21 abril 2008

Preocupações (II)

Qual a noção que temos da organização da sociedade como um bem colectivo, que existe para o bem-estar colectivo, para que se possa assegurar a todos uma vivência digna, em segurança, com igualdade de oportunidades e acesso à saúde, à justiça, à educação, a um apoio social para que todos melhorem as suas condições de vida?

E se não apetecer à sociedade civil tratar os doentes que não têm dinheiro, os que estão desempregados, os velhos que não têm família? E se a sociedade civil não estiver para a filantropia?

Que acontece se a sociedade civil só quiser ensinar os filhos dos seus mais dilectos representantes? E se a sociedade civil se estiver nas tintas para os imigrantes?


 


Que acontecerá a uma sociedade civil tão desagregada, compartimentada, espartilhada? Não será a perpetuação das desigualdades sociais, dos desequilíbrios? Não será a negação da próprio Estado? Ou será o Mercado que virá substituir o Estado?

Preocupações (I)

Preocupamo-nos todos os dias com os mercados, o preço do petróleo, o crescimento económico, o aumento das taxas de juro, o endividamento das famílias, a desvalorização do dólar, a insegurança, o desemprego.

Preocupamo-nos todos os dias com a qualidade da democracia. Parte do discurso político, se é que se lhe pode chamar assim, tem a ver com a descredibilização da classe política, com a promiscuidade entre os cargos públicos e privados, numa verve demagógica ela própria geradora de desinteresse e afastamento dos cidadãos da vivência política.


 


A qualidade da democracia está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento económico de um país. Quando a taxa de desemprego é tão alta como agora está, não há verdadeira liberdade de expressão de pensamento, não há verdadeira liberdade de associação sindical, não há verdadeira liberdade de reivindicação de direitos e de salários.


 


A ausência de trabalho e a inflação do trabalho precário reduz a capacidade de intervenção cívica dos cidadãos. Ao ouvir Pedro Passos Coelho dizer que o Estado se deve retirar das empresas e que deveria ser a sociedade civil a substituí-lo pergunto-me o que fazer quando a sociedade civil não quiser resolver os assuntos, porque não lhe interessa, porque não lhe dá lucro, porque não está para aí virada.

20 abril 2008

Corações (coeurs)


 


Neva sempre, nos ombros, nos casacos, nos gorros, nos olhos, nas almas, nos corações cobertos de branco.


 


Alguns cenários com poucos adereços, em tons de cinzento, branco e azul, com excepção do bar, que tem tons vibrantes, feéricos, tão tristes como a imobiliária, a casa de Lionel , e as casas que Dan e Nicole visitam, a pedido dela, para viverem uma vida a dois que sabem que nunca acontecerá.


As vidas de algumas pessoas, solitárias e carentes, de Thierry , esperançosamente espantado com a luxúria da sua colega de trabalho, de Gaëlle , que todas as noites se transforma numa secreta heroína de flor na lapela, ao encontro do amor que tarda, de Charlotte , que se purifica com a Bíblia, todos com alguns apontamentos de loucura mansa, quase burlesca, de desejos reprimidos e penitências repetidas.


 


É um filme docemente triste, com o realismo das relações trocadas, dos desencontros que parecem planeados, do abandono, da solidão. É um filme sobre nós, o mais íntimo e absoluto de nós, o que somos e o que desejaríamos ser.


 


De Alain Resnais , claro, numa adaptação da peça de Alan Ayckbourn : Private Fears in Public Places .

19 abril 2008

Ponto de Mira

Ponto de Mira (Vantage Point) é um filme frustrante, que defrauda as  expectativas de quem se envolve totalmente nos primeiros 2/3 do filme. Magistralmente filmado, mostrando uma cena observada por várias personagens, cada uma juntando um pouco mais de mistério, mas também descobrindo um pouco mais o mistério. Uma ideia brilhante com excelentes actores, uma Plaza Mayor de Salamanca credível, turistas, profissionais de segurança e dos média, terroristas e um Presidente bem americano.


 


Depois estraga-se tudo. Perseguições disparatadíssimas, por estradas tão depressa urbanas, com viadutos e trânsito, como marroquinas, pela confusão, pelos mercados e pelos mercadores. Chega-se ao fim e não se percebe o enredo, não se entende quais as motivações dos terroristas, porque é que há polícias na tramóia, que entretanto são aldrabados, outros que são mortos mas estão por dentro, enfim, acabou aquilo que era uma promessa de uma excelente história, a correr e à pressa. Como disse o meu companheiro de filme, parece ter havido dois argumentistas : o da primeira parte do filme, muito bom; o da segunda parte do filme, muito mau. Mas no guião vem apenas o nome de Barry Levy.


 


Que pena.


 


Ciclo


(árvore da vida céltica)


 


Se morrer antes de me entregar
total e absolutamente
a tudo a todos
se morrer antes de me desintegrar
cíclica e metodicamente
por tudo por todos
se morrer antes de me inventar
de novo e repetidamente
em tudo em todos

soprarei os despojos pelo ar
antes de me acabar.

Prémio


 


Pois é, gostaria de saber que raio acertou na cabeça do JF para se lembrar de me distinguir com este prémio. Para nossa tranquilidade e saúde, continuo a corrente com todo o gosto, agradecendo-lhe a leitura deste blogue.

E lá vão alguns dos blogues que, para além do que raio de saúde a nossa, saboreio diariamente:



Covém lembrar as regras:




  1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que gostamos e visitamos regularmente postando comentários



  2. Ao receber o selo é um blog bom sim senhora!! devemos escrever um post incluindo: o nome de quem nos deu o prémio com o respectivo link de acesso, a tag do prémio, a indicação de outros 7 blogs



  3. A tag do prémio deve ser exibida no blog



E pronto, segue mais esta dança. Obrigada a todos os que me visitam.

Voltar atrás

De novo o país entretém-se a apostar nas várias figuras emblemáticas do PSD, os D. Sebastião do costume, para as novas eleições no maior partido da oposição, que tinha encontrado o seu líder, de novo, há cerca de 7 meses.

Independentemente do valor que essas gratas figuras terão, intrínseco e simbólico, o PSD continua a viver das glórias do passado, mais precisamente do período áureo do cavaquismo.

O PSD deveria ser essencial ao debate político e ao país, pois as maiorias absolutas sem oposição ou alternativa credíveis empobrecem e descredibilizam a própria essência da vivência democrática.

Mas o recurso cíclico a figuras do passado é uma falsa fuga em frente. Não se volta atrás no tempo, nunca. A situação do país é diferente, as circunstâncias internacionais são diferentes, os protagonistas têm que ser diferentes. Parece a repetição de um erro clamoroso de José Sócrates ao lançar a candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Por outro lado, se é necessário que o PSD enfrente os seus mitos e os seus fantasmas, talvez seja indispensável que todas essas figuras finalmente se arrisquem a perder. Talvez assim surja algo de novo, refrescante e acutilante.


 


É urgente que algo aconteça.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...