Como era previsível está a repetir-se o que se passou com o fecho das maternidades: a inabilidade política de Correia de Campos, a chantagem dos autarcas, a manipulação das populações, pegando num dos assuntos mais sensíveis e importantes para a generalidade das pessoas.
As manifestações das populações e dos autarcas fazem parte, manifestamente, da luta política dentro e fora do PS. E tenho poucas dúvidas da existência de manipulação populista e demagógica da população, receosa e amedrontada por aquilo que pensa ser um serviço de urgência eficiente e de qualidade.
Vendo o problema pelo aspecto da redistribuição dos serviços às populações, talvez ajudasse a reorganização da divisão administrativa do país, acabando com freguesias e concelhos nuns sítios, aumentando freguesias e concelhos noutros sítios, aproveitando para alterar a distribuição do número de autarcas por esse país fora. Talvez a manutenção do status quo seja uma motivação adicional para protestar. E poder-se-ia aproveitar, quanto antes, para renovar os cadernos eleitorais com um novo recenseamento, por exemplo.
Por muita razão que tenha, Correia de Campos, mais uma vez, está a tratar do assunto com os pés. As pessoas têm razão para se preocupar. As pessoas não sabem, nem têm que saber, que a qualidade e a extensão de serviços que os SAP prestam, sem possibilidades técnicas mínimas e sem pessoal mínimo de atendimento, é um engano e um desperdício de recursos humanos, técnicos e financeiros.
É ao ministro responsável, às comissões por ele nomeadas e às organizações das diversas classes profissionais, que cabe o esclarecimento das populações com informação detalhada e serena, as vezes que forem necessárias.
As manifestações das populações e dos autarcas fazem parte, manifestamente, da luta política dentro e fora do PS. E tenho poucas dúvidas da existência de manipulação populista e demagógica da população, receosa e amedrontada por aquilo que pensa ser um serviço de urgência eficiente e de qualidade.
Vendo o problema pelo aspecto da redistribuição dos serviços às populações, talvez ajudasse a reorganização da divisão administrativa do país, acabando com freguesias e concelhos nuns sítios, aumentando freguesias e concelhos noutros sítios, aproveitando para alterar a distribuição do número de autarcas por esse país fora. Talvez a manutenção do status quo seja uma motivação adicional para protestar. E poder-se-ia aproveitar, quanto antes, para renovar os cadernos eleitorais com um novo recenseamento, por exemplo.
Por muita razão que tenha, Correia de Campos, mais uma vez, está a tratar do assunto com os pés. As pessoas têm razão para se preocupar. As pessoas não sabem, nem têm que saber, que a qualidade e a extensão de serviços que os SAP prestam, sem possibilidades técnicas mínimas e sem pessoal mínimo de atendimento, é um engano e um desperdício de recursos humanos, técnicos e financeiros.
É ao ministro responsável, às comissões por ele nomeadas e às organizações das diversas classes profissionais, que cabe o esclarecimento das populações com informação detalhada e serena, as vezes que forem necessárias.
Não se interprete isto, como um saudosismo nem tão pouco como um assumir de estar perante a “verdade absoluta”.
ResponderEliminarMas a população do interior do país, dos finais da década de 70, sabe bem por certo, dar valor ao “serviço médico à periferia” então criado que disponibilizou meios, primários sem dúvida, de assistência médica nas aldeias que outrora estavam confinados só às vilas e cidades. Dir-se-ia que era a saúde que ia ter com a população, que malgrado a falta de meios técnicos de que dispunha, conseguia chegar bem mais perto da população mais desprotegida, conseguia despertá-la para os cuidados de prevenção da doença por forma a considerarem a saúde como um bem essencial.
Do idoso ao recém-nascido, do jovem ao adulto, todos eram atendidos, aconselhados e tratados por “clínicos gerais” recém saídos do Internato P1 e P2 (que se seguia à licenciatura em medicina), com uma preparação clínica mínima, mas que muito contribuíram, pela sua juventude e dedicação, para a actualização duma medicina do tipo “João Semana” para uma medicina mais moderna e actualizada em termos de conceitos de prevenção e tratamento.
Muitos destes clínicos por lá ficaram. Outros realizaram, nos grandes centros, a sua especialização e para lá regressaram. Reorganizando serviços e outros criando, deram ao interior do país uma qualidade de saúde e uma “segurança”, para quem lá sempre residiu, bem diferentes das que desde sempre estavam habituados. E a isto as populações se foram habituando. Mas não só para estes bons hábitos esta política contribuiu. A diminuição da taxa de mortalidade infantil e o aumento da esperança media de vida, é também sua consequência, juntamente com a real melhoria das condições de vida das populações.
Será que se pretende voltar ao passado? Afastar os cidadãos da saúde, ao invés de os aproximar dela?
A bem da rentabilização de meios humanos e nada por razões economicistas se promove encerramento de serviços (que muito têm realizado) e pretensamente se reforçam outros, contribuindo assim para uma maior centralização da vida social, política e económica deste nosso país.
Não haverá outra maneira de tratar melhor a saúde?
J.F., agradeço-lhe o seu comentário.
ResponderEliminarComeço por concordar consigo, porque penso que na década de setenta a implementação do serviço médico à periferia foi uma revolução silenciosa, que permitiu melhorar todos os indicadores de saúde dos últimos 30 anos. De facto nessa altura não existia SNS, não havia médicos, ou havia muito poucos, em quase todo o interior, não havia equipamentos bem apetrechados, enfim, não havia quase nada. Nessa altura, a forma encontrada de servir a população, em termos de cuidados de saúde primários e secundários, foi excelente.
Mas passaram 30 anos. Tudo se foi modificando e tudo se modificou. Desde logo a própria noção do que são cuidados médicos de qualidade, a evolução tecnológica na medicina e ciências associadas, a composição etária da população, a exigência da mesma, a distribuição geográfica da população e dos prestadores de saúde, as acessibilidades e os custos.
Neste momento há critérios do que é uma urgência e uma emergência, quais os meios humanos e técnicos que deverão estar disponíveis para cada tipo de problema, os requisitos de curricula necessários para se assegurar a qualidade mínima. Há mais e melhores medicamentos, exames complementares de diagnóstico. Os diagnósticos são quase sempre apoiados em técnicas complementares. Para tudo isto são necessários meios, técnicos e humanos. Por tudo isto, 30 anos depois, é necessário reajustar a distribuição geográfica, os níveis hierárquicos de necessidades, para manter (pelo menos é impensável que assim não seja) a tão necessária garantia de qualidade.
Ou será que não é esse o objectivo que as comissões de peritos têm em mente? Não tenho motivos, felizmente, para assim pensar.
«As manifestações das populações e dos autarcas fazem parte, manifestamente, da luta política dentro e fora do PS. E tenho poucas dúvidas da existência de manipulação populista e demagógica da população, receosa e amedrontada por aquilo que pensa ser um serviço de urgência eficiente e de qualidade».
ResponderEliminarOlhe que não!!!! Como se sentiria se tivesse de andar o dobro ou triplo para ser consultada?