É pouco tudo muito pouco da raiva à entrega
tudo pequeno morno liso.
É pouco tudo muito pouco o tempo e o vento
que não escolhe areias assentes e raras
nas mãos as gotas evaporam.
É pouco tudo muito pouco.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
É pouco tudo muito pouco da raiva à entrega
tudo pequeno morno liso.
É pouco tudo muito pouco o tempo e o vento
que não escolhe areias assentes e raras
nas mãos as gotas evaporam.
É pouco tudo muito pouco.
Wynton Marsalis & Eric Clapton
Well this is the last time honey babe
For that many times before
It's the last time honey babe
I mean i don't want you no more
Well there's only one thing
That grieves me to my heart
Been together so long
I would hate to part
But it's the last time honey babe
I mean it's the very last time i mean
I mean it's the very last time
Honey it's the last time honey babe
I mean it's the very last time
Well it's the last time honey babe
I mean i don't want you no more
Well i don't care you can tell your brother
Stop your ringing and twisting mama
'cause i ain't going no further
It's the last time honey babe
I mean it's the very last time
I said
Dee-doo
dee-doh-dee-oh-doh
Que enfado para o que não se define. A superficialidade com que tudo se discute e se opina, os pequenos nadas que causam tantas indignações estéreis e fugazes, a negligência deixamos instalar no quotidiano, a complacência pelos comportamentos de enguia, pela falta de exigência, pelos voluntarismos inconsequentes, pela mais completa incompetência de quem apenas trabalha para a imagem, são o espelho da maioria das organizações.
Quando fazemos grandes e intrincados raciocínios sobre as causas das coisas, os maquiavélicos objectivos a atingir por quem toma decisões, esquecemo-nos de que, o mais provável, é serem ditados pela mais pura falta de inteligência, pela mais vulgar ignorância de quem achamos mais digno, mais esperto, mais tudo.
1.
Poucas as vezes em que a chamada nos encontra
de voz em concha de dedos em antena, num frémito de desejo
que se apronta. Por nós ou pelos outros poucas as vezes
que então se medem, em nomes que nos moldem e amortalhem.
2.
À porta de um outro tempo no limiar das decisões
inadiáveis, sopro com decoro a urgência que as palavras
me ditaram, entre cumes de sentidos que arrumo
mais além. Já cobrimos a nudez de tanta ferida
que servimos em silêncio a indiferença.
Reafirmando tudo o que escrevi ontem, há outra dimensão, e uma grande e fundamental dimensão, do caso Miguel Relvas, que é a política.
A promiscuidade entre as empresas, os serviços do Estado, nomeadamente os de informações, as máquinas partidárias, e a comunicação social, o sentimento de impunidade de tantas figuras das nossas elites, as trocas de favores que fazem o mundo dos bastidores do verdadeiro poder, o confisco da independência decisória, a negligência e incompetência dos nossos representantes - governo, oposição, etc. - estão patentes em toda esta embrulhada que pomposamente se apelida de caso das secretas.
Se defendo que o estado de direito deve estar ao lado de qualquer individual cidadão, seja ele quem for, não posso de deixar de estranhar, tal como os dois Pedros do Bloco Central, a actuação do Primeiro-ministro, que ficou refém de Miguel Relvas, e da oposição, nomeadamente do PS, que se demitiu de ter qualquer relevância no importantíssimo papel de fiscalizador da acção governativa.
Tudo parece uma brincadeira de mau gosto. Juntando as afirmações de António Borges quanto à necessidade de uma nova e mais drástica redução salarial com a derrocada da Espanha, não sei mesmo que quantidade de terra teremos que cavar para chegarmos ao fim do túnel e que forças nos sobrarão para rasgarmos a providencial janela.
A crise por que estamos a passar, e neste momento estou a referir-me à económica e financeira, tem obrigado muita gente a reorganizar a sua vida e a redefinir as suas prioridades.
Neste momento, há cada vez mais pessoas a optarem pelas lancheiras. À hora de almoço, trocam-se receitas e discutem-se utensílios para se obterem opíparas refeições, saudáveis e a preços irrisórios. O faça você mesmo ganha adeptos. Tudo se faz em casa, desde agricultura de subsistência e biológica, a roupa por medida, não há como a imaginação para vencer o desespero.
E os negócios, principalmente aqueles que escapam aos impostos, os que alimentam a economia paralela, em pujante crescimento, aproveitam as oportunidades, levando à letra o nosso Primeiro-ministro. É só passar pelos centros comerciais para se verem banquinhas repletas de exemplares de cores garridas, de várias formas e tamanhos, mais sisudas ou mais folclóricas, que servirão de imediato como modelos às mais caseiras feitas por mãos habilidosas, a preços muito mais convidativos, fazendo passar os euros de mão em mão sem outras intermediações.
Malhas que a crise tece.
As figuras públicas, em Portugal, são trucidadas pelas fugas cirúrgicas de informações com que os processos, judiciais ou outros mas profundamente kafkianos, vão sendo do conhecimento geral, a conta gotas, para grande agitação da mole humana, para grande felicidade das caixas de comentários dos posts e das notícias online, dos fóruns de discussão das televisões e das rádios.
Miguel Relvas foi para o governo para domesticar a comunicação social, para servir de escudo ao primeiro-ministro, para servir de ponte aos autarcas do partido. É uma figura que personifica o que de mais negativo existe quando nos referimos aos aparelhos partidários. Mas isso não pode justificar o manancial de acusações, suspeitas e insinuações que, todos os dias, são gritadas e repetidas, quase como se fosse essencial que todos concluíssem pela vilania da pessoa em questão, sem qualquer possibilidade de defesa ou explicação.
Sócrates e os seus ministros foram e continuam a ser vítimas do mesmo. O pior que pode acontecer a alguém, seja quem for, é ser alvo de suspeitas que ficarão sempre em suspenso, nunca esclarecidas. Se há indícios de que Miguel Relvas actuou criminosamente, pois que se acuse, investigue, julgue e condene ou absolva. Mas este metralhar incessante é indigno e o resultado vai ser o mesmo que os diversos desfechos de processos que se esboroam e desacreditam a justiça, para além das pessoas enroladas por eles.
O estado de direito e a justiça para os nossos aliados e amigos deve ser idêntica à dos nossos adversários e inimigos. É uma amarga lição para quem, da parte do PSD, tanto contribuiu para o clima de caça às bruxas, acusações sem provas e delapidação da confiança na política e nos servidores públicos. Quem acredita na liberdade e na justiça não pode deixar de se revoltar com a constante delapidação dos valores da democracia, sinónimo de uma sociedade doente.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...