22 fevereiro 2007

Suspendamos

É claro! É preciso suspender a reorganização da rede hospitalar, como era preciso suspender o fecho das maternidades e o fecho das escolas com menos de 10 crianças!

Ao fim de 2 anos, o governo é acusado de apenas ter afrontado algumas classes profissionais, ter tomado algumas medidas superficiais, sem reformas estruturais. No que diz respeito à reorganização da rede de urgências que, no entender da oposição, chefiada pelo PCP e secundada pelo PSD, não é uma reforma estrutural, esta deve ser suspensa.

Aliás, a única coisa que a oposição tem para oferecer é a suspensão. Já vem de longe, com a suspensão da co-incineração, e agora com a suspensão das responsabilidades governativas na Câmara de Lisboa (em que parece que estão todos de acordo em manter a Câmara em suspensão!). O PCP quer que haja explicações técnicas que justifiquem esta reorganização. Devem querer que se nomeie outra comissão científica, tal como já aconteceu com a co-incineração. Se as comissões científicas não dizem o que a oposição quer, nomeia-se outra!

Este país é exímio em estudos, comissões, diagnósticos e considerações. Por isso é que, desde há tantos anos, está suspenso!

21 fevereiro 2007

Graça

Não saberia dizer a hora
em que me desfizera de tudo o que não era teu,

quando cada coisa se deixou cobrir
por tua presença sem margens

e deixou de haver um lado
que fosse fora de ti.

(poema de Eucanaã Ferraz; recorte de Gémeo Luís)

19 fevereiro 2007

É a guerra!

Alberto João Jardim tornou, infelizmente, a mostrar o cimento carnavalesco de que é feito.

Em cerca de 15 minutos, com uma solenidade de palhaço em desgraça, insultou os órgãos de soberania nacionais, por certo esquecendo-se que ele também é português, os socialistas madeirenses, os seus companheiros de partido, visto que justificou a sua recandidatura por palavras em que enxovalhava todos os outros potenciais candidatos do seu próprio partido. Clamou contra a quebra de solidariedade do país, esquecendo-se da falta de solidariedade que ele demonstrou sempre ao gastar mais do que podia.

Enfim, fez muito barulho, grande estardalhaço, mas não explicou como, depois de legitimado pelo voto dos madeirenses e dos porto-santenses, vai combater o governo central.

Eu aposto na declaração simultânea de secessão de guerra, entre o Soberano Reino da Madeira e Porto Santo contra a República Portuguesa.

Que tristeza!

A urgência da informação

Como era previsível está a repetir-se o que se passou com o fecho das maternidades: a inabilidade política de Correia de Campos, a chantagem dos autarcas, a manipulação das populações, pegando num dos assuntos mais sensíveis e importantes para a generalidade das pessoas.

As manifestações das populações e dos autarcas fazem parte, manifestamente, da luta política dentro e fora do PS. E tenho poucas dúvidas da existência de manipulação populista e demagógica da população, receosa e amedrontada por aquilo que pensa ser um serviço de urgência eficiente e de qualidade.

Vendo o problema pelo aspecto da redistribuição dos serviços às populações, talvez ajudasse a reorganização da divisão administrativa do país, acabando com freguesias e concelhos nuns sítios, aumentando freguesias e concelhos noutros sítios, aproveitando para alterar a distribuição do número de autarcas por esse país fora. Talvez a manutenção do status quo seja uma motivação adicional para protestar. E poder-se-ia aproveitar, quanto antes, para renovar os cadernos eleitorais com um novo recenseamento, por exemplo.

Por muita razão que tenha, Correia de Campos, mais uma vez, está a tratar do assunto com os pés. As pessoas têm razão para se preocupar. As pessoas não sabem, nem têm que saber, que a qualidade e a extensão de serviços que os SAP prestam, sem possibilidades técnicas mínimas e sem pessoal mínimo de atendimento, é um engano e um desperdício de recursos humanos, técnicos e financeiros.

É ao ministro responsável, às comissões por ele nomeadas e às organizações das diversas classes profissionais, que cabe o esclarecimento das populações com informação detalhada e serena, as vezes que forem necessárias.

18 fevereiro 2007

Pra que somar se a gente pode dividir?

Se Vinicius existisse hoje, se calhar não podia existir. Vinicius era o excesso, a necessidade de viver, de amar, de paixão, do pranto, do canto, do carinho, da mulher, da dor, da bebida, do cigarro, de rir, de procurar, de esbanjar, de querer.

Vinicius era tudo o que hoje não se pode ser, porque agora a nossa imaginação e criatividade têm objectivos, deveres e haveres, contabilidade, água de rosas e desodorizante, dentes brilhantes e preservativos, viagra e lençóis de seda, limites de velocidade, limites de desejos e de prazer, limites para o sofrimento, limites.

O filme Vinicius, de Miguel Faria Júnior, transpira ternura e respeito, abraços e lágrimas que crescem, música, divina e tão terrena, transpira negros e ritmos que nos fazem dançar por dentro.

Para guardar do lado esquerdo do peito.

Como dizia o poeta

Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

(Vinicius de Moraes / Toquinho)

17 fevereiro 2007

“Broken Bicycles/Junk”

Broken Bicycles



Broken bicycles, old busted chains

Rusted handlebars, out in the rain

Somebody must have an orphanage for

All these things that nobody wants anymore



September's reminding July

It's time to be saying goodbye

Summer is gone, our love will remain

Like old broken bicycles out in the rain



Junk



Motorcars, handlebars

Bicycles for two

Broken-hearted jubilee

Parachutes, army boots

Sleeping bags for two

Sentimental jamboree



"Buy! Buy!" says the sign in the shop window

"Why? Why?" says the junk in the yard



Broken Bicycles



Broken bicycles, don't tell my folks

'Cos all those playing cards pinned to the spokes

Laid out like skeletons out on the lawn

The wheels won't turn when the other half's gone



Seasons can turn on a dime

Somehow I forget every time

For the things that you've given me

Will always stay

They're broken

But I'll never throw them away







[Tom Waits (Broken Bicycle) / Paul McCartney (Junk); Elvis Costello, Anne Sofie Von Otter – For the Stars (2001)]

"Broken Bicycles"

Broken bicycles,

old busted chains,

with busted handle bars

out in the rain.

Somebody must

have an orphanage for

all these things that nobody

wants any more

September's reminding July

it's time to be saying good-bye.



Summer is gone,

our love will remain.

Like old broken bicycles

out in the rain.



Broken Bicycles,

don't tell my folks;

there's all those playing cards

pinned to the spokes,

laid down like skeletons

out on the lawn.

The wheels won't turn

when the other has gone.

The seasons can turn on a dime,

somehow I forget every time;

for all the things that you've given me

will always stay

broken, but I'll never throw them away.





[Tom Waits: Broken Bicycles (One from the Heart, 1982)]

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...