25 junho 2006

Procriação medicamente assistida (parte II)

Voltando ao tema da procriação medicamente assistida, e pegando no facto de não haver dados suficientes para saber se os filhos de casais homossexuais têm mais ou menos problemas que os filhos de casais heterossexuais, ou de pais e mães sós, talvez seja apenas porque a alteração na sociedade seja demasiado recente para que os estudos tenham significado.

Por outro lado, quando se começou a generalizar o divórcio, chegou-se à conclusão de que há formas saudáveis de conviver e formar crianças em ambientes que eram considerados muito prejudiciais.

E quem pode assegurar que o amor, o carinho, a estabilidade emocional e a orientação sexual não são conseguidos independentemente da existência de modelos sexuais de géneros diferentes?

Não será apenas o preconceito que temos em relação ao que é uma família? Família é o conjunto de pessoas que colaboram activamente no crescimento, bem-estar e felicidade de cada um de nós.

E será que o estado tem o direito de legislar sobre o que considera ser uma família? Não será matéria de opção individual?

Decidir ter filhos, assim como decidir não tê-los, pertence à esfera da privacidade individual, mas não deixa de ser um acto social, porque cada um de nós interfere e é membro activo da sociedade. Portanto é uma decisão individual mas de que a sociedade como um todo não se pode alhear.

Mais uma vez, não sou fundamentalista. Talvez as leis devessem assegurar que as crianças, independentemente de quem são os fornecedores de gâmetas, tivessem todas as condições para serem felizes e para se sentirem pertença de quem as cria, de quem as ama, de quem as quer.

Tal como nos avanços científicos e tecnológicos, as mutações e evoluções sociais não devem ser travadas pelo medo do desconhecido. Tal como um organismo vivo que se adapta ao seu meio ambiente, também as sociedades se adaptam e reequilibram após e durante as mudanças.

Bom senso é claro, mas sem preconceitos.

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