19 abril 2008

Voltar atrás

De novo o país entretém-se a apostar nas várias figuras emblemáticas do PSD, os D. Sebastião do costume, para as novas eleições no maior partido da oposição, que tinha encontrado o seu líder, de novo, há cerca de 7 meses.

Independentemente do valor que essas gratas figuras terão, intrínseco e simbólico, o PSD continua a viver das glórias do passado, mais precisamente do período áureo do cavaquismo.

O PSD deveria ser essencial ao debate político e ao país, pois as maiorias absolutas sem oposição ou alternativa credíveis empobrecem e descredibilizam a própria essência da vivência democrática.

Mas o recurso cíclico a figuras do passado é uma falsa fuga em frente. Não se volta atrás no tempo, nunca. A situação do país é diferente, as circunstâncias internacionais são diferentes, os protagonistas têm que ser diferentes. Parece a repetição de um erro clamoroso de José Sócrates ao lançar a candidatura de Mário Soares à Presidência da República.

Por outro lado, se é necessário que o PSD enfrente os seus mitos e os seus fantasmas, talvez seja indispensável que todas essas figuras finalmente se arrisquem a perder. Talvez assim surja algo de novo, refrescante e acutilante.


 


É urgente que algo aconteça.

3 comentários:

  1. O "verdadeiro" PSD é/sempre foi o de Meneses, Santana, Ribau, Bota, Jardim, Ruas, Loureiro e tantos outros AUTARCAS de um nosso Portugal arcaico ainda com laivos miguelistas - provinciano, basista, popularucho, rural, conservador, trauliteiro, invejoso, maledicente, pseudo católico.
    Nenhum dos líderes nacionais do PSD que chegaram a PM (Sá Carneiro, Balsemão, Nogueira, Barroso e principalmente Cavaco) ligaram alguma importância ao pensamento dessas bases e à vida partidária efectiva - secções, concelhias, distritais- pois eram eleitos em Congresso de Notáveis e o partido era somente o instrumento para lhe permitir o acesso ao poder.
    A questão Bases vs Barões é tão velha quanto o PSD. Só volta à tona quando o PSD está fora do poder ...e não há cargos/benesses a distribuir...e por isso a "revolta".
    Os Notáveis/Barões sempre foram as figuras que, melhor ou pior, deram credibilidade nacional ao PSD mas não tinham nem queriam ter raízes naquelas bases e agora estão e vão pagar por isso.
    O PSD ao passar a eleger o líder em directas abriu a Caixa de Pandora que conduzirá ao fim do PSD que sempre conhecemos (e haverá outro ?)...e a uma refundação da direita e/ou ao eternizar do "socratismo".

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  2. Por outras palavras. É urgente que apareça um Sócrates no PSD.

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  3. A crónica de Rui Tavares de hoje, no Público, diz melhor o que eu o que queria dizer. José Sócrates não seria uma boa solução para o PSD. O PSD não sabe o que é, já não sabe (ou se calhar nunca soube bem...); enquanto não conseguir clarificar a sua identidade manter-se-á com agora, a definhar. O mais curioso é que o CDS está na mesma.

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