31 maio 2008

Eleições no PSD

Parece que ganhou Manuela Ferreira Gomes (37,6%). Penso que o debate político pode melhorar um pouco, mas aceitam-se apostas quanto à data das próximas eleições no PSD.


 


Luís Filipe Menezes foi de uma deselegância profunda, para não dizer de uma canalhice sem igual. Santana Lopes (29,82%) está no seu melhor, dizendo muitas frases que não significam nada, a não ser que vai continuar por aí.


 


Pedro Passos Coelho (31,07%) posicionou-se para mais daqui a pouco. Para depois das próximas eleições legislativas.


 


Ninguém percebeu muito bem o que esteve lá a fazer Patinha Antão (0,7%). Acho que nem ele mesmo sabia.


 


 


Esperam-se as doutas palavras de Alberto João Jardim. Será para agora a independência da Madeira?

Telefonemas de felicitações

Não deixa de ser risível o cuidado com que os candidatos perdedores afirmam, rapidamente e em público, que já telefonaram aos candidatos ganhadores para os felicitar.

Revista de imprensa

Três notícias interessantes:



  1. Directas PSD: Manuela Ferreira Leite lidera contagem de votos - Público online

  2. Caso Berardo envolve nata política da Madeira - Sol online

  3. Um pescador e um polícia feridos em confrontos - Jornal de Notícias online

     

Tears dry on their own


 


Ontem o início do Rock in Rio estava marcado pela actuação de Amy Winehouse. Não porque tem uma voz portentosa e tem ganho uma data de prémios ultimamente. Apenas pelo gozo e pela antecipação dos disparates que ela faria.


 


Viria, não viria? Estaria bêbeda, drogada? Diria obscenidades? O espectáculo que se pagara era para assistir aos desmandos de uma triste estrela amassada.


 


Pois não foram goradas as espectativas. Ouvi na televisão, em reportagem e em várias revisões da matéria, a figura anoréctica, desconchavada e periclitante, desculpando-se, chorando e tropeçando, sem voz nem fio de esperança.


 


Faz-me mal ver a degradação a que as pessoas chegam. O talento não chega. Falta a dignidade e uma cabeça minimamente preparada para o horror da glória.


 


Aqui fica uma excelente amostra do que Amy Winehouse pode ser: Tears dry on their own.


 


 


All I can ever be to you,

Is a darkness that we knew,

And this regret I've got accustomed to,

Once it was so right,

When we were at our high,

Waiting for you in the hotel at night,

I knew I hadn't met my match,

But every moment we could snatch,

I don't know why I got so attached,

It's my responsibility,

And you don't owe nothing to me,

But to walk away I have no capacity


 


He walks away,

The sun goes down,

He takes the day but I'm grown,

And in your way, in this blue shade

My tears dry on their own,


 


I don't understand,

Why do I stress A man,

When there's so many bigger things at hand,

We could a never had it all,

We had to hit a wall,

So this is inevitable withdrawal,

Even if I stop wanting you,

A Perspective pushes true,

I'll be some next man's other woman soon,


I shouldn't play myself again,

I should just be my own best friend,

Not fuck myself in the head with stupid men,


 


He walks away,

The sun goes down,

He takes the day but I'm grown,

And in your way, in this blue shade

My tears dry on their own,


 


So we are history,

YOUR shadow covers me

The sky above,

A blaze only that lovers see


 


He walks away,

The sun goes down,

He takes the day but I'm grown,

And in your way, in this blue shade

My tears dry on their own,




I wish I could say no regrets,

And no emotional debts,

Cause that kiss goodbye the sun sets,

So we are history,

The shadow covers me,

The sky above a blaze that only lovers see,


 


He walks away,

The sun goes down,

He takes the day but I'm grown,

And in your way, in this blue shade

My tears dry on their own,

 


He walks away,

The sun goes down,

He takes the day but I'm grown,

And in your way, in this blue shade

My tears dry on their own,


 


He walks away,

The sun goes down,

He takes the day but I'm grown,

And in you way,

My deep shade,

My tears dry

Manipulações

Todos falam de crispação social e de instabilidade, de aumento da crise e do fosso entre ricos e pobres, assistindo-se, nos últimos dias, a declarações do Presidente da República, de Mário Soares, de Paulo Portas, de Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite e de Manuel Alegre (que decidiu que era no PCP e no BE que haveria força para responder a esses desafios) que, pelo que se propagandeia na comunicação social, estão a piorar.


 


Mas ao contrário do que se está a fazer passar aos cidadãos a situação não está a piorar mas sim a melhorar, pouco, pouco, mas a melhorar. E isto não significa que o problema não seja enorme e que se não devam procurar outras e melhores formas de distribuir a riqueza, de apoiar os sectores em maior risco, de investir, como está agora no programa de todos os partidos políticos, mas pelos vistos só agora, em políticas sociais.


 


Trata-se apenas de desmontar o alarmismo e a crispação que se estão a criar. Apesar de haver relatórios e estatísticas que os desmintam, nada faz desistir quem apostou em defender o catastrofismo instalado.


 


A luta política está já noutros campos. Neste momento os grandes actores das agendas políticas são os jornalistas. Não é de agora, nem é nenhuma surpresa, mas é cada vez mais avassalador e assustador.


 


Gostaria de saber exactamente quais as soluções que Manuel Alegre preconiza para melhorar as políticas sociais e para reduzir as desigualdades. O quê, de que forma, que políticas, mas isso no concreto e explicando como e quais as consequências. Talvez se o partido apoiasse os ministros verdadeiramente reformadores, como os da Educação e da Saúde (que saiu), por exemplo, talvez houvesse lugar a reformar aquilo que de essencial há nas funções assistenciais do Estado. Ou será que se está a preparar a hipótese de ausência de maioria absoluta (do PS) nas próximas eleições alisando o terreno para uma coligação à esquerda?


 


Ideias e idealismo não existem. Existe a lógica da repartição de lugares por quem tem estado afastado do poder. E essa lógica está a condicionar os partidos à direita mas principalmente dentro do próprio PS, mesmo daqueles que, ao longo do tempo, têm lutado pela abertura da intervenção política à sociedade civil.

30 maio 2008

Sem nexo


(pintura de Richard Diebenkorn: ocean park nº 128)


 


Mar de muros

adentro

mar seguro

sedento

mar abrupto

do centro

de nós.



Mar sem tempo

sem nexo

para nós.

Névoa


(pintura de Richard Sperry: fog and light)


 


Lá fora esperam-me chuvas

restos de cinza requentada

mesmo assim anseio pelo respirar

da névoa.

 

Desenho nos vidros estradas desiguais

soma de gestos por tecer

mesmo assim insisto em ver

para lá da névoa.

 

Empresto ao corpo súbita leveza

ensaios de ave cega

mesmo assim acredito na beleza.

 

Somos névoa.

29 maio 2008

Inutilidades triviais

Não me tem apetecido participar nesta voracidade alarmista dos combustíveis, dos bens alimentares, das desigualdades, da pobreza, da catástrofe que aí vem, dos avisos do pai Soares, da rebeldia do pai Alegre, de tanta retórica e de tanto falatório manipulado e manipulador, mas sobretudo inútil e trivial.


 


Todas estas realidades que existem, infelizmente, desde há anos e anos, com governos de direita e de esquerda, estão repentinamente na boca de todos os candidatos, de todos os governantes, mas principalmente dos ex-governantes, que no entretanto conviveram pacificamente com este fenómeno, abanando a cabeça com seriedade e muita preocupação.


 


Vamo-nos embrulhando com as quezílias requentadas do PSD, com os comentários delirantes dos comentadores, com as promessas tonitruantes do nosso Primeiro.


 


O que vale é que ainda vai havendo arroz, mesmo com o preço a subir, para regressar ao preço a que já esteve, há anos, embora ninguém aparentemente se espante com a carestia dos cereais nessa época. E de vez em quando umas investida da ASAE, para que o nosso defensor mor Paulo Portas clame por justiça aos produtos artesanais, nossos, só nossos e nunca melhores do que sem regras. Esses é que são os genuínos, os que ele consome, obviamente.


 


Adenda: vale a pena ler o post de Fernanda Câncio: pobre portugal.

28 maio 2008

Marcas

Passamos pelas pessoas ao de leve quase sempre sem reparar que também por nós passam, que também a nós nos tocam. E quando a vida nos agita percebemos o relevo da tinta com que nos marcamos, com que reconhecemos quem nos marca. Surpreendidos, intimidados, não sabemos muito bem porque estranhos motivos há alguém que nos transforma, só por existir, mesmo que não repare que existimos.


 


E subitamente sentimo-nos tão perto, mesmo estando longe, mesmo que nem sequer saibamos a distância que nos separa. E inevitavelmente sentimo-nos presentes, mesmo na ausência do que não entendemos.

 


 



(Christine Harfleet - escultura de vidro: no killing fileds)

25 maio 2008

Em desacordo

É verdade que ainda não li o texto do acordo ortográfico, que me tem faltado tempo, mas sobretudo paciência para ouvir os debates e para ler os artigos sobre o acordo ortográfico.


 


É ainda verdade que não sou versada em temas tão importantes como a defesa da língua portuguesa, a expansão da língua portuguesa, a pureza da língua portuguesa.


 


Apenas tenho a noção de que a língua portuguesa é a mesma e é diferente consoante os países em que é falada, com as entoações, os maneirismos, os vocábulos locais e regionais, os vocábulos resultantes da mistura e da combinação das línguas nativas com a portuguesa.


 


E acho que uma das suas riquezas é precisamente essa variedade. E por isso continuo sem perceber qual a razão e qual a necessidade do dito acordo ortográfico.


 


As línguas vão-se modificando à medida que vão sendo assimiladas e que vão assimilando outras influências, naturalmente. Não são precisos acordos nem decretos-lei para o assegurar.

24 maio 2008

O Estado dos pobres

A proliferação dos privados na saúde apenas aumentam a liberdade de escolha para quem a pode pagar. Ao deixar de ser universal o SNS retira-se para os mínimos, deixando ao Estado o papel de caridoso protector dos pobres, a quem basta pouco e a quem pouco tem para oferecer.


 


A história recente demonstrou sem margem para dúvida que os privados são muito mais eficientes do que o Estado a gerir recursos nas mais diversas áreas de actividade, incluindo a Saúde. - (editorial do DN de hoje).


 


Não sei onde está a demonstração desta eficiência. Nem sei onde está a demonstração do contrário. O que sei é que sistemas de saúde predominantemente privados, tal como o que existe nos EU, não servem as populações, tais como os cheques ensino não melhoram as oportunidades de quem tem menos poder económico, apenas perpetuam as hierarquias sociais, pois uns têm capacidade para chegar aonde outros não podem.


 


A concorrência com o sector privado é benéfica desde que não se entenda que o Estado é o estado dos pobres. Para quem está sempre a dizer que não há diferenças entre esquerda e direita, aí estão as opiniões de Ferreira Leite e de Passos Coelho sobre o SNS para as perceber.

Enervação


 


Se há coisas que me enervam até a um limite que estou sempre a ultrapassar, é a incapacidade de compreender algumas coisas que não funcionam, embora pareça estar tudo impecavelmente bem.


 


Neste grupo estão omnipresentes os falhanços com configurações de correios electrónicos, routers, enfim, tudo o que diz respeito a computadores e internet, de que não percebo nada mas irritam-me, mas tanto, tanto…

Inevitável

Vamo-nos indispondo cada vez mais na solidão, mas nem sabemos os braços que nos vão faltando, o peso insustentável dos olhos que se vão baixando, o frio que se instala devagar e nos arrepia os lábios, numa sugestão de sorriso.


 


Vamo-nos aconchegando cada vez mais na nossa solidão, esquecendo que a lareira é alimentada pelas vozes e pelos silêncios da companhia de quem queríamos, ou de quem julgávamos querer.


 


E são tardes de chumbo, manhãs submersas em múltiplas caminhadas inúteis, noites entretidas de nada.


 


E são inevitáveis como o tempo.


 



(pintura de Alfred Wallis: Boats under Saltash Bridge)


 

21 maio 2008

Vigarices


 


Voltam a atacar os enganadores profissionais. Desta vez disseram-me que tinha respondido há 2 anos a um inquérito sobre doenças cardiovasculares e que tinha um rastreio gratuito para fazer, no Centro de Rastreio de Oeiras e que, inclusivamente, já me tinham enviado um postal (nunca por mim recebido) com certeza que se tinha extraviado.


 


Teve azar, a senhora. Depois de me perguntar o nome do meu marido, eu achei que a desfaçatez já era demasiada e fui desmontando os argumentos: onde era o centro de rastreio, centro de rastreio de quê, em que consistia, quem patrocinava, quem autorizava, quem credenciava, etc.


 


Fui passando de enganador para enganador até que me disseram que não estavam ali para enganar ninguém e que eu não era obrigada a ir.


 


No dia seguinte já era um fim-de-semana para 4 pessoas, grátis, que já tinha sido enviado pelo correio (nunca recebido obviamente), e que tinha que ser levantado naquele mesmo dia. A conversa de não estar ali para enganar ninguém foi a mesma.


 


Os tempos estão maus, é preciso imaginação para enrolar os papalvos.

A insustentável leveza do ser

Nas últimas décadas o primado da individualidade, do quero por isso posso, da liberdade de escolher a nossa vida, da necessidade de a comandar, de a decidir, retirando a deus, ao destino, ao acaso, a condução do que nos vai acontecendo, deixou-nos um vazio e uma estupefacção quando algo de totalmente inesperado faz dar uma volta de 180 graus ao planeado.


 


E no entanto, se olharmos para aquilo em que resultaram os anos já passados, desde o local onde vivemos, às pessoas que nos rodeiam, entre amigos e família, ao nosso papel com os filhos e os pais, no amor, no trabalho, em todas as facetas do nosso crescimento, poucos serão os que acenam satisfeitos pelo facto de tudo se ter passado como imaginavam, sonhavam ou até receavam.


 


Tenho assistido a muitas lutas para que tudo volte ao trilho inicial, a muitas frustrações pelo que é entendido como falhanço, mas a poucas situações de adaptação activa, calma e ponderada aos acontecimentos incontroláveis que se nos impõem.


 


Se calhar é aí que está o segredo: sem cedências nem desistências saber olhar para as reviravoltas da vida e conseguir levá-la a bom termo, nem que seja de verde em vez de vermelho, nem que seja para a esquerda em vez de para a direita, mas com todos os sentidos naquilo que queremos alcançar, naquilo a que chamamos felicidade.


 



(Milan Kundera, Phillip Kaufman)

20 maio 2008

Os puros

Nem sei bem que lado escolher, se o direito, se o esquerdo, nem sei bem se ainda há lados para escolher. Dizem-me repetidamente que não, que tudo se mistura, que há os que estão com a verdade e há os que estão perdidos em mentiras devassas.


 


Em tudo agora se vê o mal, em tudo o que está à vista e que não deveria estar, já não posso ter dentes amarelos do tabaco, os dedos achatados e arredondados, com aquele fumo definitivo, nem o copo de cerveja pendurado dos dedos da outra mão, assim ao de leve, de modo a escorrerem as gotas de água até à mesa.


 


Nem sequer almoçar fritos e refastelar-me de leite-creme, dormir a sesta, gostar de trabalhar e de estar com os amigos.


 


Agora tenho que gostar sempre e mais do que nunca dos filhos, de estar com eles, de brincar com eles, de não me importar de faltar 6 meses ao trabalho porque o mais importante são as crianças, tenho que lhes pedir perdão, ou pedir publicamente perdão pelas noites que quero passar fora, pelos cigarros que me apetece fumar, pelos doces que gosto de comer, pelas caminhadas que não me satisfazem, 1 hora de passadeira por dia, suando as estopinhas, a desperdiçar o tempo em que deveria estar a ler blogues, a ler jornais, a conversar, a beber cañas.


 


Não gosto da vida dos puros, dos bonitos, dos novos, dos virtuosos. Metem-me muito medo.

17 maio 2008

Olhar e ver

Ainda bem que parece que há capacidade dentro do SNS para tratar da saúde oftalmológica da nossa população, embora muito me espante este súbito e tão agudo interesse para um problema tão crónico e arrastado, como o é a existência de listas de espera à cirurgia das cataratas.


 


Espero é que se chegue também à conclusão que o SNS deveria estudar a forma de tratar da saúde oral da nossa população, e da saúde dos restantes órgãos e sistemas, sem alarmismos e sem ir a reboque das notícias, como foi o caso das vacinas contra o cancro do colo do útero.


 


Esperemos que haja decisões políticas que beneficiem os cidadãos, que estejam estruturadas e que não parecem ser apenas em reacção a uma qualquer agenda, política ou outra.


 



 

Solidariedade


 


O bom senso é importante, mesmo indispensável, e deve aplicar-se a várias áreas de comportamento. Não conheço as leis que regem a higiene, a segurança alimentar e a saúde na restauração ou noutros estabelecimentos que guardam e disponibilizam comida, com ou sem fins lucrativos, mas parece-me evidente que devem ser idênticos e rigorosamente controlados.


 


Não percebo porque é que as Instituições de Solidariedade Social podem ser autorizadas a terem piores condições para a conservação dos alimentos, ou porque não devem ter os mesmos cuidados com a proveniência e a confecção das comidas.


 


Será que quem necessita de recorrer a essas instituições tem apenas direito a comida, independentemente da forma como é conservada e confeccionada?


 


A quem estará a incomodar tanto a ASAE?

Fora do mundo

Há qualquer coisa de estranho quando se está cerca de uma semana sem saber notícias, sem ver televisão, sem ouvir rádio, sem ler jornais ou blogues.


 


Espanta-me como tudo está na mesma, como o mundo rola sem sobressaltos, para além dos abalos sísmicos e catástrofes naturais que vão matando pessoas e engolindo cidades. Mas até mesmo essas catástrofes são já consideradas fenómenos sem importância, que se propagandeiam de meia em meia hora por 1 ou 2 dias, sendo substituídos de imediato por notícias tão importantes como a imoralidade do comportamento do Primeiro-Ministro por fumar onde tal é proibido.


 


Estive mergulhada em células, num mundo que tentamos perceber e controlar, ouvindo e aprendendo como se usam infinitésimos fragmentos de nós próprios na tentativa de mudar o erro, a infecção, a mutação, a influência ambiental, como invadir menos para obter mais informação, como fazer mais e melhor, como rever práticas e mudar atitudes.


 


Será que não há nada mais interessante no país do que os cigarros de Sócrates?

14 maio 2008

Para me lembrar


(pintura de Nichola Moss: lovers)


 


Para me lembrar que estou contigo

neste vazio de cama

neste desaconchego de mãos,

para que a lembrança do teu abraço

me sossegue

enquanto me faltas.

13 maio 2008

Ciência, a quanto obrigas

Células, agulha fina, meio-líquido, rastreio, automatização, alto grau, FISH, fronteira virtual, caramelos, nuestros hermanos, Badajoz à vista...


 


Alentejo, nunca mais te vejo. Lisboa, que o tempo passa mas não voa.


 



 

11 maio 2008

Pensemos

Antes de mais devo agradecer e encaminhar este honroso prémio. Nem sempre estou para pensar, Donagata, mas ainda bem que te provoco.


 


São muitas as pessoas que me interpelam e me motivam, estranhas, felizes, mordazes ou dramáticas, mas a indicação é para uma mulher.


 


Pois bem experimentem, se é que já não conhecem, ler e sentir os textos de Ana de Amsterdam. É dos que viciam.


 



 

09 maio 2008

Futebolês

O telejornal da RTP1 fala, há longuíssimos minutos, de uma forma séria e circunspecta, de futebol, de Pinto da Costa, de pontos que se tiram, de Valentim Loureiro, etc. E estão lá vários comentadores e jornalistas, a discutirem todo este tão importante problema, em que se fala de coragem e de batalha jurídica.


 


Isto no dia em que Cavaco Silva ratificou o Tratado de Lisboa, aquela chinesice que não tem interesse nenhum, que não é compreensível para o cidadão comum, ou para o adepto comum, segundo outro comentador de que desconheço o nome.


 


Enfim, estamos de fim-de-semana.

08 maio 2008

Na obscuridade

Tenho estado sem internet, portanto não tem sido possível postar. É incrível como a internet se tornou uma necessidade tão absoluta como o telefone, ou mesmo a electricidade. Ontem se por acaso não tivesse gravado umas imagens numa pen, não teria feito um trabalho para hoje de manhã.


 


Não é uma obsessão de José Sócrates. A internet é o futuro no trabalho, nas comunicações, no conhecimento e informação, e em tantos outros domínios que nem desconfio.


 


Enfim, hoje o cansaço vence-me.



 

04 maio 2008

Desempregos colectivos de mulheres

Mas nem por no se ter qualquer solução a curto prazo, a sociedade , nós todos, devemos deixar de olhar para cada um destes desempregos colectivos de mulheres sem a preocupação de vermos e sentirmos a devastação que ele tem por trás , o atraso social que isto significa para Portugal. Estas mulheres não vão educar os seus filhos da mesma maneira , vão reproduzir melhor o Portugal antigo do que preparar o novo. Elas sentem que falharam, tinham algumas ilusões que perderam. Mas nós falhamos mais se não temos a consciência de fazer alguma coisa. Porque se pode, na acção cívica, no voluntariado, no mundo empresarial, na política, fazer muita coisa por estas mulheres. O que é preciso é vê-las e à sua condição e não as cobrir com o manto diáfano da inevitabilidade. A começar pelo Governo, que mais uma vez se vai voltar para o betão e não para as pessoas.


 


Vale a pena ler a totalidade deste excelente texto de José Pacheco Pereira, no Abrupto.

Acerto


(pintura de Susilowati: simple painting of mother and chlid)


 


Acerto o passo pelo teu, mãe.
Mesmo que perdida nas dobras do passado
aqui te espero na borda do presente.

Acerto o carinho pelo espaço que ocupas, mãe.
Mesmo que nas sobras dos sorrisos passageiros
aqui te espero no silêncio do amparo.

Mães

Todos os dias te rendo homenagem, minha mãe, e ela engrandece diariamente desde o dia em que alguém me chamou, pela primeira vez, mãe.


 



(pintura de Graça Morais)

Afastamentos

Vários motivos que, nos últimos dias, afastaram os jovens, as crianças, os adultos, os idosos, enfim, todas as faixas etárias, dos políticos e da política:




  1. Discussão dos horários dos hipermercados, com as consequentes declarações dos seus detractores – defesa da família e defesa… não se sabe bem de quê.



  2. A preocupação do Presidente da República com a criminalidade violenta.



  3. A afirmação de que o PSD é de centro-esquerda.



  4. A telenovela do caso Maddie.



  5. O salário (o mínimo) declarado ao fisco por 6 mil gerentes e directores de empresas.



E muitas outras que agora me falham…

Intervenção pela música

A música clássica como libertadora e como programa de reconversão social da pobreza, da delinquência, da solidão, do ciclo vicioso dos excluídos e dos marginalizados, num país como a Venezuela.

Completamente surpreendida, através da excelência de conteúdos do 60 minutos, tomei conhecimento de um programa governamental, El Sistema, que existe desde 1975, fundado por um economista e amador de música (José António Abreu), que consiste em proporcionar às crianças habitantes dos bairros mais pobres do país o ensino da música clássica, desde a mais tenra idade. Neste momento há várias orquestras que actuam no mundo inteiro, e que são o refúgio e a garantia de um modo de vida alternativo para quem tinha por destino o crime, a exclusão e a pobreza.

Como é possível que uma coisa tão simples possa fazer a diferença? Quando é que os nossos governantes se convencem que o ensino da música, a sério, desde o infantário, o ensino da escrita da música, do solfejo, de um instrumento, do treino, da disciplina, do trabalho a que obriga a música, faz transcender a alma para o que há de belo e de criativo em todos nós, que o alimento para a beleza e para a harmonia é o cimento de uma sociedade mais justa e mais fraterna?

Convinha que a nossa Ministra da Educação, que os nossos mecenas, que os nossos políticos, que a nossa sociedade civil meditassem neste exemplo e que a música fosse incluída nos curricula escolares como elemento primordial da educação pública em Portugal.


 



(Orquestra Sinfónica Simón Bolívar)

01 maio 2008

Feriado

Hoje, 1º de Maio, dia do trabalhador, quase todas as lojas estavam abertas no meu bairro. Supermercados e cafés albergavam alguns trabalhadores que, como eu, comemoravam o seu descanso.


 



(1º de Maio de 1974)

Cheque dentista

(...) Grávidas e idosos pobres recebem até 120 euros:
Durante este ano, serão apenas as cerca de 65 mil mulheres grávidas seguidas nos centros de saúde e os idosos beneficiários do complemento solidário (mais de 90 mil) a ter direito a cheques-dentistas. As grávidas receberão três cheques no valor de 40 euros cada e podem concluir os tratamentos até 60 dias após o parto. Já os idosos, que terão de pedir ao Instituto de Segurança Social um comprovativo da situação de beneficiário do complemento solidário, podem ter dois cheques por ano, num total de 80 euros. Os montantes dão apenas para procedimentos básicos, como tratamentos de cáries e de gengivites e extracções simples. (...)
- Público, 01/05/2008, pág. 10



 


Vou a um consultório de dentista no meu bairro. Por cada consulta pago entre 60 a 70 euros. Como as grávidas têm direito a um máximo de 3 cheques de 40 euros, podem tratar, na melhor das hipóteses, 2 dentes. Se tiverem mais do que 2 para tratar, enquanto estão grávidas porque depois deixam de ter cheques em qualquer quantidade, como fazem? Escolhem quais os dentes que querem tratar? Tratam um bocadinho de cada um? Há dentistas para grávidas pobres e dentistas para grávidas ricas?

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...