Neva sempre, nos ombros, nos casacos, nos gorros, nos olhos, nas almas, nos corações cobertos de branco.
Alguns cenários com poucos adereços, em tons de cinzento, branco e azul, com excepção do bar, que tem tons vibrantes, feéricos, tão tristes como a imobiliária, a casa de Lionel , e as casas que Dan e Nicole visitam, a pedido dela, para viverem uma vida a dois que sabem que nunca acontecerá.
As vidas de algumas pessoas, solitárias e carentes, de Thierry , esperançosamente espantado com a luxúria da sua colega de trabalho, de Gaëlle , que todas as noites se transforma numa secreta heroína de flor na lapela, ao encontro do amor que tarda, de Charlotte , que se purifica com a Bíblia, todos com alguns apontamentos de loucura mansa, quase burlesca, de desejos reprimidos e penitências repetidas.
É um filme docemente triste, com o realismo das relações trocadas, dos desencontros que parecem planeados, do abandono, da solidão. É um filme sobre nós, o mais íntimo e absoluto de nós, o que somos e o que desejaríamos ser.
De Alain Resnais , claro, numa adaptação da peça de Alan Ayckbourn : Private Fears in Public Places .
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