26 junho 2006

Procriação medicamente assistida (parte III)

Os meus dois textos anteriores demonstram como a mesma pessoa pode esgrimir argumentos aparentemente contraditórios, com expressão de opiniões contrárias.

Por isso é que estes temas são difíceis e transversais. E por isso é que determinadas tomadas de posição pelos poderes legislativo e executivo são políticas, porque a ciência não dá resposta a tudo.

A integração dos dados científicos é indispensável, mas depois há que decidir tendo em conta as diversas culturas, os diferentes comportamentos das minorias e das maiorias. E o debate devia ser fomentado e acarinhado, como no caso da interrupção voluntária da gravidez ou na eutanásia, que só são debatidos quando se está para aprovar uma lei. Por coincidência (ou não) são sempre pedidos debates por organizações próximas da atitude “não mudar”, “deixar tudo na mesma”.

Gostaria de ouvir essas mesmas organizações a discutirem os preços dos preservativos, o local de distribuição dos mesmos, a existência de médicos, psicólogos e assistentes sociais nas escolas, o ensino efectivo do que são as transformações do corpo, da sexualidade, do crescimento, da gravidez e das doenças sexualmente transmitidas.

Mas neste caso, penso que é mais importante pensar, com todas as informações de que dispomos, no bem-estar das crianças. Quem deseja ser mãe ou pai deve pensar não só na concepção em si, como no que vem depois do nascimento.

Interrogava-me se o estado tem o direito de legislar sobre assuntos de natureza individual. Se penso, como é o caso, que a procriação é também um acto social, devem existir regras, portanto leis, que têm que ser o rosto da realidade.

Não invejo os legisladores. Neste assunto estou mais ou menos como Toneca Guterres: decidi não decidir!

1 comentário:

  1. A.Teixeira12:06

    Mas, ao contrário do exemplo de Toneca Guterres, sem ambições (creio) para se tornar primeira-ministra...

    É esse o drama do Toneca (e nosso): do "pão com doce" ele só queria lamber o doce e deixar-nos cá com o pão...

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