01 dezembro 2019

Nada eterno

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Retrato de Outono


Salvador Dali


 


Nem sei se gente se janelas


à minha volta os ruídos da existência


gestos que se repetem e se multiplicam


como as folhas de outono que rangem


e se desfazem sem que o vento


se demore.


Nem sei se dedos se olhos


para quê ou para quem tanto se morre


sem que a vida se conforte e se repita


com os meus ou os teus deuses


um nada eterno que se agita.

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