Manuela Ferreira Leite rasga e não rasga políticas, rasga e não rasga as várias promessas de um programa de governo que há-de vir. Por um lado defende uma política de verdade, por outro essa política vai-se revelando, de uma forma por vezes tonta, oca, outras de uma forma mais ou menos camuflada. Mas ela existe. A pouco e pouco e nas entrelinhas, lá vai aparecendo o que divide políticas de direita e de esquerda.
O documento produzido pelo IFSC, disponível no site, discorre sobre as várias dificuldades e insuficiências do SNS, justificando-as pela culpa deste governo, faz um diagnóstico das dificuldades que enfrentaremos com o envelhecimento populacional e a redução de natalidade, já feito e refeito por todos os que se debruçam sobre este assunto, e as proposta, no fundo, resumem-se a:
(…) O Estado deve estabelecer um modelo de financiamento:
- Transparente, que permita aos contribuintes avaliar a gestão política dos activos públicos;
Defende-se, mais uma vez, o Estado mínimo e regulador, falando-se da complementaridade dos vários sectores, e em rentabilização do sector público, reduzindo os desperdícios, mas nunca como.
Esta é uma cisão entre duas visões do problema. A redução dos desperdícios deve iniciar-se pela reorganização e reestruturação dos cuidados de saúde primários e de urgências, que se iniciou com o Ministro Correia de Campos e que o PSD, oportunística e demagogicamente atacou, com uma verdadeira rede de referenciação hospitalar, para concentrar o que deve ser concentrado e descentralizar o que pode ser descentralizado, tal como se tentou fazer com a reorganização dos cuidados de saúde materna e que o PSD, demagócica e oportunisticamente atacou, com a rentabilização dos serviços hospitalares e de centros de saúde, aumentando as consultas e as cirurgias, regulando o cumprimento dos horários de trabalho, separando o privado do público, como tentou fazer Correia de Campos ao proibir a acumulação de funções de direcção de serviços públicos e privados, que o PSD oportunística e demagogicamente atacou, insistindo na valorização e implementação dos genéricos, etc.
Estes devem ser os temas de discussão na campanha eleitoral, para que todos saibamos exactamente quais as alternativas ao governo do PS.
se temos esta confusão toda e ainda não saímos das palavras o que será (seria?) quando estivermos na acção governativa? é o que dá em pressionar uma senhora idosa para que se candidate a 1ª ministra quando ela, claramente, não estava para aí virada (por não ter atributos).
ResponderEliminarSafa!
ResponderEliminarPagar impostos uma vida inteira para, ainda hoje, estar sujeita à indigência nos cuidados primários, pagando para isso taxas moderadoras, não é castigo suficiente?
Recomende-se a MFL que vá aqui ao lado, a Espanha. Pode ir a Marvão e, num pulinho a Valência de Alcântara, onde pode visitar o centro de saúde e aperceber-se de TODOS os pormenores que fazem tanta diferença, para muito melhor.
Por isso lá vão tantos portugueses e não pagam taxas moderadoras!