11 julho 2009

Assumir responsabilidades

 


Vítor Constâncio aprofundou a fragilidade com que se mantém no cargo de Governador do Banco de Portugal. A conferência de imprensa em que questiona a oportunidade da comissão parlamentar sobre a nacionalização do BPN, acusando-a mesmo de ter prejudicado investigações entretanto iniciadas, demonstrou que Vítor Constâncio não soube assumir a sua responsabilidade política pelos casos do BCP, BPP e BPN.


 


É penoso ver Vítor Constâncio colocar-se nesta situação. Devia ter-se demitido logo que começaram a surgir suspeitas de falaha de supervisão.


 

Acordar

 


Manuel Villaverde Cabral, que se considera um homem de esquerda, justifica a ingovernabilidade do país pela saída do PREC. Nas suas palavras, não há solução governativa à esquerda porque os partidos à esquerda do PS foram mantidos à margem do sistema e deveriam ser chamados ao sistema.


 


Manuel Alegre, fundador do PS, considera que tem de haver uma solução governativa que englobe os partidos à esquerda do PS, que se deve governar à esquerda, nomeadamente com os sindicatos.


 


O que Manuel Villaverde Cabral não comenta é a retórica ancestral, conservadora e antidemocrática dos partidos à esquerda do PS que, ao contrário dos seus congéneres europeus, não se remodelaram nem se refrescaram após os idos da queda do muro de Berlim.


 


O que Manuel Alegre não comenta é a instrumentalização partidária das duas centrais sindicais, em que a CGTP, braço sindical do PCP, tenta conseguir na rua aquilo que os votos nunca lhe deram, e em que a UGT funciona como um yes man dos governos em termos de política laboral. Também não especifica o que seriam as políticas de esquerda com uma coligação PS, PCP e BE.


 


Manuel Villaverde Cabral pensa que o governo precisa de um governo inspirado pelo Presidente. Gostaria de saber como se responsabilizaria esse governo. Fazia-se um referendo à actuação presidencial?


 


Adenda: Tal como Carlos Santos, não me fica nenhuma dúvida da escolha de Manuel Alegre nas eleições legislativas. Manuel Alegre é socialista e escolheu ficar no PS.

 

10 julho 2009

Opções políticas

 


Manuela Ferreira Leite rasga e não rasga políticas, rasga e não rasga as várias promessas de um programa de governo que há-de vir. Por um lado defende uma política de verdade, por outro essa política vai-se revelando, de uma forma por vezes tonta, oca, outras de uma forma mais ou menos camuflada. Mas ela existe. A pouco e pouco e nas entrelinhas, lá vai aparecendo o que divide políticas de direita e de esquerda.


 


O documento produzido pelo IFSC, disponível no site, discorre sobre as várias dificuldades e insuficiências do SNS, justificando-as pela culpa deste governo, faz um diagnóstico das dificuldades que enfrentaremos com o envelhecimento populacional e a redução de natalidade, já feito e refeito por todos os que se debruçam sobre este assunto, e as proposta, no fundo, resumem-se a:




(…) Mas, ainda assim, o tema do co-pagamento dos cuidados de saúde continua a ser tabu e a ser tratado com enorme preconceito, como é evidente pela recente introdução de “taxas moderadoras” para cirurgia e internamento como se fosse necessário dissuadir alguém a não abusar do recurso a esses actos médicos. Trata-se, objectivamente, da introdução de um sistema de co-pagamento, variável, em função dos rendimentos. (…)


(…) Na prática o que está em causa quando se fala em modelo de financiamento da saúde não é a introdução de fontes de receita verdadeiramente alternativas mas sim definir: o grau de cobertura que se pretende ver garantido; a existência ou não de seguro voluntário complementar; um verdadeiro seguro social obrigatório ou a recolha através de impostos de doença; a existência ou não de taxas moderadoras e a sua diferenciação em função do rendimento; a promoção ou abolição de benefícios fiscais, etc. (…)


(…) O Estado deve estabelecer um modelo de financiamento:


- Transparente, que permita aos contribuintes avaliar a gestão política dos activos públicos;


- Proporcional e flexível de modo a nunca comprometer ou pôr em risco o acesso dos mais carenciados aos necessários cuidados de saúde;

- Equitativo nas oportunidades ajustando, se necessário, as co-comparticipações dos utentes em função do seu rendimento. Deve proceder-se a um reordenamento de prioridades na área da saúde hierarquizando os cuidados cobertos pela política de redistribuição, definido taxas de cobertura e eventual graduação de co-comparticipações em função do rendimento;

- O financiamento orientado para resultados e em linha com a capacidade dos prestadores para gerir custos e promover qualidade e ganhos de saúde.


 


Defende-se, mais uma vez, o Estado mínimo e regulador, falando-se da complementaridade dos vários sectores, e em rentabilização do sector público, reduzindo os desperdícios, mas nunca como.


 


Esta é uma cisão entre duas visões do problema. A redução dos desperdícios deve iniciar-se pela reorganização e reestruturação dos cuidados de saúde primários e de urgências, que se iniciou com o Ministro Correia de Campos e que o PSD, oportunística e demagogicamente atacou, com uma verdadeira rede de referenciação hospitalar, para concentrar o que deve ser concentrado e descentralizar o que pode ser descentralizado, tal como se tentou fazer com a reorganização dos cuidados de saúde materna e que o PSD, demagócica e oportunisticamente atacou, com a rentabilização dos serviços hospitalares e de centros de saúde, aumentando as consultas e as cirurgias, regulando o cumprimento dos horários de trabalho, separando o privado do público, como tentou fazer Correia de Campos ao proibir a acumulação de funções de direcção de serviços públicos e privados, que o PSD oportunística e demagogicamente atacou, insistindo na valorização e implementação dos genéricos, etc.


 


Estes devem ser os temas de discussão na campanha eleitoral, para que todos saibamos exactamente quais as alternativas ao governo do PS.

 

09 julho 2009

Mar de Agosto

 



(pintura de Gerhard Richter: silsersee) 


 


Às vezes penso no mar de Agosto

manto imenso de azul profundo

no peso e embalo do marulhar

do intenso e inaugural início

de um tempo suspenso.


 


Às vezes sinto o mar de Agosto

no lento sussurro dos teus olhos.


 

08 julho 2009

Higiene e Gripe (H1N1)

 


Fala-se em pandemia e em muitos casos de infectados com gripe e começa a surgir o pânico. A informação detalhada, calma e rigorosa é a melhor arma contra os fantasmas e o medo.


 


É natural que haja, cada vez mais, pessoas a serem infectadas pelo vírus da gripe A (H1N1). Todos devem perceber que a gripe é uma doença viral, autolimitada e que, na imensa maioria das vezes, tem um curso benigno e não deixa sequelas.


 


Então porquê o alarmismo?



  • Se houver muitíssimas pessoas infectadas os incómodos causados, não só para os doentes individualmente mas como para a sociedade em geral, empresas, hospitais, escolas, supermercados, transportes públicos, etc., podem ser bastante importantes. Daí o objectivo de conter o melhor possível a propagação do vírus e os contágios.


Para isso a melhor arma é a higiene individual: lavar muitas vezes as mãos, assoar-se para um lenço de papel que se deve deitar imediatamente no lixo, manter-se em casa para impedir que se contagiem outros os colegas e os transeuntes, não recorrer aos serviços de urgência hospitalar, usar a Linha Saúde 24: 808 24 24 24 para esclarecer dúvidas, não tomar antivirais a não ser que sejam expressamente recomendados pelo médico, manter-se o mais possível isolado dentro de casa para não contagiar quem de si trata, tomar apenas anti-piréticos (paracetamol), repousar e beber líquidos.



  • Há alguns grupos de pessoas (grupos de risco) que, se forem infectadas, têm mais probabilidade de ter complicações. Este vírus é mais prevalente nos jovens e parece ser mais agressivo nos que já têm doenças crónicas e nas grávidas. Estão a ser definidos pela OMS exactamente quais os grupos de risco  precisamente para quando houver uma vacina disponível se saber quem deve ser vacinado.


Quanto aos estabelecimentos públicos, quaisquer que eles sejam, devem preparar-se e ter planos de contingência para o caso de haver muitas pessoas que estejam impedidas de trabalhar (ou porque têm gripe, ou porque estão de quarentena, ou porque estão a tratar de quem tem gripe). O que é necessário para eliminar o vírus das superfícies dos edifícios, das paredes e das janelas é um bom arejamento e lavagens frequentes com detergente doméstico comum, de puxadores de porta, brinquedos, tudo o que possa estar em contacto com as mãos.


 


O encerramento das escolas deve ser decidido seguindo as instruções dos documentos que estão disponíveis no site da Direcção Geral de Saúde e com os delegados de saúde. Não me parece que o adiamento da abertura do ano lectivo resolva seja o que for. Se estas não têm condições para enfrentar a gripe é porque não têm condições para funcionar, com ou sem gripe. Convém manter a calma e o bom senso e, caso a caso, com os professores e os responsáveis autárquicos, prover aos instrumentos de higiene e saúde que devem estar sempre disponíveis.


 


Aqui ficam alguns sites em que se pode ler informação fidedigna:



  1. Direcção Geral de Saúde

  2. Organização Mundial de Saúde





  (A 6 de Julho: 94 512 casos; 429 fatais - mortalidade de 0,4%)

Desgoverno governamental

 



 


Tenho defendido a política de educação deste governo e continuo a pensar que, apesar de muitos senãos e ainda ques, foi o melhor governo que tivemos desde há muitos anos, tremendo perante o regresso da alternativa protagonizada pela Dra. Manuela Ferreira Leite.


 


Por isso custa-me muito assistir aos completos disparates que, no fim da legislatura, se vão ouvindo de todos os quadrantes governamentais.


 


As declarações de Valter Lemos e de Maria de Lurdes Rodrigues sobre o resultado dos exames nacionais, nomeadamente os de Matemática, revelam um total desrespeito pelas pessoas, especialmente as que estão mais directamente envolvidas  no assunto, professores e alunos.


 


É óbvio que os exames do ano passado foram muito mais fáceis do que os deste ano e que os resultados reflectem isso mesmo. É claro que há um longo caminho a percorrer e que os exames deverão enquadrar-se na exigência que reflicta uma boa aprendizagem e não em exageros, seja para que lado for.


 


Não concordo com o dantes é que era bom, porque já há muito tempo que é muito mau. Ao contrário de fazer luta política desonesta era preferível que o Ministério assumisse que iria analisar os resultados e encontrar explicações para o que se passa, mudando o que há para mudar, ajustando o que precisa ser ajustado.


 


Não são as reformas que fazem perder eleições, é a incapacidade de tratar os eleitores como seres pensantes. Convém que o PS e o seu governo não desbaratem o capital de confiança que ainda possam ter.


 



 

07 julho 2009

Duplas candidatas (1)

 


As candidaturas assumidas por figuras dos partidos a cargos resultantes de eleições diferentes, cargos esses que deverão ser exercidos em simultâneo, não dignificam esses cargos nem quem se candidata a exercê-los.


 


aqui tinha expresso a minha discordância quanto ao facto de Elisa Ferreira e Ana Gomes serem candidatas às eleições europeias e às eleições autárquicas. No entretanto, após a derrota eleitoral nas europeias, o PS (e bem) decidiu excluir as duplas candidaturas entre as eleições autárquicas e legislativas.


 


Tal como Manuel Alegre, também penso que Ana Gomes e Elisa Ferreira deviam escolher: ou mantém o seu lugar como deputadas no Parlamento Europeu, ou desistem dele e concorrem às autarquias de Sintra e do Porto. Seria um gesto clarificador e demonstrativo de que a mudança de atitude do partido é de fundo e não conjuntural.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...