10 setembro 2008

Mais nada


(pintura de Jackson Pollock: one)


 


Senhora do alto destes muros

sinto o abismo que me chama

mais puro

mais só

mais nada.


 


Rodo nos braços do fogo

solta na esfera que me encanta

mais quente

mais vulto

que mente.


 


Esvoaço pela noite demolhada

nos lábios do vento que me beija

mais fome

mais lume

mais seja. 

7 comentários:

  1. Poético, simples, lindo!

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  2. Bonito poema.
    Beijinhos de Ponte de Lima.

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  3. "Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
    E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

    Quem me dera que eu fosse os rios que correm
    E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

    Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
    E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

    Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
    E que ele me batesse e me estimasse...

    Antes isso que ser o que atravessa a vida
    Olhando para trás de si e tendo pena..."

    Alberto Caeiro

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  4. Obrigada a todos pelos comentários.

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  5. Fantástico, Sofia. Que bem que sabe dizê-lo!

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