28 junho 2006

E esta, heim?

Diz-se que o futebol português é violento e matreiro, que é sujo. O jogo com a Holanda foi terrivelmente violento e a culpa, ao contrário do que os especialistas da bola proclamam, não foi só, nem principalmente, do árbitro.

No entanto, quem tem um jogador LESIONADO, sem saber se pode ou não jogar contra a Inglaterra, resultado do tipo de jogo, se calhar limpo, da Holanda, é a nossa selecção…

Procriação medicamente assistida (parte IV)


De facto vale sempre a pena LER os documentos em vez de falar do que se ouve dizer.

O decreto sobre a PMA, quanto a mim, está equilibrado e acautela ao máximo o bem-estar a todos os níveis das crianças que vão nascer e dos progenitores, em termos de garantias de qualidade nos procedimentos, garantias de possibilidade de êxito, garantias de confidencialidade, etc. Não avança com a hipótese de PMA como processo alternativo de gravidez. Concordo. Eu, em muitas coisas, também sou conservadora.

Por outro lado, também vale a pena LER a petição para o referendo apresentada à Assembleia da República, assim como as três perguntas que constariam do referendo. É extraordinário como se consegue resumir a PMA a estas três perguntas, num português pouco esclarecedor, focando aspectos da técnica em si, feitas de forma a induzir as respostas.

Convém que a população em geral, entre as franjas fundamentalistas da direita e da esquerda, comece a debater este tipo de temas.

Agradeço ao Glória Fácil e à escola de lavores as informações e os links)

27 junho 2006

Sem (outras) palavras

Nu de costas

Desenho o amor como um caule
que a luz percorre numa lentidão líquida,
esquecendo o leito em que pousa, leve,
o seu corpo.
E se o brilho da tarde o colhe
do ramo a que os seus braços se agarram,
flutua, como fruto de futura colheita
que o desejo alimenta.
Ave imponderável, só os olhos
procuram a terra em que outrora
sonhou, no centro da clareira
em que o amor a deitou.

(poema de Nuno Júdice, no A a Z)

Pintura(s)

Graça Morais

Diana Marques


Pintar, conseguir reproduzir a realidade, nem que seja do sonho, com pincéis, lápis ou caneta é, para mim, um dom, uma característica formatada pelos genes, um toque de perfeição.

Talvez valha a pena visitar duas exposições de pintura.

A primeira, de Graça Morais, uma pintora que me surpreende pela simplicidade dos traço, pelo realismo da impressão estética que nos imprime. E pela sua pessoa, que nos envolve com a voz como se fosse o xaile que, com frequência, traz pelos ombros.

A segunda é colectiva, sobre a ilustração científica. Sempre me deslumbro com a capacidade de reproduzir, com o rigor e a exactidão de uma fotografia, mas com a vertigem da beleza, todos os minúsculos pormenores de um insecto, de uma célula, de uma flor, o deslumbramento da natureza.

Agradeço aos blogues Conta Natura e Graça Morais o anúncio e divulgação destes dois acontecimentos culturais.

26 junho 2006

Procriação medicamente assistida (parte III)

Os meus dois textos anteriores demonstram como a mesma pessoa pode esgrimir argumentos aparentemente contraditórios, com expressão de opiniões contrárias.

Por isso é que estes temas são difíceis e transversais. E por isso é que determinadas tomadas de posição pelos poderes legislativo e executivo são políticas, porque a ciência não dá resposta a tudo.

A integração dos dados científicos é indispensável, mas depois há que decidir tendo em conta as diversas culturas, os diferentes comportamentos das minorias e das maiorias. E o debate devia ser fomentado e acarinhado, como no caso da interrupção voluntária da gravidez ou na eutanásia, que só são debatidos quando se está para aprovar uma lei. Por coincidência (ou não) são sempre pedidos debates por organizações próximas da atitude “não mudar”, “deixar tudo na mesma”.

Gostaria de ouvir essas mesmas organizações a discutirem os preços dos preservativos, o local de distribuição dos mesmos, a existência de médicos, psicólogos e assistentes sociais nas escolas, o ensino efectivo do que são as transformações do corpo, da sexualidade, do crescimento, da gravidez e das doenças sexualmente transmitidas.

Mas neste caso, penso que é mais importante pensar, com todas as informações de que dispomos, no bem-estar das crianças. Quem deseja ser mãe ou pai deve pensar não só na concepção em si, como no que vem depois do nascimento.

Interrogava-me se o estado tem o direito de legislar sobre assuntos de natureza individual. Se penso, como é o caso, que a procriação é também um acto social, devem existir regras, portanto leis, que têm que ser o rosto da realidade.

Não invejo os legisladores. Neste assunto estou mais ou menos como Toneca Guterres: decidi não decidir!

...e continua!




Depois deste jogo, que venham ingleses, alemães e brasileiros, estamos preparados para tudo! Quem sobreviveu ao jogo, para além dos próprios jogadores, tem um coração de aço.

Não me parece bem culpar o árbitro de todas as patifarias que aconteceram. Quem deu as caneladas, foram os jogadores.

25 junho 2006

Procriação medicamente assistida (parte II)

Voltando ao tema da procriação medicamente assistida, e pegando no facto de não haver dados suficientes para saber se os filhos de casais homossexuais têm mais ou menos problemas que os filhos de casais heterossexuais, ou de pais e mães sós, talvez seja apenas porque a alteração na sociedade seja demasiado recente para que os estudos tenham significado.

Por outro lado, quando se começou a generalizar o divórcio, chegou-se à conclusão de que há formas saudáveis de conviver e formar crianças em ambientes que eram considerados muito prejudiciais.

E quem pode assegurar que o amor, o carinho, a estabilidade emocional e a orientação sexual não são conseguidos independentemente da existência de modelos sexuais de géneros diferentes?

Não será apenas o preconceito que temos em relação ao que é uma família? Família é o conjunto de pessoas que colaboram activamente no crescimento, bem-estar e felicidade de cada um de nós.

E será que o estado tem o direito de legislar sobre o que considera ser uma família? Não será matéria de opção individual?

Decidir ter filhos, assim como decidir não tê-los, pertence à esfera da privacidade individual, mas não deixa de ser um acto social, porque cada um de nós interfere e é membro activo da sociedade. Portanto é uma decisão individual mas de que a sociedade como um todo não se pode alhear.

Mais uma vez, não sou fundamentalista. Talvez as leis devessem assegurar que as crianças, independentemente de quem são os fornecedores de gâmetas, tivessem todas as condições para serem felizes e para se sentirem pertença de quem as cria, de quem as ama, de quem as quer.

Tal como nos avanços científicos e tecnológicos, as mutações e evoluções sociais não devem ser travadas pelo medo do desconhecido. Tal como um organismo vivo que se adapta ao seu meio ambiente, também as sociedades se adaptam e reequilibram após e durante as mudanças.

Bom senso é claro, mas sem preconceitos.

A mudez perante o indizível

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...