"Ce qui est terrible dans cette terre, c'est que tout le monde à ses raisons".
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
pintura de Mario Zampedroni
swamp
1.
Fazer sentido sem tempo para arrumar peças
não fazem sentido as mãos os dedos a memória.
Estendo em traves mestras as traves que quebram
em esquinas agudas estacas caídas
estendo partículas intensamente baças.
Não fazem sentido sem o baile furioso da inércia.
2.
Aceitamos qualquer preço
qualquer coisa pouca
qualquer senha qualquer uso
aceitamos qualquer ser
que seja
nada.
canta Amália Rodrigues
Luís de Camões; Alain Oulman
Com que voz chorarei meu triste fado,
Que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
O tempo, de meu bem desenganado.
Mas chorar não estima neste estado
Aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, poi se mudou
Em tisteza a alegria do passado.
Assim a vida passo descontente,
Ao som nesta prisão do grilhão duro
Que lastima ao pé que a sofre e sente.
De tanto mal, a causa é amor puro,
Devido a quem de mim tenho ausente,
Por quem a vida e bens dele aventuro.
Na última segunda feira ouvi Henrique Monteiro tentar justificar o facto de não ter agarrado a notícia sobre o famoso email, que lhe teria chegado de uma fonte política.
Ficámos também a saber que Henrique Monteiro só faz a vontade às fontes quando a interferência política é de um lado.
Ficámos ainda a saber que Henrique Monteiro tem uma graduação de mérito profissional baseado na superioridade política e intelectual do Expresso.
Quanto mais se fala mais se percebe a teia de interesses que são servidos e que se servem dos jornalistas. Dos tais superiores, que até escolhem os momentos de publicação das notícias.
pintura de Erik Hanson
Emanations variations on black and white I
Nem enchentes e marés de sonhos, nem desertos sedentos de sol. Procura-se o meio-termo, o compromisso, a cedência. Sempre mais razoabilidade, mais equilíbrio, mais do mesmo, mais na mesma. Sempre é cedo ou tarde de mais, sempre talvez ou mais um pouco, sempre não há, não pode, sempre mais devagar, sempre degrau a degrau.
Não tenho mais punhos para cerrar, não sei de mais mastros para navegar, só restam os ponteiros dos segundos, urgentes, impositivos, certeiros, ruidosos, gritos surdos e olhos por todo o lado.
Mudar, é preciso virar as roupas do avesso, as almas, o mundo.
Já não tenho braços para tanto mar.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...