripe, comparação entre a gripe a e a sazonal, nomeadamente em termos de mortalidade, desmistificação do medo em relação à insegurança sobre as vacinas, explicando que a forma com é feita a vacina para a gripe A é idêntica à da sazonal, com os mesmos ingredientes (com excepção dos virais, obviamente), alertando para quem deve ser vacinado com a vacina injectável (a vírus mortos - aquela que existe em Portugal) e a de aspersão (a vírus atenuados).


 


Encontrei também informação sobre a eventual associação entre a vacina para a gripe A e a Síndroma de Guillan Barré, uma doença neurológica rara que afectou doentes na década de 70, quando se iniciou um plano de vacinação contra a gripe suína. Explica o que se passou e o que se está a passar, relatando que a vacina de agora é idêntica à da gripe sazonal, não tendo acontecido essa associação com a vacina para a gripe sazonal.


 


Vale a pena ler consultar estes sites e, serenamente, enfrentar as ondas de desinformação e de propaganda de todos os tipos que nos inundam.


 


Adenda 1: vale a pena ler a informação da CDC sobre a epidemiologia da gripe A no hemisfério sul (23/10/2009) e um documento de esclarecimento produzido pelo Department of Health, NHS, UK.


 


Adenda 2: a informação sobre a pandemia de H1N1, da OMS, diz o seguinte:


 


As of 17 October 2009, worldwide there have been more than 414,000 laboratory confirmed cases of pandemic influenza H1N1 2009 and nearly 5000 deaths reported to WHO.


 


As many countries have stopped counting individual cases, particularly of milder illness, the case count is significantly lower than the actually number of cases that have occurred. WHO is actively monitoring the progress of the pandemic through frequent consultations with the WHO Regional Offices and member states and through monitoring of multiple sources of data.

 


Com estes resultados significa que a mortalidade desta gripe será inferior à que podemos determinar apenas com os casos confirmados laboratorialmente: 1,2%.

 

A coligação do inadiável

 


Acho muito interessante a discussão que tem havido sobre a índole reformista do governo, que vários comentadores e politólogos já decidiram que não terá.


 


Antes da tomada de posse do governo anterior havia um clamor de todas as elites académicas, económicas, artísticas, todas, em como eram essenciais e inadiáveis as reformas estruturais na saúde, na economia, na educação, na administração pública, na justiça, enfim, era preciso reformar o país.


 


O governo anterior fez precisamente isso. Mas quando as reformas começaram a incomodar as inúmeras corporações, romperam as movimentações para parar as ditas reformas. Contra as manifestações, as notícias do desagrado das populações, do fechamento das estradas, o governo manteve as suas intenções reformistas.


 


Pois a oposição toda, da esquerda à direita, criticaram-nas na forma e no conteúdo, de tal forma que a campanha eleitoral foi feita com base na coligação negativa que queria mudar o que o governo tinha feito em quatro anos.


 


Ou seja, os ímpetos reformistas do anterior governo foram arrasados precisamente por quem sempre exigiu as tais reformas inadiáveis. Agora que o governo é minoritário os partidos, os comentadores e os politólogos estão preocupadíssimos com as tais reformas mais uma vez e cada vez mais inadiáveis que já decidiram que o governo não será capaz de fazer.


 


Talvez se enganem, apesar dos esforços que farão para terem razão.


 


Nota: também aqui.

23 outubro 2009

Les Goûts du Vin

 



 


Mesmo em frente à Assembleia da República, descendo umas escadinhas, encontramos um fragmento de Paris em Lisboa. Nathalie Cojan recebe com um português impecável, num sotaque francês cerradíssimo. A sala é pequena, acolhedora e demasiado vazia para a comida e a bebida que lá se experimenta.


 


Les Goûs du Vin, na Rua de São Bento, vale bem uma visita prolongada, amorosa, tentadora e confortável, com música ambiente bem ao som de Paris.

 

Paris en colère

 



 


Paris en Colère


Canta Mireille Mathieu

(Maurice Jarre - Paris brûle-t-il?)




Que l'on touche à la liberté

Et Paris se met en colère

Et Paris commence à gronder

Et le lendemain, c'est la guerre.


 


Paris se réveille

Et il ouvre ses prisons

Paris a la fièvre:

Il la soigne à sa façon.


 


Il faut voir les pavés sauter

Quand Paris se met en colère

Faut les voir, ces fusils rouillés

Qui clignent de l'œil aux fenêtres


 


Sur les barricades

Qui jaillissent dans les rues

Chacun sa grenade

Son couteau ou ses mains nues.


 


La vie, la mort ne comptent plus

On a gagné on a perdu

Mais on pourra se présenter là-haut

Une fleur au chapeau.


 


On veut être libres

A n'importe quel prix

On veut vivre, vivre, vivre

Vivre libre à Paris.


 


Attention, ça va toujours loin

Quand Paris se met en colère

Quand Paris sonne le tocsin

Ça s'entend au bout de la terre


 


Et le monde tremble

Quand Paris est en danger

Et le monde chante

Quand Paris s'est libéré

.

C'est la fête à la liberté

Et Paris n'est plus en colère

Et Paris peut aller danser

Il a retrouvé la lumière.


 


Après la tempête

Après la peur et le froid

Paris est en fête

Et Paris pleure de joie.

 

Gripes

 


Desde Maio que as notícias sobre a gripe A inundam os media. Desde Maio que se preparam planos de contingência e se alertam as populações, a nível mundial, para a pandemia, para os anti-virais, para as vacinas, para os grupos de risco. Desde Maio que se vive em função daquilo que há-de acontecer nas escolas, nos hospitais, nos transportes públicos, quando a gripe atacar a sério, que a Ministra Ana Jorge se multiplica em afirmações que se pretendem calmantes e assegura que teremos vacinas e anti-virais suficientes para quem precisar.


 


A pouco e pouco começam a surgir vozes respeitadas e avisadas que explicam que o alarme é demasiado, que a preocupação é exagerada, que o susto não se justifica. Jaime Nina afirma que a mortalidade desta gripe é igual ou inferior à da gripe sazonal, a Organización Médica Colegial de España fez mesmo um comunicado em que deplora o alarmismo e acalma as pessoas, informando-as do que se está, na realidade, a passar – a gripe A é uma doença benigna, contagiosa, que na maior parte das vezes tem pouca sintomatologia, noutras tantas passa em 3 dias e tem uma taxa de mortalidade igual ou inferir à da gripe sazonal.


 


É importante que as autoridades sanitárias estejam atentas, que tenham planos de contingência, que preparem cenários mais gravosos, o que já não se percebe é o ambiente que se está a criar para uma obrigatoriedade de  vacinação, como o facto de ficar registado quem não se quiser vacinar, assim como a notícia repetida de meia em meia hora, na TSF, de uma significativa percentagem de funcionários da linha saúde 24 que não está disposta a ser vacinada.


 


A vacina está disponível e existem grupos de risco que deverão ser vacinados, tal como acontece com a vacina para a gripe sazonal. Mas não é obrigatória nem deve ser. Todas as pessoas deverão ser informadas, esclarecidas e assim decidirão o que fazer, tal como para tantos outros tipos de procedimentos e de terapêuticas. Será que estamos a preparar uma sociedade cujos indivíduos são penalizados por exercerem o seu direito à livre escolha?


 


Convém, no entanto, não acreditar em todas as teorias da conspiração que circulam por toda a parte. A última de que tenho conhecimento é protagonizada por Rauni-Leena Luukanen-Kilde, que nunca foi ministra e que já defendeu que os nazis foram à Lua na década de 40, que os americanos já foram a Marte, que teve diversos contactos com OVNIs, etc.


 


Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...