Nu de costas
Desenho o amor como um caule
que a luz percorre numa lentidão líquida,
esquecendo o leito em que pousa, leve,
o seu corpo.
E se o brilho da tarde o colhe
do ramo a que os seus braços se agarram,
flutua, como fruto de futura colheita
que o desejo alimenta.
Ave imponderável, só os olhos
procuram a terra em que outrora
sonhou, no centro da clareira
em que o amor a deitou.
(poema de Nuno Júdice, no A a Z)
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos. [Bernardo Soares - Livro do Desassossego]
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